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Eleições 2026

Convenções expõem fissuras na centro-direita e acirram disputa em Mato Grosso

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As convenções partidárias realizadas nos últimos dias não apenas definiram as candidaturas para as eleições de outubro, como também evidenciaram divergências entre importantes lideranças do campo da centro-direita em Mato Grosso. As articulações que consolidaram as chapas majoritárias deixaram antigos aliados em posições distintas e revelaram disputas por espaço político dentro do bloco governista.

Um dos principais movimentos ocorreu no União Brasil. O senador Jayme Campos acabou derrotado nas articulações internas que definiram o apoio da legenda à candidatura à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Com isso, ficaram consolidados os nomes do deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) para a vice-governadoria e do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) para uma das vagas ao Senado, enquanto a segunda candidatura ao Senado ficou com a senadora Margareth Buzetti (PP).

Jayme Campos: Preterido no grupo governista, senador apoiará Fagundes e Janaína.

A decisão marcou um revés para Jayme Campos, uma das mais tradicionais lideranças políticas de Mato Grosso. Aos 74 anos, o senador acumula passagens pelos extintos PFL e Democratas — partidos que deram origem ao DEM, posteriormente incorporado ao União Brasil — além dos cargos de prefeito de Várzea Grande, governador do Estado e senador da República.

Após ficar fora da composição majoritária, Jayme anunciou apoio à candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) ao Governo do Estado e à deputada estadual Janaina Riva (MDB) para o Senado, movimento que evidenciou o distanciamento em relação ao grupo político liderado por Mauro Mendes.

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Outra frente de tensão envolve o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (Podemos). O partido participou das negociações com o grupo de Pivetta e também manteve conversas com o PL, mas permaneceu sem definição ao término da convenção realizada na terça-feira.

Max Russi: “Sou líder do processo, mas não dono da decisão”.

Inicialmente, o Podemos chegou a discutir a possibilidade de lançar candidatura própria ao Governo do Estado. No entanto, a legenda optou por manter abertas as negociações antes de definir eventual aliança.

Ao final da convenção, Russi afirmou que a decisão será construída coletivamente e que o partido pretende concluir as articulações dentro do prazo legal para registro das atas. “Sou líder do processo, mas não dono da decisão”, declarou o parlamentar.

Segundo ele, o partido avalia diferentes cenários, buscando uma composição que preserve sua representatividade política.

Nos bastidores, o União Brasil e o Republicanos ainda admitem a participação do Podemos na coligação, embora os espaços disponíveis tenham se reduzido após a definição das chapas majoritárias. Uma das alternativas discutidas é a indicação de um nome para a suplência de Mauro Mendes ao Senado, além da possibilidade de participação na estrutura administrativa em caso de vitória de Pivetta.

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Paralelamente, Max Russi mantém diálogo com Wellington Fagundes, o que mantém aberta a possibilidade de composição com a chapa liderada pelo Partido Liberal.

Independentemente da decisão final, o Podemos tornou-se uma das peças centrais das articulações desta reta final das convenções. Caso não alcance entendimento com nenhum dos dois blocos, a legenda poderá seguir sem alinhamento na disputa majoritária, concentrando esforços na eleição proporcional. O partido homologou 34 candidaturas para 2026, sendo 25 para a Assembleia Legislativa e nove para a Câmara dos Deputados.

Definições das chapas

Pelo grupo governista, Otaviano Pivetta (Republicanos) disputará a reeleição tendo Fábio Garcia (União Brasil) como candidato a vice-governador. A chapa ao Senado será formada por Mauro Mendes (União Brasil) e Margareth Buzetti (PP).

No campo oposicionista de centro-direita, Wellington Fagundes (PL) terá Marcelo Malouf (Novo) como candidato a vice-governador. Para o Senado, a coligação reunirá José Medeiros (PL) e Janaina Riva (MDB).

MDB oficializa apoio

Também nesta terça-feira, o MDB homologou, em convenção realizada na Musiva, em Cuiabá, a candidatura de Janaina Riva ao Senado e oficializou apoio à candidatura de Wellington Fagundes ao Governo do Estado. O evento contou com a presença de Jayme Campos, que reafirmou apoio tanto à parlamentar quanto ao candidato do PL.

Nas chapas proporcionais, o MDB confirmou nomes como Eduardo Botelho, Jéssica Riva, Léo Bortolin, Dr. João e Thiago Silva para a disputa por vagas na Assembleia Legislativa.

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Eleições 2026

Economia ainda pode decidir, mas política apertou a disputa entre Lula e Flávio

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Pesquisas divulgadas em setembro mostram mudança importante em relação ao cenário descrito pela BBC no fim de agosto, quando fundador do instituto Ideia apontava economia como principal fator de decisão do eleitorado ainda indeciso

Há pouco mais de três semanas, uma análise publicada pela BBC News Brasil colocava a economia no centro da disputa pela Presidência da República. Em entrevista publicada em 28 de agosto, Maurício Moura, doutor em Economia e Política e fundador do instituto Ideia, avaliava que as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, dificilmente seriam determinantes para a eleição. Na avaliação do pesquisador, o fator capaz de movimentar o eleitorado ainda disponível para Lula e Flávio Bolsonaro seria principalmente a situação econômica das famílias.

Naquele momento, segundo o agregador de pesquisas citado pela BBC, Lula aparecia com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 34% de Flávio. Em uma simulação de segundo turno, o presidente tinha 45%, ante 43% do senador.

O cenário mudou nas semanas seguintes.

As pesquisas divulgadas entre 14 e 17 de setembro passaram a mostrar uma disputa muito mais equilibrada entre os dois principais nomes. Na Quaest, divulgada no dia 14, Flávio apareceu numericamente à frente de Lula pela primeira vez naquele levantamento, com 42% contra 40% em um eventual segundo turno. Como a margem de erro era de dois pontos percentuais, o resultado configurava empate técnico.

Na rodada mais recente da AtlasIntel/Bloomberg, divulgada em 17 de setembro, a diferença ficou ainda menor: Flávio registrou 47,2%, contra 46,8% de Lula. A margem de erro é de um ponto percentual, o que também caracteriza empate técnico. Na pesquisa anterior do mesmo instituto, Flávio tinha 46,4% e Lula, 46,2%.

Flávio Bolsonaro reagiu e aparece à frente de Lula em algumas sondagens.

A Futura Inteligência encontrou uma diferença maior, com Flávio em 48,1% e Lula em 43,7%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, mantendo os dois dentro de uma situação de proximidade estatística.

Já o levantamento do Gerp, divulgado no mesmo dia, apresentou a maior distância entre os dois nos levantamentos recentes: 50% para Flávio e 43% para Lula em um eventual segundo turno. A pesquisa ouviu 2.400 eleitores entre 14 e 16 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

O Datafolha, porém, apresentou um quadro diferente. Lula manteve 46% e Flávio 44%, exatamente os mesmos números da rodada anterior. Com margem de erro de dois pontos, o resultado também representa empate técnico.

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Portanto, mais do que uma virada eleitoral já consolidada, o conjunto dos levantamentos aponta para uma redução significativa da distância entre os dois candidatos e um cenário de elevada competitividade no segundo turno. Há pesquisas nas quais Flávio aparece numericamente à frente e outras nas quais Lula mantém a liderança, enquanto os resultados, em geral, permanecem próximos das respectivas margens de erro.

O que mudou em três semanas?

É justamente nesse ponto que a análise feita por Maurício Moura em agosto ganha novo interesse.

O pesquisador não dizia que acontecimentos políticos seriam irrelevantes. Sua hipótese era que, entre os eleitores ainda indecisos ou dispostos a mudar de voto, questões diretamente relacionadas à vida econômica — renda, endividamento, custo de vida e capacidade de fechar as contas no fim do mês — teriam peso maior do que os episódios políticos que dominam as redes sociais e os grupos mais politizados.

O eleitorado descrito por Moura tinha características específicas: mulheres, principalmente das regiões metropolitanas do Sudeste, com renda entre dois e cinco salários mínimos, endividadas e com perfil conservador, mas pouco envolvidas com a disputa política cotidiana.

Lula tenta encontrar uma fórmula de reduzir rejeição e mitigar os impactos negativos da economia sobre o eleitorado.

A pergunta que o novo quadro eleitoral coloca, portanto, é outra: o que está provocando a aproximação numérica entre os dois candidatos?

Há pelo menos duas explicações que não são necessariamente excludentes.

Uma delas está relacionada à política e à polarização. Os levantamentos mais recentes foram realizados em meio a uma sucessão de acontecimentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal, o governo federal e as campanhas eleitorais. A própria AtlasIntel/Bloomberg registrou, em sua pesquisa, que 49,5% dos entrevistados consideravam que a crise envolvendo o STF prejudicava mais Lula.

A outra explicação está na economia — exatamente o campo apontado por Moura.

A percepção da economia não necessariamente acompanha os indicadores macroeconômicos. Emprego, inflação e crescimento podem apresentar resultados diferentes da percepção que o cidadão tem quando vai ao supermercado, paga uma prestação, abastece o carro ou fecha as contas do mês.

Essa diferença entre a economia medida pelos indicadores e a economia percebida pelas famílias costuma ter importância eleitoral porque é no orçamento doméstico que a situação econômica se transforma em experiência concreta.

Um eleitorado menos previsível

Os dados do próprio Datafolha mostram como os fatores econômicos e políticos podem se combinar.

Entre os beneficiários do Bolsa Família, Lula aparece com 53% das intenções de voto no primeiro turno, contra 28% de Flávio. Entre os eleitores que não recebem o benefício, Flávio registra 37%, contra 36% de Lula. No segundo turno, entre os beneficiários, Lula chega a 60%, contra 33% de Flávio.

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O dado também precisa ser observado à luz do calendário: a pesquisa foi realizada antes do anúncio, em 17 de setembro, do reajuste de 15,04% no Bolsa Família, que elevará o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro.

Isso acrescenta outra variável à equação econômica da eleição.

Se a hipótese de Moura estiver correta, a percepção das condições materiais de vida continuará sendo relevante para o eleitor que ainda não consolidou sua escolha. Mas isso não significa que denúncias, crises institucionais, identidade ideológica ou rejeição aos candidatos deixem de exercer influência.

A própria disputa atual mostra que os fatores se sobrepõem.

Uma eleição ainda em aberto

O contraste entre 28 de agosto e 17 de setembro é, portanto, mais interessante do que uma simples comparação entre quem estava na frente e quem está numericamente à frente agora.

Há três semanas, Lula aparecia com vantagem no segundo turno nas referências utilizadas pela BBC. Agora, diferentes pesquisas mostram empate técnico ou vantagem numérica de Flávio, enquanto o Datafolha mantém Lula dois pontos à frente, também dentro da margem de erro.

A AtlasIntel/Bloomberg registra 47,2% para Flávio e 46,8% para Lula; a Quaest, 42% a 40%; a Futura, 48,1% a 43,7%; o Gerp, 50% a 43%; e o Datafolha, 46% a 44%.

Os números não autorizam, portanto, afirmar que a eleição já tenha mudado definitivamente de mãos. Mas permitem afirmar que o cenário descrito no final de agosto já não é o mesmo.

A questão deixada pela análise de Maurício Moura permanece atual, mas agora ganha uma dimensão adicional: se a economia continua sendo capaz de decidir o voto dos eleitores menos engajados politicamente, será preciso observar se a percepção econômica das famílias está mudando — e em que direção.

A pouco mais de um mês do segundo turno, caso ele se confirme, ainda há tempo para que economia, política, rejeição e acontecimentos de campanha produzam novos movimentos.

Por enquanto, o dado mais objetivo é outro: a distância entre Lula e Flávio diminuiu e a disputa, que em agosto apresentava vantagem mais clara para o presidente nas pesquisas citadas pela BBC, chegou a setembro em situação de empate técnico em boa parte dos levantamentos.

E isso recoloca a economia no centro da discussão, mas sem retirar da política o papel que ela passou a exercer sobre o eleitorado nas últimas semanas.

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