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Momento Agrícola

Donald Trump, a resistência europeia e o futuro do Agro em 2026 são os destaques

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Na sua terceira edição de 2026, o programa Momento Agrícola mergulha nas águas turbulentas da geopolítica mundial. Sob o comando do produtor rural e agrônomo Ricardo Arioli, o destaque fica para o novo “tarifaço” de Donald Trump e o histórico desfecho do acordo Mercosul-UE.

Trump: Retaliação política em forma de tarifaço.

A sombra de Trump e o dilema do Irã

O cenário internacional estremeceu esta semana com as novas ameaças de Donald Trump. O presidente americano sinalizou a imposição de tarifas severas contra países que mantiverem relações comerciais com o Irã — nação que enfrenta uma crise interna profunda e repressão violenta.

Para o Brasil, o problema é pragmático e bilionário:

  • Balança Favorável: O Irã é um dos cinco maiores parceiros do Brasil no Oriente Médio, com exportações que beiram os US$ 3 bilhões.
  • Dependência de Insumos: Entre 17% e 20% da ureia usada nas nossas lavouras vem do solo persa. Com o Brasil importando 80% dos seus fertilizantes, qualquer sanção americana que interrompa esse fluxo pode inflacionar o custo de produção da nossa safra.
Leia mais:  Agro enfrenta pressão no crédito, enquanto mercado da carne muda de direção

O “esperneio” europeu

Enquanto isso, na Europa, o clima é de inconformismo. Cerca de 350 tratores invadiram as avenidas de Paris em direção ao Parlamento. Os produtores franceses tentam, num esforço de última hora, barrar a ratificação do acordo Mercosul-UE.

O medo é simples: competitividade. O produto sul-americano entrega escala, preço e qualidade que o protecionismo europeu não consegue flanquear. Apesar dos protestos, o caminho parece sem volta: a assinatura oficial ocorre este sábado, em Assunção, selando a criação da maior zona de livre comércio do planeta, abrangendo 720 milhões de pessoas.

Reflexões e Análises: O que esperar de 2026?

Além do giro de notícias – que inclui o sinal de alerta no Agro sobre o aumento dos pedidos de recuperações judiciais no campo -, esta edição traz entrevistas exclusivas com especialistas que ajudam a desenhar o mapa do setor para este ano:

Dez Temas para o Agro em 2026: Um diálogo estratégico com Enilson Nogueira (Céleres) sobre as tendências que vão ditar o ritmo das fazendas.

Bastidores do Acordo: Uma análise técnica de Fernando Pimentel (Agrosecurity) sobre os impactos reais da união Mercosul-UE.

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Ouça agora

Produzido por Ricardo Arioli, o Momento Agrícola vai ao ar todos os sábados pela rede de rádios do Agro e está disponível em formato de podcast no portal Enfoque Business.

Clique AQUI para ouvir o Podcast na íntegra.

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Momento Agrícola

Agro enfrenta pressão no crédito, enquanto mercado da carne muda de direção

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O produtor rural brasileiro enfrenta um momento delicado e vivenciou uma semana de decisões difíceis. O custo do dinheiro, o endividamento e a demora na renegociação de dívidas limitam o acesso ao Plano Safra justamente no período em que é preciso financiar a implantação das lavouras. Ao mesmo tempo, o mercado da carne passa por uma mudança de configuração: União Europeia e China perdem espaço relativo, enquanto os Estados Unidos aparecem como novo destino estratégico.

Na avaliação do consultor, engenheiro agrônomo e produtor rural Ricardo Arioli, em seu programa de rádio semanal “Momento Agrícola”, a dificuldade não está apenas no volume de recursos anunciado, mas na capacidade de o produtor acessar o crédito em tempo hábil. A burocracia, as exigências bancárias e o passivo acumulado reduzem a margem de manobra de quem precisa comprar insumos, reorganizar o fluxo de caixa e decidir quanto plantar.

A renegociação das dívidas é, hoje, um dos temas centrais do setor produtivo. Sem condições claras e operacionais para repactuar débitos, produtores permanecem com restrições que dificultam novos financiamentos. O risco é que a falta de capital provoque cortes na adubação, reduza investimentos em tecnologia e comprometa a produtividade da próxima safra. O calendário agrícola, porém, não acompanha a velocidade das negociações financeiras.

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Na pecuária, a entrada dos Estados Unidos entre os mercados relevantes da carne brasileira amplia as alternativas comerciais. A diversificação pode reduzir a dependência de poucos compradores e abrir espaço para novas estratégias de exportação, mas também exige atenção a requisitos sanitários, qualidade, logística e regularidade de fornecimento. A mudança de destinos ocorre em um ambiente de disputa internacional e de consumidores mais exigentes.

Feijões e pulses

Lavoura com feijão-mungo verde em Tangará da Serra: Mais de 90% da produção é exportada.

No segundo bloco do Momento Agrícola deste sábado, Marcelo Luders, do IBRAFE, destaca as oportunidades de mercado para feijões e pulses — grupo que inclui leguminosas como lentilhas, grão-de-bico e ervilhas. Para aproveitar esse potencial, o setor precisa de informação confiável para orientar decisões de plantio, comercialização e investimento. A proposta de uma campanha para ampliar o consumo interno aparece como caminho para fortalecer a demanda e reduzir a exposição do produtor às oscilações externas.

Biodiesel estratégico

Na sequência, Jerônimo Gorgen, presidente da Aprobio, trata da qualidade do biodiesel e dos efeitos de uma eventual ampliação da mistura ao diesel. O aumento do uso pode criar mercado para matérias-primas agrícolas, contribuir para a redução de emissões e fortalecer a renda dos produtores. A expansão, entretanto, depende de qualidade constante, controle técnico e segurança para toda a cadeia de produção e distribuição.

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Plantio de soja

No último bloco, o professor Rogério Coimbra, especialista em sementes da Universidade Federal de Mato Grosso, chama atenção para ações básicas que determinam o resultado do plantio de soja. A escolha de sementes adequadas, o planejamento da operação, a qualidade da implantação e o cuidado com as condições do solo são decisões que não podem ser tratadas como detalhes. A produtividade começa antes da semeadura e depende da execução correta de cada etapa.

Em conjunto, os quatro blocos mostram um setor pressionado no curto prazo, mas com oportunidades em novos mercados, na bioenergia, nas pulses e na eficiência do plantio. Para o produtor, a prioridade é proteger o caixa, buscar informação e concentrar recursos nas decisões capazes de preservar produtividade e renda.

Ouça o Momento Agrícola na íntegra:

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