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Opinião

Até Quando?

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Há 76 anos, em 1944, uma das razões da criação da revista “A GRANJA”, foi a necessidade do setor leiteiro gaúcho ter um canal para repercutir o que acontecia nessa importante atividade econômica. O Rio Grande do Sul, já em 1936, constituiu a Associação dos Criadores do Gado Holandês. Em 1937, o governo estadual gaúcho implantou o Entreposto do Leite, através da Sociedade Anônima Beneficiadora do Leite – SABEL, para beneficiar e pasteurizar leite, buscando atender a demanda da população de Porto Alegre. Faço esse retrospecto histórico, buscando contextualizar porque até hoje as políticas públicas nacionais não contemplam adequadamente o setor leiteiro. São aproximadamente seis milhões de pessoas, pequenos produtores em sua grande maioria, que produzem leite, sem que existam mecanismos de proteção, entre eles, uma política de remuneração básica pelo litro produzido. Esses pequenos se dedicam à produção e produzem em todos os cantos do Brasil, fazendo girar a economia dessas  comunidades onde lá vivem, mas conferindo um efeito multiplicador no tecido social do extrato inferior de renda brasileiro. O preço atualmente recebido pelo leite produzido é vil e, novamente não cobrindo os custos de produção, como em tantos momentos passados. A torpeza é continuada, com a importação disfarçada, onde são empregados mecanismos de triangulação através do MERCOSUL, tantas vezes denunciados e jamais resolvidos. O Protocolo de Ouro Preto, que institucionalizou o MERCOSUL, ao não sanear as assimetrias existentes entre as partes, levou a criação consentida de privilégios a segmentos econômicos, a exemplo, ao parque industrial brasileiro, em detrimento da agropecuária e, tendo oferecido  contrapartidas a países como o Uruguai e Argentina, o “direito” de exportarem ao Brasil produtos agropecuários, lesando os interesses de milhões de produtores. Nesse momento em que grassa a pandemia da Covid-19 são os leiteiros, que sentem brutalmente os rigores do abalo econômico e perda de renda provocados por ela, principalmente pelo aumento da pobreza e dos custos de produção, bem como de importações desnecessárias. Justamente agora, o governo federal deveria, tal qual faz com o programa emergencial de apoio financeiro a um número entre 40 e 60 milhões de brasileiros, oferecer um programa de suporte ao setor leiteiro e, coibir a importação de leite em pó. Se, nas cidades a destruição de empregos nas indústrias e na área de serviços foi imensa pelo Covid-19, não é aceitável, que no campo sejam destruídos empregos e renda nas pequenas propriedades, por importações ruinosas ao interesse nacional, de produtos largamente subsidiados no exterior. Até quando continuará a ocorrer essa insensibilidade social, política e econômica com o setor leiteiro, composto por esses 6 milhões de brasileiros, em sua maioria pequenos?

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Autor: Rui Alberto Wolfart (foto acima)

 

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Opinião

Tempos de pandemia: Nem tudo se pode, pois nem tudo convém

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Por: José Valdeci Cardoso

A pandemia é perturbadora. É um fantasma que assombra, pelo risco que representa a doença, pelo fato de ser acometido por ela e por suas consequências nefastas.

O espectro da Covid-19 também assombra pela crise econômica que provoca, pela quebra de renda, pelo pesadelo do desemprego, pela sensação (talvez, pela certeza) de que o mundo não será mais o mesmo.

Há outros incômodos: A máscara, que parece sufocar. O isolamento social que se impõe como prisão domiciliar. O toque de recolher que tira a liberdade.

O fantasma da pandemia trouxe a todos um tempo de exceção. Não há quem aguente tantas restrições. A liberdade a que os brasileiros estão historicamente acostumados parece ser coisa do passado.

Questionamentos não faltam. Afinal, a máscara incomoda e parece sufocar. O isolamento afasta. Os estudantes não podem ir à aula, os esportistas não podem jogar seu futebol. O toque de recolher passa a impressão de clima de guerra, de opressão.

E o que falar do “absurdo” da “lei seca” nos restaurantes?

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Na verdade, há uma grande diferença entre o que se quer fazer e o que convém fazer.

Seria conveniente permitir consumo de bebidas alcoólicas nos restaurantes e, assim, motivar a permanência de pessoas num local em detrimento aos bares que devem ficar fechados?

Também seria conveniente que a demora de uns nos restaurantes em razão do consumo de cervejas e vinhos impedisse que outros tivessem acesso aos serviços do estabelecimento?

Seria conveniente, a despeito dos riscos, que grupos de pessoas se reunissem na Avenida Brasil, aglomerando-se a céu aberto?

Seria conveniente não usar máscaras por causa do desconforto?

Seria conveniente abandonar o distanciamento social e, alheio ao assombro da pandemia, correr riscos?

Seria conveniente entrar na ‘conversa’ da teoria da conspiração e ignorar as normas impostas sob a justificativa de que as autoridades sanitárias da OMS, do país, estado e município querem impor seus autoritarismos goela abaixo da população?

Por fim, seria conveniente ignorar as precauções e, assim, abrir a possibilidade da pandemia esticar sua tenebrosa ocorrência? E, por força disso, se alongar a quarentena, provocar novo fechamento de empresas, ampliar o número de casos e óbitos?

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Há algo que convém mais do que apressar o fim desta pandemia, ainda que se sacrificando a liberdade e o conforto social?

Há algo mais desejável que exorcizar o fantasma da Covid-19, retomar o curso normal da economia e recuperar empregos perdidos?

Afinal, o que mais convém nestes tempos medonhos de pandemia? O que se quer fazer ou o que convém fazer?

Que tal perguntar ao “fantasma”?

 

(*) O autor é cientista de dados e professor de informática.

 

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