Tangará da Serra foi brindada ontem, dia 13, na data do seu aniversário de emancipação, com uma chuva que variou entre 60 e 112 milímetros na área urbana e no interior. Segundo os sites de meteorologia, há previsão de chuvas também para a semana que vem.
A chuva de ontem começou com pancadas isoladas em várias localidades da zona rural. Na cidade, a precipitação começou quando já escurecia e perdurou por toda a noite a na madrugada.
Segundo informações do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae), ontem a chuva somou 61 milímetros de volume acumulado na área da Estação de Captação, Tratamento e Distribuição de Água (ETA Queima Pé).
No interior, as chuvas superaram a marca dos 100 milímetros. Na Agrovila 28, um sitiante informou ao Enfoque Business que o volume de chuva chegara a 88 milímetros. Perto dali, no entorno do rio Juba, outro produtor relatou que houve 112 milímetros de chuva. “Foi muita chuva, e foi geral. Liguei para um parente em Cáceres no momento da chuva e ele me disse que lá também chovia forte”, informou, em contato com a redação do EB.
Novas chuvas poderão ocorrer semana que vem, segundo sites especializados.
As chuvas de ontem ocorreram simultaneamente em grande parte da metade sul de Mato Grosso. Rondonópolis (sudeste), na Baixada Cuiabana e na região oeste também houve precipitações em bons volumes.
A previsão para esta quinta-feira (14) é de tempo instável, conforme os sites especializados Clima Tempo, Cptec/Inpe e Inmet. Em Tangará da Serra, as temperaturas podem chegar à máxima de 31 graus entre hoje e amanhã. A mínima não deve baixar dos 19 graus à noite e na próxima madrugada.
Segundo os sites de meteorologia, há possibilidade de novas chuvas a partir do dia 18, segunda-feira, com picos de volume no dia 22. A previsão é extensiva para as regiões da Baixada Cuiabana e de Rondonópolis. Após esta data, as temperaturas poderão sofrer quedas significativas.
O leite é um dos alimentos mais antigos incorporados à alimentação humana e acompanha a própria evolução das sociedades. Seu consumo começou há milhares de anos, ainda no período Neolítico, quando os seres humanos passaram a domesticar animais e a desenvolver formas mais permanentes de produção de alimentos.
Vestígios arqueológicos encontrados em antigas cerâmicas indicam que o consumo de leite e de seus derivados já fazia parte da vida de comunidades do Oriente Médio e de outras regiões do Crescente Fértil há pelo menos 10 mil anos. A criação de ovelhas, cabras e bovinos ampliou as possibilidades de aproveitamento dos animais, incorporando o leite à alimentação cotidiana.
Em Tangará da Serra, o leite também representa uma importante atividade da agricultura familiar. Além do produto in natura, a produção leiteira dá origem a uma variedade de alimentos de grande aceitação no mercado, como queijos, requeijões, doces, nata e outros derivados.
Na Feira do Produtor do Centro, o leite está entre os produtos procurados pelos consumidores. Vendido in natura, chega à feira em quantidade considerável e, segundo os próprios feirantes, costuma ter boa procura. Os derivados também conquistam espaço entre os consumidores.
Um dos feirantes que comercializa leite e derivados é Valdeci Ferraz Aquino (na foto abaixo, em seu box), presidente da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet). Ele confirma a procura pelo produto.
“Se o consumidor não chegar cedo, pode ficar sem o leite, porque vende muito bem”, revela.
Entre as principais regiões produtoras de leite do município estão a Linha 12, Córrego das Pedras, Acampamento e Gleba Bandeirantes. O rebanho leiteiro é formado principalmente por animais da raça Girolando, conhecida pela aptidão para a produção de leite e pela adaptação às condições climáticas brasileiras.
Benefícios
O leite e seus derivados integram um grupo de alimentos de importante valor nutricional. São fontes de proteínas e cálcio e também fornecem minerais como fósforo e potássio, além de vitaminas.
O cálcio presente nos alimentos lácteos apresenta elevada biodisponibilidade, o que significa que pode ser bem aproveitado pelo organismo. Por isso, o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação associada à manutenção da saúde óssea e ao fornecimento de proteínas importantes para a formação e manutenção da massa muscular.
A quantidade e a frequência adequadas de consumo, entretanto, variam conforme a idade, as necessidades nutricionais e as condições individuais de cada pessoa.
A “cachorrada”
O leite faz parte da alimentação de muitas pessoas desde a infância. Por isso, também está presente em lembranças, histórias e tradições familiares. É o caso de Valdeci Ferraz Aquino, que transformou uma lembrança da infância em um dos produtos que hoje comercializa na feira.
Era 1969. Valdeci ainda era criança e acompanhava os pais, Dona Noemi e ‘Seo’ Juanir, na rotina da propriedade rural da família, no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.
Numa manhã, Dona Noemi colocou para ferver uma grande panela de leite recém-ordenhado das vacas da propriedade. Naquele dia, porém, algo saiu diferente do esperado: o leite coalhou.
Para não desperdiçar o produto, Dona Noemi acrescentou açúcar à coalhada e improvisou um doce. O que poderia ter sido apenas uma solução para aproveitar o leite acabou se transformando em uma tradição culinária da família.
Quando voltou da lida, Juanir entrou na cozinha e pediu leite para beber. A resposta da esposa foi direta: “Coalhou!”
Frustrado, Juanir reagiu: “Que cachorrada!”
E o nome ficou.
Décadas depois, a “cachorrada” é um dos produtos comercializados por Valdeci e sua esposa, Dª Cleide, no Box 81 da Feira do Produtor do Centro. Semelhante à ambrosia, mas preparada sem a adição de ovos, o doce mantém a receita que nasceu de uma situação corriqueira na propriedade da família e hoje desperta a curiosidade e o paladar dos frequentadores da feira.
Morador da localidade do Acampamento, Valdeci também oferece leite de vaca, queijo, doce pastoso, doce em cubos e nata.
Assim, entre o leite que chega fresco à banca e os produtos que carregam receitas transmitidas ao longo do tempo, a feira preserva não apenas uma tradição alimentar, mas também um pouco da memória de quem vive da produção rural.