A 11ª Jornada Técnica, que acontece nos dias 14 e 15 de fevereiro, proporcionará uma gama de informações e análises da safra de soja 2019/2020. O evento, promovido pela Agrodinâmica Pesquisa e Consultoria Agropecuária na Estação Experimental da empresa, em Deciolândia, reúne grande expectativa entre produtores rurais, profissionais da área técnica, acadêmicos e estudantes de cursos técnicos.
As programações nos dois dias do evento iniciam cedo, logo às 07hs, com o credenciamento e café. Logo em seguida, a partir das 07h30, ocorrem as visitas a campo. Serão cinco estações com apresentações de cultivares, ensaios sobre doenças diversas, técnicas de manejo e novas coberturas de solo, além de áreas demonstrativas de empresas expositoras.
Jornada Técnica acontece em sua 11ª edição, na Estação Experimental da Agrodinâmica, em Deciolândia.
Já as palestras ocorrerão na segunda metade da manhã, a partir das 10h30. Primeiro, na sexta e no sábado, será apresentado o painel “Panorama das Doenças na Safra 2019/2020 nos Cerrados – Desafios na Sustentabilidade da Cultura da Soja”, pelos doutores Nédio Tormen, da Phytus; Eder Moreira, da Fitolab; Luis Carregal, da Agrocarregal; e pelo pesquisador, consultor e engenheiro agrônomo Valtemir José Carlin, da Agrodinâmica.
Na sexta-feira, o Senar/MT – um dos patrocinadores do evento – aborda o tema “Gestão de Propriedades Rurais”, através de palestra ministrada pelo instrutor do órgão Roberson Passos. Logo após, o doutor Leandro Gimenez, da Esalq/USP, ministra palestra com o tema “Agricultura Digital – Desafios e Oportunidades – Um Olhar Crítico”.
No sábado, além do painel “Panorama das Doenças”, haverá palestra sobre “Perfil do Profissional de Agronomia para o Mercado Atual, com Mariusa Zago, da Unicampo, de Maringá-PR.
Inscrições
Informações sobre programação e inscrições para a 11ª Jornada Técnica no site da Agrodinâmica (link: https://agrodinamica.net.br/11a-jornada-tecnica/), ou diretamente na empresa, com sede na Avenida Mauá nº 309 – Cidade Alta, em Tangará da Serra (telefones 65 3326-1008, 3329-1127 e 99962-3366.
Além dos ensaios nas estações a campo, palestras e painéis serão destaque no evento.
O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.
Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.
Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão
Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.
A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.
Fertilizantes: dependência que preocupa
Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.
A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.
Soberania vs. custo imediato
O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.
Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.
(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo: