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Agronegócio & Produção

Agronegócio: MT lidera produção no Brasil; Sorriso, Campo Novo e Sapezal são destaques

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Mais uma vez Mato Grosso foi destaque nacional na produção de soja, milho e algodão. Em 2022, a produção do estado gerou R$ 174,8 bilhões, um acréscimo de 15,2% em comparação a 2021. O estado também aumentou sua participação nacional para 21,1%, e agora está à frente de São Paulo (12,4%). Mais de de um quinto do valor de produção agrícola nacional se concentra no estado. Os dados fazem parte da Produção Agrícola Municipal 2022 (PAM), uma pesquisa anual realizada pelo IBGE.

De acordo com o levantamento, em 2022, os 10 municípios com os maiores valores da produção agrícola geraram juntos R$ 74,7 bilhões. Desses, seis pertenciam a Mato Grosso (veja infográfico abaixo), enquanto Bahia e Goiás aparecem com dois municípios cada. Dentre eles, Sorriso apresentou o maior crescimento como explica o analista da pesquisa, Winicius de Lima Wagner.

“Entre os municípios, mais uma vez o destaque foi Sorriso no Mato Grosso que, sozinho, respondeu por 1,4% do valor produção agrícola nacional e totalizou R$ 11,5 bilhões em 2022, um crescimento de 15,2% no ano. O município é o maior produtor de soja e milho do Brasil, que são as principais culturas dentro da pauta de produção nacional”, destaca.

A segunda posição no ranking de valor da produção agrícola foi ocupada por Campo Novo do Parecis, totalizando R$ 8,2 bilhões, com alta de 7,9% em relação ao gerado em 2021. A produção de soja, algodão e milho foram destaques no município.

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Sapezal, por sua vez, registrou o terceiro maior valor da produção agrícola do país, com R$ 8 bilhões, retração de 11,5% na comparação com o ano anterior. O município se destacou na produção de algodão.

Produção Nacional

Conforme a pesquisa, em 2022 houve um aumento no valor da produção agrícola nacional. As principais culturas do país atingiram R$ 830,1 bilhões, um crescimento de 11,8% em relação ao ano anterior. Houve recorde no consumo de grãos, que cresceu 3,8% em relação a 2021, totalizando 263,8 milhões de toneladas.  De acordo com o analista do IBGE, o bom desempenho das culturas de segunda safra no país foi influenciado pelo conflito entre Rússia e Ucrânia.

Chapadão dos Parecis é destaque na produção nacional de alimentos.

“O ano de 2022, ficou marcado para o setor agrícola, principalmente pela forte estiagem que afetou a produtividade das culturas de verão nos estados da região sul do Brasil e Mato Grosso do Sul. Os resultados foram influenciados pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, que acabou elevando o preço de importantes commodities agrícolas internacionais e que culminou com um novo recorde no valor da produção agrícola”, afirma.

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O analista ainda destaca os principais produtos agrícolas nacionais. “Milho e trigo, que tiveram recorde de produção em 2022, a soja que é o produto que tem maior participação em valor de produção dentre os produtos levantados na pesquisa e que sofreu uma retração de 10,5% por conta dos efeitos climáticos adversos, assim como o arroz, que também acabou tendo perda de produtividade e redução no valor de produção”, diz.

Dentre as regiões, o Centro-Oeste apresentou o maior valor da produção agrícola, totalizando R$ 304,0 bilhões, tendo destaque na produção de soja, milho e algodão. Já a região Sudeste, destaque na produção nacional de cana-de-açúcar e café, registrou o segundo maior valor da produção, com um total de R$ 209,6 bilhões.

A região Sul em 2022, apresentou retração de 11,7% no valor de produção agrícola, alcançando R$ 168,9 bilhões. Já a região Nordeste totalizou R$ 93,2 bilhões em 2022, se destacando na produção de soja e algodão. E por fim, na região Norte, a soja e o milho aparecem como os principais cultivos agrícolas totalizando R$ 54,3 bilhões.

Produção Agrícola Municipal

De acordo com o instituto, o levantamento contempla os principais produtos da agricultura nacional, com detalhamento municipal, levantando informações sobre “área plantada, área destinada à colheita, área colhida, quantidade produzida, rendimento médio obtido e valor da produção das culturas temporárias e permanentes”.

(Fonte: Brasil 61; Foto: CNA)

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Ureia boliviana surge como alternativa para o agro em Mato Grosso na crise global de fertilizantes

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As tensões no Oriente Médio, somadas ao conflito entre Rússia e Ucrânia, no Leste Europeu, tem provocado efeitos em cadeia na economia global. Entre os reflexos mais imediatos estão a escalada dos preços do petróleo e os sinais de instabilidade nos mercados internacionais.

Em maio de 2026, o petróleo tipo Brent oscila entre US$ 106,55 e US$ 118,35 por barril, enquanto o WTI (West Texas Intermediate) se mantém próximo de US$ 98,88. A valorização da commodity impacta diretamente os custos logísticos e a produção de fertilizantes nitrogenados, insumos essenciais para a agricultura.

Instabilidade no Oriente Médio reflete diretamente na economia mundial, em especial no agronegócio brasileiro.

Embora distante dos epicentros dos conflitos, o Brasil sente os efeitos, especialmente no agronegócio. O país depende fortemente da importação de fertilizantes — cerca de 95% dos nitrogenados consumidos são adquiridos no exterior. Tradicionalmente, Rússia, Oriente Médio e, em menor escala, a Ucrânia figuram entre os principais fornecedores. No atual cenário, entretanto, restrições comerciais agravam o quadro:

  • A Rússia prorrogou limites de exportação de fertilizantes minerais até novembro de 2026 e suspendeu licenças para nitrato de amônia em março;
  • A China adotou, em abril, novas restrições à exportação de ureia e NPK, priorizando o abastecimento interno;
  • No Oriente Médio, a instabilidade regional afeta rotas logísticas e a produção, comprometendo a oferta de nitrogenados.

Com isso, os fertilizantes — que podem representar até 40% do custo total de produção — pressionam ainda mais a rentabilidade do produtor.

Bolívia como alternativa logística

Diante desse cenário, ganha relevância uma alternativa regional: a ureia produzida na Bolívia. Em sua coluna “Circuito Rural”, o jornalista Olmir Cividini destacou recentemente a proximidade geográfica como fator estratégico.

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Na região de Cochabamba, a Bolívia mantém uma planta industrial com capacidade de produção de cerca de 2.100 toneladas diárias de ureia. A distância aproximada de 1.300 quilômetros até Cáceres (MT) representa vantagem logística significativa frente às rotas marítimas tradicionais.

MT e Bolívia: Integração em pauta

A viabilidade dessa alternativa tem avançado com iniciativas de integração regional. Em abril de 2026, a visita do governador eleito do departamento de Santa Cruz, Juan Pablo Velasco, marcou o início de uma nova etapa nas relações comerciais com Mato Grosso, com foco na estruturação de corredores logísticos.

Dois eixos se destacam:

  • Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) – San Ignacio de Velasco (Bolívia): prevê a pavimentação de aproximadamente 150 km da MT-199, conectando o estado a portos do Pacífico, como Arica e Iquique (Chile) e Ilo (Peru).
  • Cáceres (MT) – San Matías (Bolívia): proposta de pavimentação de cerca de 300 km, consolidando Cáceres como hub logístico, favorecido pela presença de estrutura aduaneira e de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE).

Esses corredores bioceânicos, integrados ao projeto “Corazón de Sudamérica”, podem reduzir custos de transporte rodoviário em até 40%, além de encurtar prazos logísticos.

Produção, custos e rentabilidade da safra 2026

Para a safra 2025/26, Mato Grosso deve manter sua posição de liderança nacional na produção de grãos. Projeções baseadas em dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) indicam produtividade média da soja entre 62 e 66 sacas por hectare, dependendo das condições climáticas ao longo do ciclo.

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Considerando preços médios projetados na faixa de R$ 115 a R$ 125 por saca, o faturamento bruto por hectare pode variar entre R$ 7.100 e R$ 8.200.

Por outro lado, os custos totais de produção (COE + COT), ainda segundo o IMEA, devem permanecer elevados, situando-se entre R$ 5.800 e R$ 6.500 por hectare antes do escoamento da produção. Nesse cenário, a margem operacional tende a ficar entre R$ 1.300 e R$ 2.000 por hectare, evidenciando compressão frente a ciclos anteriores, principalmente em função dos fertilizantes e defensivos.

Custo do frete pressiona resultado

Além dos custos de produção, o frete segue como variável crítica. Levantamentos recentes do IMEA apontam que o transporte rodoviário da soja de regiões produtoras do médio-norte de Mato Grosso até portos como Santos (SP) ou Miritituba (PA) deve variar entre R$ 350 e R$ 500 por tonelada em 2026, dependendo da rota, da sazonalidade e do preço do diesel.

Esse valor pode representar entre 15% e 25% do valor bruto da produção, reduzindo significativamente a margem líquida do produtor. A adoção de rotas mais curtas e integradas, como as alternativas via Bolívia e corredores bioceânicos, tende a ganhar importância estratégica.

Perspectivas

A ampliação da relação comercial entre Mato Grosso e a Bolívia, somada aos investimentos em infraestrutura, aponta para um novo arranjo logístico regional. Nesse contexto, a ureia boliviana surge como alternativa para reduzir custos, aumentar a previsibilidade no abastecimento e mitigar os efeitos da instabilidade global.

A consolidação desses corredores poderá redefinir a competitividade do agronegócio mato-grossense nos próximos anos, especialmente em um cenário de custos elevados e margens mais estreitas.

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