TANGARÁ DA SERRA
Pesquisar
Close this search box.

Opinião

Lula entre a diplomacia e a imprudência: quando a política externa flerta com o autoritarismo

Publicado em

A política externa do Brasil sob o comando do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem despertado inquietação crescente em círculos diplomáticos e analíticos ao redor do mundo e, também, passado uma mensagem preocupante para o próprio povo brasileiro.

O Itamaraty, que já foi referência de moderação e pragmatismo, vem sendo conduzido em uma rota arriscada que desafia princípios democráticos e de direitos humanos, ao se aproximar de regimes autoritários e grupos extremistas sob a justificativa de promover a “pluralidade de diálogo” e o “equilíbrio geopolítico”.

Um dos episódios mais controversos foi a retórica ambígua do governo Lula em relação ao grupo terrorista Hamas. Após os ataques brutais de 7 de outubro de 2023 contra civis israelenses, Lula hesitou em reconhecer o Hamas como responsável por atos terroristas, preferindo tratar a situação como um “conflito de narrativas” e condenando ambos os lados com pesos equivalentes. Essa posição foi recebida com indignação por aliados ocidentais e por países que consideram o Hamas não um ator político legítimo, mas uma organização armada que instrumentaliza civis e perpetua a instabilidade no Oriente Médio.

Não é apenas o Hamas. A postura de neutralidade em relação ao Hezbollah, organização igualmente considerada terrorista pelos Estados Unidos e pela União Europeia, levanta sérias questões sobre os critérios éticos e estratégicos que regem a diplomacia brasileira. Embora o Brasil defenda uma política externa “ativa e altiva”, ela corre o risco de se tornar ingênua (ou cúmplice) quando evita condenar abertamente atores que promovem o terror como arma política.

Na América do Sul, a contínua condescendência de Lula com Nicolás Maduro é mais um exemplo de imprudência. Ignorar as evidências de repressão política, fraude eleitoral e miséria humanitária na Venezuela é desrespeitar os próprios princípios democráticos que o governo brasileiro diz defender. Ao receber Maduro com honrarias e minimizar a crise do país vizinho, o presidente Lula envia uma mensagem perigosa: de que a ideologia vale mais do que os direitos humanos e o sufrágio livre.

O mesmo se aplica à aproximação com potências autoritárias como a China. Embora a relação comercial com Pequim seja vital, é fundamental reconhecer os riscos de alinhar-se politicamente com um regime que censura sua população, persegue minorias étnicas e ameaça a ordem internacional com ambições expansionistas. A ausência de crítica do governo brasileiro ao cerco chinês a Taiwan ou ao uso de tecnologia para controle social revela uma diplomacia que evita desconfortos em nome de interesses imediatos — uma escolha que pode custar caro a longo prazo.

Lula tenta se posicionar como mediador global, como voz do Sul Global e defensor de uma ordem multipolar. No entanto, há uma tênue linha entre buscar equilíbrio e legitimar tiranias. Em nome de um suposto pragmatismo geopolítico, o Brasil de Lula parece disposto a tolerar o intolerável, relativizar o terrorismo e calar diante do autoritarismo, tudo isso em nome de uma ideia de soberania que, na prática, isola o país das democracias consolidadas e prejudica sua credibilidade internacional.

O Brasil pode e deve exercer um papel de liderança global. Mas isso exige responsabilidade, clareza moral e compromisso com valores universais. Flertar com regimes opressores e grupos extremistas não é diplomacia: é imprudência. E os custos dessa escolha podem ser altos demais, tanto para a imagem do país quanto para os princípios que devem nortear sua atuação no mundo.

Comentários Facebook
Advertisement

Opinião

Estratégias de mercado no uso de bioinsumos para o produtor rural movimentam setor

Published

on

(*) Por Fellipe Parreira/GIROAgro

É fato que no setor industrial existam divisões claras, cartesianas, entre empresas e biológico de químicos. Entretanto, essa distinção, para o produtor rural, torna-se pouco relevante. O desafio é único: obter soluções eficazes para melhorar a produtividade e a saúde de sua lavoura de forma segura e confiável. Não é à toa que empresas que conseguem comunicar bem a combinação entre nutrição tradicional e os bioinsumos conseguem se aproximar mais da real dor do produtor, agregando valor na ponta do funil.

O objetivo de toda e qualquer empresa que atua com fertilizantes e bioinsumos vai além de meramente levar um produto para o campo; é necessário, primeiro, gerar segurança para o agricultor. Isso se concretiza por meio de múltiplas estratégias. Busca-se aproximar a teoria ao dia a dia do produtor rural. Uma dessas estratégias é a experimentação que pode ocorrer in loco, ou seja, na própria fazenda do agricultor, respeitando o manejo, a variedade e as condições locais. Essa prática proporciona a comprovação concreta dos benefícios das tecnologias empregadas.

O fundamental é trabalhar com os consultores técnicos de confiança do produtor. Tais profissionais, respeitados e acreditando no campo, são verdadeiros multiplicadores de benefícios quanto às soluções oferecidas. Investindo em capacitação e em relacionamento com esses consultores, as companhias conseguem validar cientificamente suas tecnologias e influenciar positivamente o produtor final.

Cria-se, portanto, um ecossistema de referências inclusivo para produtores influentes, que sejam respeitados e cujas marcas estão associadas a resultados comprovados. Essa é uma estratégia poderosa para gerar segurança. Isso transforma a adoção de bioinsumos de uma simples compra por impulso em um processo confiável e sustentado por resultados práticos e evidências locais.

Conforme a Fiesp-Deagro, instituição de pesquisa agropecuária, a principal motivação do produtor para utilizar produtos biológicos é a eficiência comprovada dos bioinsumos. Há, no mercado brasileiro, mais de 140 empresas e mais de 600 produtos registrados. Cria-se uma complexidade para o cliente na hora da escolha. É importante ressaltar que ele não decide o uso apenas pelo desempenho numérico do produto (como o aumento esperado em sacas por hectare), mas pela sua segurança ao receber o resultado prometido, que é essencial diante das incertezas do mercado.

O produtor vive um cenário de variáveis incertas, na prática: mudanças climáticas, preços flutuantes de commodities, custo de insumos (além de diversidades outras variantes que se apresentam atualmente). Diante de ofertas que entregam duas, três ou quatro sacas a mais, ele muitas vezes opta por aquele insumo que lhe garante maior segurança e previsibilidade, mesmo oferecendo tecnicamente um resultado menor. A confiança prevalece sobre a mera promessa de maior produtividade.

O que, afinal, constitui essa segurança? As empresas desenvolvem programas de demonstração de campo, um excelente exemplo é o “Liga dos Campeões” da VIVAbio, uma das maiores e mais tecnológicas fábricas de bioinsumos a base de fungos e bactérias do país, que reúne uma rede com cerca de 300 áreas demonstrativas em diferentes regiões com dados consistentes de respostas positivas às tecnologias aplicadas.

O papel das cooperativas e revendas é essencial no atendimento ao pequeno e médio produtor. Elas oferecem a estrutura necessária para qualificar suas equipes técnicas e comerciais, garantindo uma comunicação clara e eficaz. Alia-se a isso um atendimento próximo e consistente. Além disso, inovações industriais têm permitido o desenvolvimento de bioinsumos que não requerem armazenamento em freezer. Essa é uma tecnologia que amplia o acesso desses produtores a produtos com validade estendida em temperatura ambiente.

Um estudo da Deagro, da Fiesp, apontou que o custo poderia ser um desafio para o crescimento do mercado de bioinsumos. Contudo, observar práticas do mercado indicam que o produtor não decide sua compra simplesmente pelo menor preço, mas pelo custo benefício real. Assim, produtos de maior valor que asseguram maior eficácia são preferidos, pois garantem um retorno mais seguro.

Há inúmeros desafios para a expansão do mercado. Entre estes está a disseminação do conhecimento técnico. A falta de informação e capacitação é uma barreira significativa, que afeta a adoção dos bioinsumos. Investir na educação técnica e na comunicação dirigida é estratégico para posicionar os insumos como soluções confiáveis e sustentáveis.

O mercado brasileiro de bioinsumos cresceu mais de 30% no último ano, e espera-se que, em breve, ele represente até 25% do valor de mercado dos produtos químicos convencionais. Essa expansão é impulsionada não apenas pelo desempenho técnico, mas também por questões relacionadas à sustentabilidade, saúde ambiental e qualidade dos alimentos.

Em síntese, o mercado de bioinsumos representa uma evolução técnica e comercial, que busca agregar valor, segurança e sustentabilidade para o produtor rural. Investir em experimentação local, na capacitação de consultores e na construção de uma comunicação sólida é o caminho para acelerar a adoção desses produtos, beneficiando o agronegócio brasileiro como um todo.

Comentários Facebook
Continue Reading

Envie sua sugestão

Clique no botão abaixo e envie sua sugestão para nossa equipe de redação
SUGESTÃO

Empresas & Produtos

Economia & Mercado

Contábil & Tributário

Governo & Legislação

Profissionais & Tecnologias

Mais Lidas da Semana