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Infraestrutura & Logística

Aeroporto de Tangará avança em obras e pode se tornar hub regional, diz Pivetta

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Governador defende ampliação da conectividade aérea e aponta perspectiva de voos regionais; obras de readequação do terminal devem ser concluídas em novembro

O Aeroporto Regional Joaquim Aderaldo de Souza (SWTS), de Tangará da Serra, passa por obras de readequação estrutural que, segundo o governador Otaviano Pivetta, poderão preparar a unidade para assumir uma função de maior alcance na aviação regional.

Ao responder, em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (10,09), sobre o futuro do aeroporto, Pivetta defendeu a transformação da unidade em referência logística, com oferta de voos para outras cidades. “A tendência é este aeroporto do município se transformar num hub regional”, afirmou.

Ao lado do prefeito de Tangará da Serra, Vander Masson, o governador declarou que o Estado pretende atuar politicamente junto ao governo federal para ressaltar a importância econômica de Tangará da Serra e da região e ampliar a conectividade aérea. Pivetta disse acreditar que a cidade poderá ter voos regionais em breve, seguindo o exemplo de outras regiões de Mato Grosso.

Obras avançam no aeroporto

O Aeroporto Joaquim Aderaldo de Souza está passando por um conjunto de intervenções na infraestrutura. A pista, com 1.500 metros de extensão por 30 metros de largura, está sendo recapeada.

Também estão em execução obras na área de taxiway, no pátio de aeronaves, além de serviços de drenagem e sinalização.

Segundo o engenheiro responsável pela execução, João Victor Carvalho, da Guaxe Construtora, a previsão é que os trabalhos sejam concluídos em novembro.

Recapeamento da pista está em fase final. Entrega do pacote de obras está prevista para novembro.

Os investimentos somam R$ 9,3 milhões, com recursos do Governo de Mato Grosso e contrapartida do município – que ampliou e regularizou a área da unidade aeroportuária.

Após a conclusão dessa etapa, o aeroporto deverá receber ainda obras de balizamento, previstas em outro contrato firmado pelo Governo do Estado.

Para Pivetta, o conjunto de intervenções deverá melhorar as condições de pouso e decolagem e preparar o aeroporto para receber aeronaves de maior porte utilizadas em operações regionais.

Aeroporto integra concessão de Brasília

Além das obras físicas, o futuro do aeroporto está relacionado ao novo modelo de concessão do Aeroporto Internacional de Brasília. As informações foram prestadas pelo prefeito Vander Masson, na mesma entrevista coletiva em que estava o governador.

“Tangará da Serra foi incluída, junto com outros nove aeroportos regionais, no processo de repactuação da concessão de Brasília, dentro do Programa AmpliAR”, disse o gestor municipal, acrescentando que o leilão está previsto para 17 de dezembro de 2026.

Governador Otaviano Pivetta vistoriou as obras, ao lado do prefeito Vander Masson e demais autoridades locais e estaduais.

O pacote inclui, além de Tangará, os aeroportos de Juína e Cáceres, em Mato Grosso; Alto Paraíso de Goiás, Barreiras, Bonito, Dourados, Ponta Grossa, Três Lagoas e São Miguel do Araguaia.

A proposta prevê investimentos de aproximadamente R$ 857,8 milhões nos dez aeroportos regionais, destinados à expansão, manutenção e operação das unidades. O valor ainda poderá ser ajustado após uma etapa de diagnóstico inicial, que deverá avaliar as condições físicas e fundiárias de cada aeroporto.

No Aeroporto de Brasília, a previsão é de investimentos de aproximadamente R$ 1,2 bilhão, incluindo a construção de um novo terminal internacional.

Hub depende de infraestrutura e operação

A transformação do aeroporto de Tangará da Serra em um hub regional, portanto, envolve duas frentes distintas: a conclusão das obras de infraestrutura e a definição do modelo de operação que será adotado após a nova concessão.

A melhoria da pista, taxiway, pátio, drenagem, sinalização e, posteriormente, do balizamento amplia a capacidade física da unidade. A efetiva oferta de voos, por outro lado, dependerá da operação aeroportuária e da existência de demanda comercial que sustente novas rotas.

A perspectiva apresentada pelo governador coloca o aeroporto como uma das estruturas que poderão ampliar a integração de Tangará da Serra com outras regiões, especialmente em uma área de forte atividade econômica e circulação de empresas, produtores, investidores e prestadores de serviços.

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Infraestrutura & Logística

Ex-ministro Cabrera defende ferrovias para reduzir custos e emissões no agronegócio

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Em participação na BandNews, ex-ministro critica dependência brasileira dos caminhões, compara custos e aponta Ferrogrão e Ferroeste como projetos estratégicos para a competitividade e a sustentabilidade do campo

O Brasil precisa transferir parte significativa das cargas de longa distância das rodovias para as ferrovias para reduzir custos logísticos, recuperar competitividade no agronegócio e diminuir as emissões de gases de efeito estufa. A avaliação é do ex-ministro da Agricultura e colunista da BandNews Antônio Cabrera, em entrevista concedida durante visita, em agosto, ao terminal ferroviário da Ferroeste, em Cascavel, no Paraná.

Antônio Cabrera esteve em Tangará da Serra no ano passado, durante a Exposerra, como um dos palestrantes da 5ª Semana da Inovação de Mato Grosso. Na ocasião, ministrou a palestra “Visão Global do Agronegócio”.

(Veja link/matéria relacionada ao final do texto)

Durante a visita ao terminal, Cabrera mostrou o funcionamento do transbordo de cargas. A soja chega de caminhão, é transferida para os vagões e segue de trem até o Porto de Paranaguá. Segundo ele, o terminal movimenta cerca de 1,2 mil caminhões por dia, com cargas que podem percorrer até 600 quilômetros antes de chegar à estrutura ferroviária.

A dimensão do percurso ajuda a explicar, na avaliação do ex-ministro, o impacto da logística sobre o custo final da produção. Para transportar uma tonelada por mil quilômetros, o custo médio seria de aproximadamente R$ 150 pelo modal rodoviário, contra R$ 80 pela ferrovia.

A diferença, segundo Cabrera, compromete a competitividade do produtor brasileiro não necessariamente dentro da porteira, mas no deslocamento da produção, dos alimentos e dos insumos.

“O problema do Brasil é utilizar o caminhão em longas distâncias, onde deveríamos estar usando o trilho”, afirmou Cabrera durante a entrevista.

Dependência brasileira é maior que a dos concorrentes

Cabrera também comparou a infraestrutura ferroviária brasileira com a de outros grandes produtores agrícolas. Segundo os números apresentados por ele, o Brasil possui aproximadamente 30 mil quilômetros de ferrovias, dos quais entre 10 mil e 12 mil estariam efetivamente em operação. O restante, conforme explicou, estaria inativo por falta de manutenção ou de cargas.

Cabrera: “O Brasil tem um dos maiores projetos de descarbonização da economia”

Na comparação apresentada pelo ex-ministro, os Estados Unidos possuem cerca de 250 mil quilômetros de ferrovias; a China, 160 mil quilômetros; a Rússia, 90 mil quilômetros; e a Índia, 70 mil quilômetros.

A diferença também aparece na logística da soja. Segundo Cabrera, aproximadamente 55% da soja brasileira que chega aos portos é transportada por caminhões. Nos Estados Unidos, esse percentual seria de apenas 14%, com maior participação das ferrovias e hidrovias.

O caminhão, entretanto, continua tendo papel importante no sistema logístico, especialmente pela flexibilidade e pela capacidade de chegar diretamente às propriedades e regiões sem acesso ferroviário. O problema, na avaliação de Cabrera, está na utilização do modal rodoviário em longas distâncias, o que eleva os custos e torna o sistema mais suscetível a congestionamentos, paralisações e outros gargalos.

Ferrogrão pode aliviar a BR-163

Na entrevista, Cabrera citou a expansão da Ferroeste em direção a Maracaju como uma alternativa para retirar caminhões das rodovias e ampliar o transporte ferroviário até Paranaguá. Também defendeu a implantação da Ferrogrão, projeto de aproximadamente 933 quilômetros destinado ao escoamento da produção agrícola pelo Arco Norte.

O ex-ministro criticou o tempo de discussão em torno da Ferrogrão, que, segundo ele, se estende há cerca de 12 anos, além das disputas judiciais relacionadas a questões ambientais envolvendo o Parque Nacional do Jamanxim.

De acordo com os dados apresentados por Cabrera, o trecho da ferrovia passaria pela margem da unidade de conservação e ocuparia cerca de 0,05% de uma área superior a 850 mil hectares.

Modal ferroviário é mais econômico e menos poluente que o rodoviário.

Para o ex-ministro, a demora na implantação do projeto contrasta com o ritmo de expansão ferroviária de outros países. Como exemplo, citou a China, que, segundo ele, teria construído cerca de 60 mil quilômetros de ferrovias no mesmo período de 12 anos.

A expectativa defendida por Cabrera é que a Ferrogrão possa reduzir entre 20% e 30% o tráfego de caminhões na BR-163. O impacto seria especialmente relevante para Mato Grosso, cuja produção de grãos percorre grandes distâncias até os corredores de exportação.

Além da redução dos custos logísticos, a transferência de parte das cargas para os trilhos poderia diminuir o fluxo de caminhões, o desgaste das rodovias e a pressão sobre o sistema de transporte durante o período de safra.

Infraestrutura também é agenda ambiental

A defesa das ferrovias feita por Cabrera não se limita à questão econômica. O ex-ministro relaciona a mudança da matriz de transporte também à redução das emissões de gases de efeito estufa.

Conforme os números apresentados na entrevista, o transporte rodoviário emitiria cerca de 85% mais dióxidos de carbono do que o ferroviário, além de apresentar custo quase duas vezes maior em determinadas rotas.

Na avaliação de Cabrera, as metas de redução das emissões de carbono precisam estar acompanhadas de investimentos em infraestrutura capazes de produzir resultados concretos. Nesse contexto, a ampliação da Ferroeste e a implantação da Ferrogrão foram apresentadas por ele como projetos que podem contribuir simultaneamente para a eficiência logística e a descarbonização do transporte de cargas.

A mensagem central da entrevista é que a modernização da logística brasileira precisa ser tratada também como uma agenda econômica e ambiental. Para Cabrera, colocar mais cargas sobre os trilhos significa reduzir custos, preservar a competitividade do produtor, aliviar a pressão sobre as rodovias e tornar mais eficiente e sustentável o escoamento da produção brasileira.

(*) Veja matéria relacionada:

Antônio Cabrera, na Exposerra: “O agronegócio precisa saber contar a sua história”

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