TANGARÁ DA SERRA
Pesquisar
Close this search box.

Opinião

Purgatório Tropical

Publicado em

(*) Por: Rogério Arioli Silva

Uma observação dos últimos acontecimentos em nosso país demonstra a possibilidade de ocuparmos um espaço ainda vago no cenário internacional: o de paraíso criminal. Assim como já existem os paraísos fiscais para onde migram recursos do mundo todo em busca de isenções tributárias e blindagens financeiras, o Brasil pode muito bem ocupar esse nicho de mercado. É possível criar-se aqui o turismo criminal, atividade que certamente tem um potencial muito grande para atrair divisas, representadas pelo produto do roubo de corruptos do mundo inteiro.

Nesse modelo brasileiro não há limites para a corrupção e inexistem preocupações e compromissos com leis e valores morais, porque todos os crimes são permitidos e até chancelados pela estrutura jurídica brasileira. Essa mania arcaica de gerir recursos públicos com honestidade é coisa do passado e de países atrasados. O Brasil tem muito a ensinar sobre impunidade, com a devida vênia das cortes superiores, naturalmente.

O risco que se corre hoje por aqui é de andar na linha. Defender valores que antes eram caros aos brasileiros, como o hino, a bandeira, a família, isso sim se tornou perigoso e, não raro, pode dar cadeia. Entretanto, desvios de recursos públicos, corrupção ativa e passiva, prevaricação e peculato hoje são todos abonados e os criminosos restam soltos e desimpedidos para novas falcatruas.

As práticas que colocaram o Brasil nessa pole position da impunidade são várias e não param de aumentar. A audiência de custódia por exemplo. O policial precisa explicar porque prendeu tal bandido, além de ter sua ação normalmente questionada e quase sempre acusada de violenta demais. Enquanto o bandido sai pela porta da frente do tribunal o policial responde pela falta de brandura da sua atuação.

Outra aberração jurídica brasileira – para gáudio dos criminosos -, é o fim do cumprimento da pena a partir da condenação em segunda instância. Medidas protelatórias e chicanas jurídicas impedem definitivamente que a mão da justiça alcance qualquer criminoso, até que o crime reste prescrito. Quando – muito raramente, condenações resultam em penas de cem, duzentos, trezentos anos, estas acabam durando apenas alguns meses até que tudo volte à normalidade e todos os interesses sejam satisfeitos.

A verdade é que o “fumus boni iuris” ou seja a fumaça do bom direito por aqui se transformou numa grande fogueira de São João, aonde as quadrilhas dançam alegremente sob aplausos dos senhores da lei.

Que venham todos os criminosos do mundo para cá então, participar dessa festança brasileira aonde tudo é permitido e todos os pecados são expiados, como num grande purgatório. Pelo bem da indecência.

(*) O autor, Rogério Arioli Silva, é morador de Tangará da Serra

Comentários Facebook
Advertisement

Opinião

Saúde Mental, Rock e Metal Extremo: Quando a dor encontra uma voz

Published

on

(*) Amanda Schirmer Reichert

Durante muito tempo, o rock e o metal extremo foram vistos apenas como gêneros musicais agressivos, sombrios ou até mesmo problemáticos. No entanto, para muitas pessoas, eles representam exatamente o contrário: um espaço de acolhimento, identificação e sobrevivência emocional.

Quando falamos sobre saúde mental, geralmente pensamos em silêncio. Pensamos naquilo que guardamos para nós mesmos, nas dores que não conseguimos explicar e nos sentimentos que parecem impossíveis de colocar em palavras. Foi justamente nesse espaço que o rock e o metal encontraram seu lugar. Enquanto boa parte da sociedade prefere evitar assuntos como depressão, ansiedade, luto e sofrimento psicológico, esses gêneros decidiram encará-los de frente.

Para quem vive ou já viveu momentos difíceis, ouvir uma música que fala sobre dor pode ser uma experiência estranhamente reconfortante. Não porque ela resolve os problemas, mas porque nos faz perceber que alguém, em algum lugar, sentiu algo parecido. Existe um alívio em descobrir que não somos os únicos enfrentando determinados pensamentos ou emoções.

O metal extremo, especialmente, possui uma intensidade que muitas vezes traduz sentimentos que não cabem em uma conversa comum. Os vocais agressivos, os riffs pesados e as atmosferas densas funcionam como uma linguagem para emoções que frequentemente permanecem presas dentro de nós. O que para algumas pessoas parece apenas barulho, para outras é uma forma de expressão profundamente humana.

Muitas bandas transformam experiências reais de sofrimento em arte. Falam sobre perdas, traumas, crises emocionais e batalhas internas sem tentar romantizar a dor. Pelo contrário, mostram suas consequências, seus conflitos e, em alguns casos, a difícil tentativa de seguir em frente. Essa honestidade cria uma conexão poderosa entre artista e público.

Bandas como Bring Me The Horizon, Lorna Shore, Linkin Park, The Amity Affliction, entre outras tantas, transformaram a dor em arte, o sofrimento em letras e riffs pesados.

Além da música em si, existe também a comunidade construída ao redor dela. Em shows, festivais e grupos de fãs, muitas pessoas encontram algo que nem sempre conseguem encontrar em outros lugares: pertencimento. É comum perceber que, por trás da aparência pesada e das letras sombrias, existe uma comunidade marcada pela empatia e pela compreensão mútua.

Por isso, acredito que o rock e o metal extremo possuem um papel importante na discussão sobre saúde mental. Eles ajudam a quebrar tabus, incentivam conversas necessárias e oferecem uma forma de expressão para sentimentos que muitas vezes permanecem escondidos. Nem toda dor pode ser curada por uma música, mas algumas delas podem se tornar mais suportáveis quando encontramos uma canção que parece entender exatamente o que estamos sentindo.

(*) Amanda Schirmer Reichert (foto) é acadêmica de Jornalismo na Unemat/Tangará da Serra. 

(Foto/imagem principal criada por IA)

Comentários Facebook
Continue Reading

Envie sua sugestão

Clique no botão abaixo e envie sua sugestão para nossa equipe de redação
SUGESTÃO

Empresas & Produtos

Economia & Mercado

Contábil & Tributário

Governo & Legislação

Profissionais & Tecnologias

Mais Lidas da Semana