Ricardo Arioli comenta algumas das principais notícias da semana, ligadas ao Agro, como a primeira concessão hidroviária do Brasil, na Hidrovia Paraguai-Paraná, no rio que poderia ser o “Mississippi brasileiro”.
Ainda no primeiro bloco, Arioli destaca a mobilização de produtores gaúchos por Securitização e, também, a previsão de quebra de safra na Argentina.
De autoria do produtor rural, agrônomo e consultor Ricardo Arioli, o Momento Agrícola é um programa veiculado aos sábados pela rede de rádios do Agro e repercutido em forma de notícias e com podcast Soundcloud pelo Enfoque Business, também aos finais de semana.
Hidrovia Paraguai-Paraná
O assunto de abertura do Momento Agrícola deste sábado (15.03) é sobre um dos grandes gargalos brasileiros: a logística de transportes.
O Ministério de Portos e Aeroportos e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários iniciaram o processo de concessão à iniciativa privada de 600 quilômetros da Hidrovia Paraguai-Paraná (HPP). O trecho corresponde ao tramo sul do rio Paraguai e será a primeira concessão de hidrovia no Brasil, com investimentos iniciais de R$ 63,8 milhões para modernizações essenciais ao desenvolvimento do transporte aquaviário nacional, garantindo maior segurança à navegação e a redução dos riscos ambientais.
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) agendaram para o dia 10 de abril, em Corumbá (MS), uma audiência pública para ouvir a sociedade antes da publicação do edital de licitação.
Inicialmente, a concessão terá duração de 15 anos, com possibilidade de prorrogação. A iniciativa visa melhorar a logística de transporte aquaviário, reduzir as emissões de gases de efeito estufa e promover maior eficiência no escoamento da produção da região, alinhando-se à agenda de sustentabilidade do país.
Segurança e trafegabilidade
O transporte de cargas no Rio Paraguai, que alcançou 7,95 milhões de toneladas em 2024, pode atingir 30 milhões de toneladas até 2030. Esse crescimento representará uma revolução para o setor logístico, atraindo investimentos privados e fortalecendo a competitividade nacional. Outro ponto importante será a política tarifária, que só cobrará após a entrega das obras da primeira fase. O transporte de passageiros e cargas de pequeno porte permanecerá isento de tarifas.
A concessão também prevê medidas para garantir a navegabilidade do tramo sul da hidrovia durante todo o ano, com especial atenção às estiagens. Será implementado um novo modelo de avaliação hidrológica para mitigar riscos e assegurar a continuidade dos serviços.
Ao todo, o projeto abrange 600 km de extensão, do trecho entre Corumbá e a Foz do Rio Apa (MS), incluindo o Canal do Tamengo.
Manutenção
A concessão também visa garantir serviços de dragagem de manutenção, balizamento e a implementação de sistemas como o Vessel Traffic Service (VTS) e o River Information Service (RIS). Além de melhorar a navegação, a hidrovia contará com um calado de três metros durante o período de chuvas e de dois metros durante a seca, o que garantirá melhor trafegabilidade das embarcações e reduzirá os riscos de encalhes em bancos de areia e de eventuais acidentes ambientais.
Esperança ao norte

Hidrovia Paraguai-Paraná: Importante canal de escoamento das riquezas de Mato Grosso.
Segundo Ricardo Arioli, o rio Paraguai deveria ser o “Mississippi” do Brasil. Porém, a hidrovia Paraguai-Paraná sempre foi travada, primeiro por envolver cinco países – Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai. Segundo, por questões ambientais, já que envolve um bioma importante e único no mundo: o Pantanal.
Para Arioli, a esperança de municípios do sul de Mato Grosso e do norte de Mato Grosso do Sul é que a próxima fase da concessão da hidrovia chegue até Cáceres, contemplando o tramo norte. “Será preciso um trabalho político… cargas teremos, de ida e de volta… só falta liberar a navegação”, concluiu.
Outras no Momento Agrícola
O Momento Agrícola também traz várias notícias da semana comentadas e, também, os blocos com reflexões e entrevistas, com os temas: “Tarifaço contra Déficit. Será que funciona?”, “Leilão de Gado rima com Estância Bahia”, com Maurício Tonhá, e “Os Números do IMEA para a Safra de Soja de Mato Grosso”, com Cleiton Gauer.
Para ouvir o Momento Agrícola deste sábado na íntegra, clique no podcast abaixo.