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O Direito ao Desenvolvimento Econômico Regional: Novos horizontes e desafios para as regiões Oeste e Sudoeste do MT

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“A cidade de Cáceres encontra-se na região Sudoeste e o município-polo Tangará da Serra na região Oeste. Temos um total de 30 municípios com grande potencial econômico nesse espaço territorial”.

(Por: Adriane do Nascimento)

As discussões sobre o desenvolvimento econômico no Brasil historicamente envolvem considerações sobre a industrialização e o comércio internacional.

O território brasileiro, de modo histórico, tem desigualdades geográficas e sociais que impõem a necessidade de implementação de políticas públicas em desenvolvimento regional. Os entes federativos que compõem o Brasil têm a árdua missão de auxiliar na redução dos déficits dos indicadores econômicos e nas disparidades regionais que a população enfrenta no cotidiano, promovendo novos postos de trabalho, geração de renda, melhoria no transporte e investimentos na educação.

Diante desse cenário, a Constituição Federal de 1988, estabeleceu como objetivo da República Federativa do Brasil, a redução das desigualdades regionais em seu artigo 3º, inciso III. Os objetivos elencados no dispositivo terceiro tem a função de estabelecer uma relação direta e harmônica do sistema jurídico-constitucional, orientando as ações do poder público federal e estados na concretização de suas metas, principalmente no conjunto de direitos e de garantias da população brasileira.

Ao analisar os princípios constitucionais que regem a Ordem Econômica no Brasil, conforme o que disciplina o artigo 170 da CF/1988, temos em destaque o inciso VII, que trata da redução das desigualdades regionais e socais. Um dos instrumentos destacados para a contribuição da redução das desigualdades econômicas e sociais do país é a utilização do instrumento legal das Zonas de Processamento de Exportação.

As ZPEs tem sido utilizadas há décadas por diversos países do continente asiático e europeu para a promoção da industrialização e do desenvolvimento. Este instrumento – ZPE – ficou muito conhecido pela sua efetividade em auxiliar as economias da China, Coréia do Sul e Taiwan. No Brasil, à menção ao instrumento ZPE, tem início no Decreto-Lei nº 2.452, instituído no ano de 1988. O referido decreto tinha o objetivo de autorizar a instalação de áreas de Zona de Processamento de Exportação no território brasileiro.

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O polo do município de Cáceres ocupa no espaço territorial do Estado de Mato Grosso posição estratégica  e logística para a exportação dos produtos produzidos na área, a partir do efetivo funcionamento dos importantes empreendimentos que estão em andamento na região, que se referem as obras das unidades portuárias Paratudal e Barranco Vermelho (Hidrovia Paraguai – Paraná) e os investimentos na pavimentação asfáltica de rodovias estaduais diretamente ligadas a rodovias federais.

A cidade de Cáceres encontra-se na região Sudoeste e o município-polo de Tangará da Serra na região Oeste. Temos um total de 30 municípios com grande potencial econômico nesse espaço territorial.

Conforme trabalho realizado pela SEPLAN (Secretaria de Estado de Planejamento do Estado de Mato Grosso), essas regiões e seus indicadores econômicos foram atualizados em 2007, fazendo parte da região VII e VIII do território mato-grossense. As duas regiões VII e VIII supracitadas, dispõem de grande potencial econômico advindos da agropecuária, agronegócio, setor mineral, setor de comércio, serviços e turismo.

Figura 1: Mapa da Região de Planejamento VII – Sudoeste de Cáceres. Fonte: Movimento Agenda Regional Oeste – ARO.

O Estado de Mato Grosso, especificamente o munícipio de Cáceres, possui autorização para implementação do instrumento legal ZPE desde 1990, ou seja, o Governo de Estado e o munícipio tem um importante mecanismo de desenvolvimento regional em mãos há 30 anos. Atualmente, toda a estrutura passa por reestruturação e readequação através dos termos do Contrato de número 019/2017 – SECID do Governo do Estado com a empresa executora do projeto.

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Nessa colcha de retalhos de três décadas de permissão e autorização para uso da instalação e implementação da ZPE, é urgente que todos os esforços sejam realizados pelos gestores políticos dessas regiões, que perfazem um total de 30 municípios. A região oeste e sudoeste, tem a extrema necessidade de investir no polo industrial Cáceres, beneficiando a toda região de forma direta e indireta, não só na questão da geração de renda, criação de novos postos de trabalho, melhoria da qualidade de vida da população e aumento do poder de compra, mas sobretudo para intensificação das relações comerciais e políticas entre os demais entes federativos e os países do Mercosul.

Figura 2: Mapa da Região de Planejamento VIII – Oeste de Tangará da Serra. Fonte: Movimento Agenda Regional Oeste – ARO.

Temos nesse espaço territorial VII e VIII, um importante espaço econômico, que pode e deve ser integrada a partir de investimentos em conjunto e interesse mútuo. O crescimento de uma região influencia o desempenho dos indicadores econômicos e sociais de todo o estado, podendo nos beneficiar com os efeitos positivos spillover de crescimento (efeito transbordamento), isto é, como transbordamento de uma economia para outra.

Mediante o exposto, a efetiva implantação da Zona de Processamento de Exportação é fundamental para o desenvolvimento regional do polo Cáceres e Tangará da Serra, que com certeza contribuirá para o equilíbrio regional, em termos de melhorias de indicadores socioeconômicos da população da região. Assim, sua viabilização se torna estratégica e necessária.

Por fim, ressaltamos as últimas alterações legislativas que estão em trâmite nesse ano de 2021, que só produzirão efeitos positivos para o empreendimento ZPE. Com o decorrer do trâmite legislativo, produziremos novos artigos.

(*) A autora (foto) é advogada, especialista em Advocacia Societária e Direito do Trabalho, mestranda em Economia.

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Tangará da Serra aos 50 anos: entre o avanço e a escolha pelo futuro

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Tangará da Serra chega aos 50 anos de emancipação com uma trajetória marcada por expansão econômica, crescimento populacional e consolidação como polo regional do Sudoeste de Mato Grosso.

Com população estimada superior a 114,6 mil habitantes e PIB per capita acima de R$ 52 mil, o município apresenta indicadores que refletem dinamismo econômico e capacidade de geração de riqueza. A estrutura urbana avançou, o abastecimento de água atende mais de 94% da população e a cidade se firmou como referência regional em educação, comércio e serviços.

Os dados indicam um município que cresceu — e que continua crescendo. Mas os mesmos números também revelam outra realidade.

O acesso ao esgotamento sanitário ainda alcança apenas cerca de um terço da população. Mais de 70 mil pessoas vivem sem coleta de esgoto, e grande parte do volume gerado ainda é despejada sem tratamento adequado. Trata-se de um passivo estrutural que acompanha o desenvolvimento urbano e expõe um dos principais limites desse crescimento.

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Na saúde pública, a pressão sobre o sistema é constante. Na infraestrutura, a necessidade de expansão energética e melhoria da mobilidade acompanha o avanço da cidade. No campo econômico, permanece o desafio de ampliar a geração de empregos e diversificar a base produtiva.

Nada disso é desconhecido. Ao contrário, são demandas recorrentes, identificadas ao longo dos anos e amplamente diagnosticadas.

A experiência recente do próprio município demonstra que problemas estruturais podem ser enfrentados com resultados concretos quando há ação direcionada. A recuperação das nascentes que abastecem a cidade alterou um cenário que, até poucos anos atrás, era de crises hídricas frequentes.

Ao atuar sobre a causa, o problema deixou de se repetir. Esse exemplo não é isolado. Ele aponta um caminho.

Tangará da Serra chega aos 50 anos diante de uma escolha que não é apenas administrativa, mas estratégica: continuar reagindo a problemas já conhecidos ou antecipar soluções antes que esses problemas se agravem.

O crescimento do município não elimina riscos; ao contrário, amplia a necessidade de planejamento.

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A diferença entre avanço e crise, nos próximos anos, pode não estar apenas na capacidade de investimento, mas na capacidade de agir no momento certo.

Mais do que celebrar o que foi construído, o marco dos 50 anos coloca em evidência um ponto central: o futuro de Tangará da Serra depende menos do que ainda falta fazer e mais de quando essas ações serão realizadas.

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