A modernização acelerada da agricultura mato-grossense trouxe um novo desafio para um setor essencial na economia estadual: encontrar trabalhadores qualificados para operar máquinas, lidar com novas tecnologias e atender às exigências das propriedades rurais.
Pesquisa divulgada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), mostra que 62,62% dos produtores enfrentam alta dificuldade para contratar funcionários.
O levantamento, apresentado durante o Fórum dos Setores Produtivos da 58ª Expoagro, ouviu 415 produtores de 87 municípios mato-grossenses e revelou um mercado de trabalho pressionado pela rápida transformação tecnológica do campo. Outros 30,34% classificaram a dificuldade de contratação como média, enquanto apenas 7,04% relataram enfrentar poucos obstáculos para preencher vagas.

Realidade atual mostra um mercado de trabalho pressionado pela rápida transformação tecnológica do campo. (Imagem: IA)
A principal barreira apontada pelos produtores é a falta de qualificação técnica, mencionada por 69,16% dos entrevistados. Também aparecem entre os entraves a incompatibilidade entre o perfil dos candidatos e as exigências das funções, citada por 23,37%, além das dificuldades relacionadas à permanência dos trabalhadores nos cargos, mencionada por 17,83%.
Novo cenário
Os números refletem a transformação vivida pelo agronegócio estadual. Com propriedades cada vez mais mecanizadas e conectadas, o perfil profissional exigido mudou. Atualmente, 98,53% das fazendas participantes da pesquisa possuem acesso à internet, e a cobertura integral das áreas produtivas mais que dobrou em comparação a 2023, passando de 9,97% para 20,45%.
Segundo o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, o cenário representa tanto um desafio para os produtores quanto uma oportunidade para quem busca ingressar no mercado de trabalho.
“Quando mais de 60% dos produtores relatam alta dificuldade para contratar, o dado acende um alerta, mas também mostra que existe espaço para quem estiver preparado. A agricultura e as profissões do campo mudaram”, afirmou.
A pesquisa contabilizou 6.814 trabalhadores fixos nas propriedades analisadas, com mediana de seis funcionários por estabelecimento rural. Embora a demanda exista, a intenção de ampliar os quadros permanece limitada: 76,39% dos produtores afirmaram não pretender contratar novos colaboradores nas próximas três safras. Entre aqueles que planejam expandir as equipes, os principais motivos são o aumento da área cultivada e a necessidade de elevar a produtividade.
Nesse contexto, a qualificação profissional ganha papel estratégico. O Senar-MT oferece atualmente 278 cursos gratuitos em áreas como agricultura, pecuária, agroindústria, gestão e segurança do trabalho. Apenas no primeiro semestre deste ano, foram promovidas 7.129 ações de capacitação, alcançando cerca de 67,5 mil participantes.
Na área de mecanização agrícola — justamente a mais demandada pelo setor — foram realizados 2.034 cursos, capacitando mais de 11 mil pessoas em 55,2 mil horas de treinamento.
(Foto principal: Projeto Mapeamento de Indicadores – IMEA/SENAR)