TANGARÁ DA SERRA
Pesquisar
Close this search box.

Agronegócio & Produção

A MP do “fim do mundo”, mais confinamento, meio ambiente e entrevistas são destaques

Publicado em

O Momento Agrícola deste sábado (08.06) repercute as principais notícias da semana ligadas ao Agro – entre elas a Medida Provisória “do fim do mundo” -, a projeção de 7,39 milhões de bovinos confinados no Brasil em 2024, o Biodiesel nos Estados Unidos e a greve dos professores.

De autoria do produtor rural, agrônomo e consultor Ricardo Arioli, o Momento Agrícola é um programa veiculado aos sábados pela rede de rádios do Agro – entre elas a Enfoque Rádio Web – e repercutido em forma de notícias e com podcast Soundcloud pelo Enfoque Business, também aos finais de semana.

MP do fim do mundo

Medida Provisória 1227, que limita a compensação de créditos das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, paralisou as negociações de soja no mercado local na quarta-feira (05) e tem mobilizado produtores agropecuários, segmento que tem sido apontado como o mais atingido pela proposta.

Polêmica da MP 1227 deverá movimentar Brasília na próxima semana.

A MP é uma tentativa do governo de compensar o impacto fiscal da prorrogação da desoneração da folha de pagamentos de 17 setores da economia e da contribuição previdênciária de municípios menores. Com a medida, o governo quer arrecadar cerca de 50 bilhões de reais por ano, a partir de 2025.

A Abag (Associação Brasileira do Agronegócio) destacou, em nota, o impacto nos “recursos financeiros das companhias, ampliando custos e reduzindo a rentabilidade de toda a cadeia do agro”. Além disso, as entidades tem apontado o possível impacto inflacionário da medida, com o repasse do novo custo para o preço dos produtos agrícolas.

Embora o agro seja o setor mais atingido pela proposta, a abrangência da medida preocupa o setor produtivo como um todo. O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Ricardo Alban, interrompeu a participação na comitiva oficial do governo brasileiro em visita à Arábia Saudita e à China e antecipou a volta ao Brasil. “Chegamos ao nosso limite. Nós somos um vetor fundamental para o desenvolvimento do país e vamos às últimas consequências jurídicas e políticas para defender a indústria no Brasil”, afirmou em nota.

O Congresso cogita devolver a MP 1227 ao governo. Tudo indica que haverá embates entre governo, Congresso e setor produtivo mais intensos na próxima semana.

Confinamento maior

O negócio de Ruminantes da dsm-firmenich, detentora das marcas Tortuga de suplementos nutricionais para animais e FarmTell de softwares de gestão de fazendas, anunciou importantes dados no setor de confinamento de bovinos de corte, como o censo de intenção para 2024.

De acordo com o vice-presidente de Nutrição e Saúde Animal para a América Latina da dsm-firmenich, Luiz Magalhães, o censo de confinamento tem como objetivos identificar a tendência de confinamento no Brasil, calcular o número de bois confinados no Brasil, estabelecer um planejamento estratégico para melhorar a gestão e aumentar a segurança alimentar e a qualidade do produto.

Censo de Confinamento projeta 7,379 milhões de bovinos confinados em 2024

Outras

Ricardo Arioli comenta, ainda, algumas notícias ligadas ao meio ambiente e que foram destaque no mundo. As enchentes na Alemanha, mais petróleo no Brasil, a Olimpíada sem Carne, e o metano do boi que “agora é bom”, estão entre as abordagens no segundo bloco.

Nos dois últimos blocos há entrevistas sob os temas “De Olho no Material Escolar”, com Letícia Jacintho, e “Os riscos do transporte no Brasil”, com Bruno Batista, da CNT.

Para ouvir o Momento Agrícola na íntegra, clique no podcast abaixo ou acesse a Enfoque Rádio Web, na parte superior da página deste site. O programa vai ao ar aos sábados, a partir das 07h00, com reprise aos domingos, no mesmo horário.

Comentários Facebook
Advertisement

Agronegócio & Produção

Entre o clima atípico e a soberania dos insumos: os desafios do agro em Mato Grosso

Published

on

O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.

Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.  

Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão

Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.

A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.

Fertilizantes: dependência que preocupa

Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.

A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.

Soberania vs. custo imediato

O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.

Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.

(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo:

Comentários Facebook
Continue Reading

Envie sua sugestão

Clique no botão abaixo e envie sua sugestão para nossa equipe de redação
SUGESTÃO

Empresas & Produtos

Economia & Mercado

Contábil & Tributário

Governo & Legislação

Profissionais & Tecnologias

Mais Lidas da Semana