11 de agosto - Dia do Advogado
Wanessa Franchini: Juventude na advocacia e liderança da mulher na 10ª Subseção da OAB
Publicado em
11/08/2025 - 08:36por
Sergio Roberto
Nesta data em que se celebra o dia do Advogado, vale enaltecer a força da mulher no papel de liderança no exercício da advocacia. Wanessa Correia Franchini Vieira
Natural de Arenápolis (MT), nascida em 17 de abril de 1984, Wanessa Correia Franchini Vieira carrega em sua trajetória a marca da determinação e do comprometimento com a advocacia. Filha de Adel Franchini (in memoriam) e Maria de Lourdes Correia Franchini, e irmã de Paula e Tânia, Wanessa construiu seu caminho profissional e pessoal em Tangará da Serra, cidade que se tornou parte indissociável de sua vida. Nesta cidade, casou-se com o empresário do ramo imobiliário, Volnei Vasconcelos Vieira, com quem tem os filhos Lívia, de oito anos, e Hugo, de cinco.
Formada em Direito pela Unitas, em Tangará da Serra, a advogada descobriu cedo sua vocação. “Sempre tive um senso de justiça muito forte, desde criança. Gostava de ouvir as pessoas, tentar entender os dois lados e buscar soluções. Quando compreendi que o Direito era mais do que uma profissão — um instrumento de transformação social — tive certeza de que era o meu caminho. A advocacia permite dar voz a quem não tem, lutar por direitos, defender princípios. Isso me move até hoje”, afirma.

A relação com Tangará da Serra começou ainda no ensino médio, quando se mudou com a família em busca de melhores condições de vida. Aqui, trabalhou como babá, ingressou na faculdade, estagiou no Fórum e no Ministério Público — experiências que moldaram sua visão de mundo e a consolidaram na advocacia. Foi também em Tangará que construiu sua família, casou-se e teve filhos.
Em novembro de 2024, Wanessa Franchini marcou a história da advocacia local ao tornar-se a primeira mulher eleita pelo voto direto para presidir a 10ª Subseção da OAB de Tangará da Serra. Um feito que simboliza não apenas o avanço institucional, mas também o reconhecimento da competência e da liderança que exerce com ética, dedicação e firmeza.
O Enfoque Business conversou com Drª Wanessa para que o leitor/internauta conheça um pouco mais dessa nova liderança da advocacia em Tangará da Serra.

Wanessa, ao centro, em momento da posse (com a presidente da Seccional, Gisela Cardoso, à sua esquerda) da nova diretoria da 10ª Subseção da OAB Tangará da Serra.
EB – Você é a primeira mulher eleita como presidente da Subseção da OAB em Tangará da Serra. Sem dúvida, um marco na história da advocacia na região. O que a levou a encarar esse desafio?
Assumir a presidência da OAB Tangará da Serra como a primeira mulher eleita é, sem dúvida, uma grande responsabilidade e uma honra. O que me levou a aceitar esse desafio foi o desejo de contribuir para o fortalecimento institucional da advocacia na nossa região, com foco na valorização das prerrogativas, inclusão, diálogo e inovação. Acredito que era o momento de oxigenar a OAB com novas ideias, novas formas de liderança e mais representatividade.
EB – Qual o seu maior desafio como presidente da Subseção?
O maior desafio é equilibrar as diversas demandas da advocacia local com as limitações estruturais e orçamentárias da nossa subseção. Precisamos garantir apoio aos colegas, promover formação contínua, fiscalizar o cumprimento das prerrogativas e, ao mesmo tempo, manter um diálogo constante com o Judiciário e demais instituições. Fazer tudo isso de maneira ética, democrática e com responsabilidade é, sem dúvida, desafiador.
EB – Quais os maiores entraves enfrentados pelo advogado no exercício da advocacia?
Os desafios são muitos e bastante visíveis, especialmente para quem está na linha de frente. A morosidade do Judiciário é uma queixa recorrente. Temos estruturas limitadas, falta de juízes e servidores, e um sistema que ainda não consegue dar respostas no tempo que a sociedade precisa. Soma-se a isso a dificuldade de acesso a magistrados, a falta de diálogo institucional em alguns momentos e o desrespeito às prerrogativas profissionais, que ainda é uma realidade preocupante.
Outro ponto que merece destaque é a dificuldade de muitos colegas, especialmente os mais jovens, de se sentirem realmente representados e integrados à OAB. Existe uma sensação de distanciamento, que tentamos combater com ações mais próximas, escuta ativa e acolhimento real. A advocacia precisa se reconhecer na sua entidade de classe — e esse é um trabalho diário, que exige presença, diálogo e comprometimento.
EB – Como a digitalização do processo judicial tem impactado a prática da advocacia no Brasil, tanto em termos de eficiência quanto de desafios para a acessibilidade à justiça?
A digitalização do processo judicial representou um grande avanço para a advocacia brasileira. Hoje, podemos peticionar, acompanhar processos e participar de audiências remotamente, o que trouxe mais agilidade, economia de tempo e recursos, além de ampliar a atuação de advogados em diferentes comarcas e regiões. Essa modernização foi um passo essencial para tornar a Justiça mais eficiente e acessível em muitos aspectos. Mas também gerou novos desafios. Muitos colegas, especialmente os mais antigos ou que atuam em regiões com baixa conectividade, enfrentam dificuldades. A acessibilidade digital ainda é desigual, o que exige da OAB um olhar atento para garantir inclusão, capacitação e suporte. A tecnologia deve ser uma ferramenta de democratização — não um novo obstáculo.

EB – Como a senhora avalia esse momento de embates ideológicos e institucionais para a advocacia?
Vivemos um momento delicado de polarização, que acaba por tensionar as instituições. A advocacia, por sua natureza, está sempre no centro dos grandes debates jurídicos e sociais. Por isso, nosso compromisso deve ser com a legalidade, a Constituição e o Estado Democrático de Direito — e não com ideologias. O desafio é manter a serenidade e a técnica diante das paixões políticas, que muitas vezes contaminam até mesmo os tribunais.
EB – Quais áreas da advocacia a senhora acredita que estarão em maior destaque nos próximos anos?
Direito digital, proteção de dados, compliance e propriedade intelectual. Também vejo um avanço na atuação extrajudicial, com mais ênfase na mediação e conciliação. O mercado está cada vez mais especializado, e o advogado precisa estar atento às novas demandas sociais e tecnológicas.
EB – Como a senhora enxerga o fenômeno das fake news e os limites éticos no ambiente digital?
As fake news representam uma ameaça à democracia e ao próprio Direito. A advocacia tem papel essencial nesse cenário, tanto no combate à desinformação quanto na responsabilidade com a informação que compartilha. Ética, responsabilidade e técnica devem nortear a atuação nas redes sociais. Não se trata apenas de cumprir o Código de Ética da OAB, mas de preservar a credibilidade da profissão e da Justiça.
EB – Comente a respeito da interferência entre poderes, como no caso do IOF.
A separação dos poderes é um dos pilares do Estado Democrático de Direito. Quando há interferências recorrentes, como no caso da judicialização do IOF, isso revela não apenas desequilíbrio, mas também uma sobrecarga do Judiciário em temas que deveriam ser resolvidos no âmbito político. A advocacia deve atuar como guardiã da legalidade, apontando excessos e defendendo a harmonia institucional.

EB – Como é, hoje, o relacionamento da advocacia com o Ministério Público?
O relacionamento é, em geral, respeitoso e institucional. Mas há sim desafios, especialmente quando posturas ideológicas influenciam decisões ou quando promotores ultrapassam seus limites funcionais. O ativismo judicial ou ministerial pode gerar insegurança jurídica. A OAB tem o papel de fiscalizar e, quando necessário, questionar condutas que afrontem direitos ou prerrogativas da advocacia.
EB – Qual a sua avaliação sobre o Judiciário e o que pode ser feito para melhorar?
O Judiciário ainda é marcado por lentidão, falta de estrutura e acúmulo de processos. Em muitas comarcas, há déficit de juízes e servidores. É necessário investir em gestão, tecnologia e humanização. Também é urgente ampliar o diálogo entre magistratura e advocacia, para que possamos, juntos, buscar soluções viáveis para um sistema de justiça mais eficiente e acessível.
EB – Até que ponto a ideologia na educação superior pode influenciar na advocacia?
A formação jurídica deve ser baseada em fundamentos técnicos, científicos e éticos. Quando a ideologia substitui o pensamento crítico, isso prejudica a qualidade do ensino e, consequentemente, a atuação profissional. A pluralidade de ideias é importante, mas dentro de um ambiente que estimule o debate e não a doutrinação. A advocacia precisa de profissionais preparados, não apenas militantes de ideias.
EB – Como a senhora vê o futuro da advocacia?
Vejo um futuro desafiador, mas promissor. A tecnologia, a inteligência artificial e a mudança no perfil da sociedade exigirão uma advocacia mais criativa, especializada e adaptável. O papel do advogado vai além de peticionar: ele será cada vez mais um estrategista jurídico, um resolvedor de conflitos e um defensor dos direitos fundamentais em novas arenas, inclusive digitais.
EB – Descreva sua atuação como advogada até aqui e o que a presidência pode agregar à sua profissão.
Minha trajetória na advocacia sempre foi marcada por muito trabalho, responsabilidade e comprometimento com a ética. Atuei com dedicação desde o início da carreira, enfrentando desafios e buscando crescimento constante. Hoje, na presidência da OAB, tenho ampliado minha visão sobre a profissão, compreendendo melhor as demandas da classe e a importância do trabalho coletivo. Essa experiência tem agregado muito à minha atuação profissional, especialmente no relacionamento com as pessoas e na compreensão do que realmente importa para a advocacia.
EB – Deixe sua mensagem à advocacia.
A advocacia é uma profissão essencial à Justiça, à democracia e à cidadania. Em tempos difíceis, nosso papel se torna ainda mais relevante. Sigamos firmes, éticos e unidos na defesa das nossas prerrogativas, dos direitos do cidadão e da legalidade. A OAB está de portas abertas para cada advogado e advogada. Contem comigo e com a nossa Subseção que representa as cidades de Tangará da Serra, Sapezal, Barra do Bugres, Porto Estrela, Nova Olímpia e Denise.
Nesta data em que se celebra o dia do Advogado, vale enaltecer a força da mulher no papel de liderança no exercício da advocacia. Wanessa Correia Franchini Vieira
Natural de Arenápolis (MT), nascida em 17 de abril de 1984, Wanessa Correia Franchini Vieira carrega em sua trajetória a marca da determinação e do comprometimento com a advocacia. Filha de Adel Franchini (in memoriam) e Maria de Lourdes Correia Franchini, e irmã de Paula e Tânia, Wanessa construiu seu caminho profissional e pessoal em Tangará da Serra, cidade que se tornou parte indissociável de sua vida.
Formada em Direito pela Unitas, em Tangará da Serra, a advogada descobriu cedo sua vocação. “Sempre tive um senso de justiça muito forte, desde criança. Gostava de ouvir as pessoas, tentar entender os dois lados e buscar soluções. Quando compreendi que o Direito era mais do que uma profissão — um instrumento de transformação social — tive certeza de que era o meu caminho. A advocacia permite dar voz a quem não tem, lutar por direitos, defender princípios. Isso me move até hoje”, afirma.
A relação com Tangará da Serra começou ainda no ensino médio, quando se mudou com a família em busca de melhores condições de vida. Aqui, trabalhou como babá, ingressou na faculdade, estagiou no Fórum e no Ministério Público — experiências que moldaram sua visão de mundo e a consolidaram na advocacia. Foi também em Tangará que construiu sua família, casou-se e teve filhos.
Em novembro de 2024, Wanessa Franchini marcou a história da advocacia local ao tornar-se a primeira mulher eleita pelo voto direto para presidir a 10ª Subseção da OAB de Tangará da Serra. Um feito que simboliza não apenas o avanço institucional, mas também o reconhecimento da competência e da liderança que exerce com ética, dedicação e firmeza.
O Enfoque Business conversou com Drª Wanessa para que o leitor/internauta conheça um pouco mais dessa nova liderança da advocacia em Tangará da Serra.
EB – Você é a primeira mulher eleita como presidente da Subseção da OAB em Tangará da Serra. Sem dúvida, um marco na história da advocacia na região. O que a levou a encarar esse desafio?
Assumir a presidência da OAB Tangará da Serra como a primeira mulher eleita é, sem dúvida, uma grande responsabilidade e uma honra. O que me levou a aceitar esse desafio foi o desejo de contribuir para o fortalecimento institucional da advocacia na nossa região, com foco na valorização das prerrogativas, inclusão, diálogo e inovação. Acredito que era o momento de oxigenar a OAB com novas ideias, novas formas de liderança e mais representatividade.
EB – Qual o seu maior desafio como presidente da Subseção?
O maior desafio é equilibrar as diversas demandas da advocacia local com as limitações estruturais e orçamentárias da nossa subseção. Precisamos garantir apoio aos colegas, promover formação contínua, fiscalizar o cumprimento das prerrogativas e, ao mesmo tempo, manter um diálogo constante com o Judiciário e demais instituições. Fazer tudo isso de maneira ética, democrática e com responsabilidade é, sem dúvida, desafiador.

EB – Quais os maiores entraves enfrentados pelo advogado no exercício da advocacia?
Os desafios são muitos e bastante visíveis, especialmente para quem está na linha de frente. A morosidade do Judiciário é uma queixa recorrente. Temos estruturas limitadas, falta de juízes e servidores, e um sistema que ainda não consegue dar respostas no tempo que a sociedade precisa. Soma-se a isso a dificuldade de acesso a magistrados, a falta de diálogo institucional em alguns momentos e o desrespeito às prerrogativas profissionais, que ainda é uma realidade preocupante.
Outro ponto que merece destaque é a dificuldade de muitos colegas, especialmente os mais jovens, de se sentirem realmente representados e integrados à OAB. Existe uma sensação de distanciamento, que tentamos combater com ações mais próximas, escuta ativa e acolhimento real. A advocacia precisa se reconhecer na sua entidade de classe — e esse é um trabalho diário, que exige presença, diálogo e comprometimento.
EB – Como a digitalização do processo judicial tem impactado a prática da advocacia no Brasil, tanto em termos de eficiência quanto de desafios para a acessibilidade à justiça?
A digitalização do processo judicial representou um grande avanço para a advocacia brasileira. Hoje, podemos peticionar, acompanhar processos e participar de audiências remotamente, o que trouxe mais agilidade, economia de tempo e recursos, além de ampliar a atuação de advogados em diferentes comarcas e regiões. Essa modernização foi um passo essencial para tornar a Justiça mais eficiente e acessível em muitos aspectos. Mas também gerou novos desafios. Muitos colegas, especialmente os mais antigos ou que atuam em regiões com baixa conectividade, enfrentam dificuldades. A acessibilidade digital ainda é desigual, o que exige da OAB um olhar atento para garantir inclusão, capacitação e suporte. A tecnologia deve ser uma ferramenta de democratização — não um novo obstáculo.
EB – Como a senhora avalia esse momento de embates ideológicos e institucionais para a advocacia?
Vivemos um momento delicado de polarização, que acaba por tensionar as instituições. A advocacia, por sua natureza, está sempre no centro dos grandes debates jurídicos e sociais. Por isso, nosso compromisso deve ser com a legalidade, a Constituição e o Estado Democrático de Direito — e não com ideologias. O desafio é manter a serenidade e a técnica diante das paixões políticas, que muitas vezes contaminam até mesmo os tribunais.
EB – Quais áreas da advocacia a senhora acredita que estarão em maior destaque nos próximos anos?
Direito digital, proteção de dados, compliance e propriedade intelectual. Também vejo um avanço na atuação extrajudicial, com mais ênfase na mediação e conciliação. O mercado está cada vez mais especializado, e o advogado precisa estar atento às novas demandas sociais e tecnológicas.
EB – Como a senhora enxerga o fenômeno das fake news e os limites éticos no ambiente digital?
As fake news representam uma ameaça à democracia e ao próprio Direito. A advocacia tem papel essencial nesse cenário, tanto no combate à desinformação quanto na responsabilidade com a informação que compartilha. Ética, responsabilidade e técnica devem nortear a atuação nas redes sociais. Não se trata apenas de cumprir o Código de Ética da OAB, mas de preservar a credibilidade da profissão e da Justiça.
EB – Comente a respeito da interferência entre poderes, como no caso do IOF.
A separação dos poderes é um dos pilares do Estado Democrático de Direito. Quando há interferências recorrentes, como no caso da judicialização do IOF, isso revela não apenas desequilíbrio, mas também uma sobrecarga do Judiciário em temas que deveriam ser resolvidos no âmbito político. A advocacia deve atuar como guardiã da legalidade, apontando excessos e defendendo a harmonia institucional.
EB – Como é, hoje, o relacionamento da advocacia com o Ministério Público?
O relacionamento é, em geral, respeitoso e institucional. Mas há sim desafios, especialmente quando posturas ideológicas influenciam decisões ou quando promotores ultrapassam seus limites funcionais. O ativismo judicial ou ministerial pode gerar insegurança jurídica. A OAB tem o papel de fiscalizar e, quando necessário, questionar condutas que afrontem direitos ou prerrogativas da advocacia.
EB – Qual a sua avaliação sobre o Judiciário e o que pode ser feito para melhorar?
O Judiciário ainda é marcado por lentidão, falta de estrutura e acúmulo de processos. Em muitas comarcas, há déficit de juízes e servidores. É necessário investir em gestão, tecnologia e humanização. Também é urgente ampliar o diálogo entre magistratura e advocacia, para que possamos, juntos, buscar soluções viáveis para um sistema de justiça mais eficiente e acessível.
EB – Até que ponto a ideologia na educação superior pode influenciar na advocacia?
A formação jurídica deve ser baseada em fundamentos técnicos, científicos e éticos. Quando a ideologia substitui o pensamento crítico, isso prejudica a qualidade do ensino e, consequentemente, a atuação profissional. A pluralidade de ideias é importante, mas dentro de um ambiente que estimule o debate e não a doutrinação. A advocacia precisa de profissionais preparados, não apenas militantes de ideias.
EB – Como a senhora vê o futuro da advocacia?
Vejo um futuro desafiador, mas promissor. A tecnologia, a inteligência artificial e a mudança no perfil da sociedade exigirão uma advocacia mais criativa, especializada e adaptável. O papel do advogado vai além de peticionar: ele será cada vez mais um estrategista jurídico, um resolvedor de conflitos e um defensor dos direitos fundamentais em novas arenas, inclusive digitais.
EB – Descreva sua atuação como advogada até aqui e o que a presidência pode agregar à sua profissão.
Minha trajetória na advocacia sempre foi marcada por muito trabalho, responsabilidade e comprometimento com a ética. Atuei com dedicação desde o início da carreira, enfrentando desafios e buscando crescimento constante. Hoje, na presidência da OAB, tenho ampliado minha visão sobre a profissão, compreendendo melhor as demandas da classe e a importância do trabalho coletivo. Essa experiência tem agregado muito à minha atuação profissional, especialmente no relacionamento com as pessoas e na compreensão do que realmente importa para a advocacia.
EB – Deixe sua mensagem à advocacia.
A advocacia é uma profissão essencial à Justiça, à democracia e à cidadania. Em tempos difíceis, nosso papel se torna ainda mais relevante. Sigamos firmes, éticos e unidos na defesa das nossas prerrogativas, dos direitos do cidadão e da legalidade. A OAB está de portas abertas para cada advogado e advogada. Contem comigo e com a nossa Subseção que representa as cidades de Tangará da Serra, Sapezal, Barra do Bugres, Porto Estrela, Nova Olímpia e Denise.
11 de agosto - Dia do Advogado
Sandra Nilze: Do serviço público para a advocacia, pela defesa dos direitos fundamentais
Published
12 meses atráson
11/08/2025 - 18:35
No Dia do Advogado, celebrado em 11 de agosto, a energia na advocacia é um pilar essencial para a inovação e o fortalecimento da profissão. Esse é o caso da advogada Sandra Nilze de Oliveira.
Com dia juventude, ela traz consigo novas perspectivas, com uma visão moderna do Direito e uma abordagem mais inclusiva e tecnológica. Sua capacidade de adaptação aos desafios contemporâneos são cruciais para a evolução do sistema jurídico.
Ao lutar pela justiça, advogados como Sandra Nilze garantem à advocacia a continuidade da missão de defender os direitos fundamentais da sociedade. A advocacia se renova, se aprimora e se fortalece nas mãos desses profissionais.
Sandra Nilze de Oliveira é natural de Colíder, norte de Mato Grosso, nascida em 23 de maio de 1983. É filha de José Paulo de Oliveira e Zilda Soares de Oliveira, irmã de Rose Elaine e Cleiton Júnior.
Ela é graduada pela Faculdade de Direito – FACISA – de Itamaraju, na Bahia. Também tem Licenciatura Plena em Letras pela UNEMAT, campus de Sinop.

Sandra durante reunião na OAB, com a presidente da 10ª Subseção, Wanessa Franchini, e colegas de advocacia.
EB – Por que escolheu a profissão de advogada?
Sandra Nilze – Gosto de dizer que a advocacia foi acontecendo na minha vida, de forma natural. Na época, eu era funcionária pública e atuava como Fiscal Sanitária na cidade de Sinop/MT, o que me colocava em contato constante com leis e normas. Esse convívio com o universo jurídico despertou em mim a vontade de cursar Direito. Assim, iniciei a graduação em 2015, sem imaginar que, um dia, estaria atuando na advocacia. Minha intenção, naquele momento, era apenas crescer dentro do serviço público.
Em 2017, porém, a vida me levou para a Bahia. Saí do cargo público e concluí o curso de Direito na cidade de Itamaraju/BA.
Já morando em Tangará prestei o 33º Exame da OAB e fui aprovada de primeira. Por estar grávida na época e com mais 02 crianças pequenas, demorei um pouco para buscar minha certidão.
Mas então comecei a participar dos eventos da OAB e, aos poucos, fui me conectando com colegas da área. Surgiu uma parceria, depois apareceram os primeiros clientes… e assim nasceu a advogada: Dra. Sandra Nilze. Decidi, então, vestir o terno com orgulho e atuar de forma comprometida com a profissão que me escolheu, ainda que de forma inesperada.
EB – Por que escolheu Tangará da Serra para atuar?
Sandra Nilze – Na verdade, costumo dizer que foi Tangará quem me escolheu. Vim para cá acompanhando meu ex-marido, que havia sido aprovado em um concurso público na cidade. Com o tempo, mesmo após o divórcio, decidi permanecer. Tangará se mostrou uma cidade promissora, acolhedora e cheia de oportunidades. Aqui, construí uma rede sólida de amigos, colegas e parceiros profissionais que fizeram com que eu me sentisse pertencente. Foi essa conexão com as pessoas e com o potencial da cidade que me fez fincar raízes e seguir minha trajetória na advocacia por aqui.
EB – Considerando os dias atuais, quais os maiores entraves enfrentados pelo advogado no exercício da advocacia?
Sandra Nilze – São muitos, mas acredito que o maior deles ainda seja a morosidade do Poder Judiciário. Na prática, essa lentidão impacta diretamente a subsistência do advogado, especialmente porque, em grande parte dos casos, o recebimento dos honorários depende da finalização do processo. Atuo na área cível, onde uma demanda pode levar anos até chegar ao desfecho. E, nesse meio tempo, as despesas fixas continuam chegando. Lidar com essa incerteza financeira é um dos grandes desafios da nossa profissão.
Outro entrave significativo é a constante mudança legislativa e jurisprudencial. O Direito é dinâmico, e isso exige do advogado uma atualização permanente. Não basta saber, é preciso estar sempre aprendendo. E isso demanda tempo, energia e, muitas vezes, investimento.
Por fim, cito a desvalorização dos honorários advocatícios. Infelizmente, nem todos seguem a tabela mínima estabelecida pela OAB, o que acaba gerando uma competição desleal. Muitos profissionais, principalmente os que estão no início da carreira, sentem-se pressionados a cobrar valores abaixo do recomendado. Essa prática enfraquece a classe como um todo, pois transforma a advocacia em uma disputa por preço, quando, na verdade, o foco deveria ser a qualidade do serviço jurídico prestado.

EB – Como a digitalização do processo judicial tem impactado a prática da advocacia no Brasil, tanto em termos de eficiência quanto de desafios para a acessibilidade à justiça?
Sandra Nilze – A digitalização foi um avanço extraordinário para a advocacia. Conversando com colegas com mais tempo de atuação, ouço relatos de quando era necessário ir pessoalmente ao fórum para fazer carga dos autos, buscar o processo físico, controlar o prazo de devolução, entre tantas outras demandas manuais. Hoje, com poucos cliques, tenho acesso às informações diretamente do meu escritório. Isso representa não apenas uma grande economia de tempo, mas também de recursos, não precisamos mais fazer cópias, manter arquivos físicos imensos ou lidar com o excesso de papel.
Outro ponto positivo é que o trabalho do advogado não está mais limitado ao horário de expediente do Judiciário. É possível protocolar petições, consultar processos e atuar a qualquer hora, de qualquer lugar com acesso à internet. O surgimento do juízo 100% digital e dos modelos híbridos também ampliou o alcance da advocacia, permitindo que advogados atuem em comarcas distantes sem necessidade de deslocamento físico. Isso, inclusive, beneficia a produção de provas, como depoimentos de testemunhas que residem em outras cidades, muitas das quais antes não compareciam por falta de transporte ou necessidade de faltar ao trabalho.
Por outro lado, essa praticidade trouxe também a perda de um aspecto muito valioso da advocacia: a pessoalidade. As interações tornaram-se mais frias, impessoais. Muitos colegas que ingressaram recentemente na profissão sequer conhecem os demais advogados da comarca, tampouco constroem laços com servidores ou magistrados. Falta empatia nas relações, algo que sempre foi essencial para a construção de uma boa convivência no meio jurídico.
EB – A polarização se instalou de uma forma muito intensa no ambiente político brasileiro após 2018. Os ideologia de direita se instalou (desde 2018) muito fortemente e a esquerda reage. Por conta disso, temos muitos embates institucionais, envolvendo as três esferas de poder e, como exemplo, podemos citar o episódio da judicialização do aumento do IOF, com interferência de um poder sobre o outro. Isso acaba envolvendo a advocacia, uma vez que isso proporciona o embate ideológico e, muitas vezes, resulta em demandas na esfera judicial. Como a senhora avalia esse momento para a advocacia?
Sandra Nilze – A polarização, infelizmente, tem sido um fator extremamente desgastante para a sociedade como um todo, e a advocacia não está imune a isso. Se fosse um debate saudável, com ideias divergentes, mas voltado à construção de soluções para o bem coletivo, seria enriquecedor. No entanto, o que temos visto é uma verdadeira “guerra fria” ideológica, marcada por extremismos, intolerância e ataques, muitas vezes pessoais, que pouco contribuem para o fortalecimento das instituições.
Esse cenário tem provocado uma crescente insegurança jurídica. A instabilidade entre os poderes, como no caso da judicialização do aumento do IOF, gera dúvidas quanto aos limites e às competências constitucionais de cada esfera, afetando diretamente a previsibilidade das decisões judiciais e, por consequência, a atuação da advocacia.
Além disso, o embate ideológico acaba se refletindo também no campo jurídico, com a politização de temas que deveriam ser tratados com neutralidade técnica. O advogado, nesse contexto, precisa redobrar seu compromisso ético e institucional, resistindo às pressões externas e mantendo o foco na defesa do Estado Democrático de Direito, independentemente do governo ou do viés ideológico do momento.
Estamos vivendo um tempo em que o exercício da advocacia exige não só conhecimento jurídico, mas também firmeza de princípios, equilíbrio emocional e coragem para sustentar a voz da razão em meio ao ruído da polarização.

Para Sandra Nilze, “o futuro da advocacia estará cada vez mais ligado à capacidade crítica e à responsabilidade ética do profissional”.
EB – Nos últimos anos, temos visto um aumento da litigiosidade em áreas como direito do consumidor e direito digital. Quais áreas da advocacia a senhora acredita que estarão em maior destaque nos próximos anos?
Sandra Nilze – Vejo o direito digital como uma das áreas mais promissoras para os próximos anos. Com o crescimento exponencial do uso das mídias sociais e a exposição massiva de dados e imagens, muitos direitos vêm sendo violados, o que tem gerado uma nova e crescente demanda por atuação jurídica especializada.
A legislação também tem evoluído para acompanhar essa realidade. Já contamos com marcos importantes, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o Marco Civil da Internet, a chamada Lei Carolina Dieckmann, além de dispositivos sobre stalking, cyberbullying e outros crimes virtuais. E o cenário é dinâmico, há novos projetos em andamento para dar conta da complexidade dos conflitos digitais.
O que torna esse nicho ainda mais relevante é o fato de que poucos advogados estão preparados ou verdadeiramente interessados em atuar nesse campo. Isso porque, além do domínio jurídico, a área exige também conhecimento técnico sobre o funcionamento do mundo digital. É um segmento que une inovação, necessidade social e boa perspectiva de renda, e, por isso, merece atenção de quem deseja se destacar na advocacia contemporânea.
EB – Outra característica da atualidade que envolve o exercício da advocacia é o ambiente criado pelas “Fake News”. Essa prática tem influenciado de maneira contundente as redes sociais e até mesmo os noticiários e, por isso, tem grande potencial de gerar demandas judiciais. A advocacia tem enfrentado desafios em relação ao papel das redes sociais na disseminação de informações jurídicas e no impacto disso sobre o processo judicial. Como a senhora enxerga esse fenômeno e quais são os limites éticos para a atuação de advogados no ambiente digital?
Sandra Nilze – A pandemia acelerou muitas transformações na advocacia, uma delas foi justamente a presença digital do advogado. Com as limitações de circulação e o distanciamento dos clientes, muitos profissionais se viram obrigados a se reinventar. As redes sociais, então, passaram a ser uma espécie de vitrine do trabalho jurídico, onde os advogados passaram a divulgar conteúdos informativos, esclarecer dúvidas comuns e manter uma conexão com o público.
No entanto, esse movimento também trouxe desafios. Junto com a expansão do conteúdo jurídico nas redes, veio a desinformação, seja por parte de leigos, seja até por profissionais que acabam ultrapassando os limites éticos para ganhar visibilidade. Infelizmente, as fakes news também chegaram ao universo jurídico, e isso pode comprometer a confiança no sistema de justiça e alimentar expectativas irreais nos clientes.
É fundamental lembrar que o advogado está submetido ao Código de Ética e Disciplina da OAB, que estabelece diretrizes claras sobre a publicidade profissional. A atuação no ambiente digital deve ser responsável, informativa, com linguagem acessível, mas sem transformar a advocacia em um produto de mercado. O limite está na postura: não cabe sensacionalismo, promessas de resultado ou exploração da dor alheia. O papel do advogado, mesmo nas redes sociais, é orientar com responsabilidade, contribuir para o acesso à informação de qualidade e preservar a credibilidade da profissão.
EB – Outra situação é a interferência entre poderes. Mais uma vez, a questão do IOF pode ser citada como exemplo. Afinal, o STF anulou os decretos do IOF, tanto do Planalto (do aumento) como do Congresso (suspensão do aumento). Comente a respeito.
Sandra Nilze – Esse episódio envolvendo o IOF é mais um reflexo da instabilidade que temos vivido nas relações entre os Poderes da República. A atuação do STF levanta uma discussão sensível sobre os limites de atuação de cada poder e sobre o papel do Judiciário como guardião da Constituição.
Embora o Supremo tenha o dever de garantir o equilíbrio institucional e a legalidade dos atos, situações como essa geram dúvidas na sociedade e na própria advocacia. Isso porque, quando o Judiciário passa a atuar de forma reiterada como moderador de embates políticos, corre-se o risco de fragilizar os próprios mecanismos democráticos, alimentando a sensação de insegurança jurídica.
Para a advocacia, o maior desafio nesse contexto é justamente a imprevisibilidade. A cada novo impasse entre os poderes, novas teses são judicializadas, o que exige do advogado um olhar atento, estratégico e, muitas vezes, ágil para lidar com cenários que mudam rapidamente. É um momento em que o compromisso com a Constituição deve ser o norte, e a atuação profissional precisa estar ainda mais alicerçada na ética e na técnica.
EB – O Ministério Público tem como função constitucional a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Porém, seus componentes (os Promotores de Justiça) são, muitas vezes, interpretados como ativistas jurídicos e com posturas ideológicas. Até que ponto essa questão (ativismo e ideologia no MP) pode influenciar o exercício da advocacia e a própria Justiça? Como é, hoje, o relacionamento da advocacia com o Ministério Público?
Sandra Nilze – O Ministério Público é uma instituição fundamental para o equilíbrio democrático, com papel relevante na proteção dos interesses coletivos e na fiscalização da legalidade. No entanto, assim como em qualquer outra carreira jurídica, a atuação dos seus membros deve ser guiada por critérios técnicos e constitucionais, e não por posicionamentos ideológicos.
Quando há excesso de ativismo jurídico por parte do MP, corre-se o risco de comprometer o princípio do devido processo legal, influenciar decisões de forma desequilibrada e até mesmo dificultar o trabalho da advocacia. Isso pode gerar tensões institucionais e desgastar a relação entre os profissionais do Direito.
Apesar disso, acredito que, na maioria das vezes, o relacionamento entre a advocacia e o Ministério Público é pautado pelo respeito institucional. Cada qual tem seu papel: o promotor não é inimigo do advogado, nem o advogado é um obstáculo à Justiça. Quando há diálogo, profissionalismo e respeito às garantias constitucionais, o sistema de justiça funciona de forma mais harmônica.
O desafio está em manter esse equilíbrio, sobretudo em tempos de polarização, onde é fácil confundir atuação firme com posicionamento ideológico. Cabe à advocacia seguir vigilante e técnica, sempre em defesa dos direitos fundamentais e da ordem jurídica.
EB – Sobre o Judiciário: Há o acúmulo de processos, insuficiência de juízes e estrutura física limitada. Qual a sua avaliação e o que fazer para melhorar?
Sandra Nilze – O nosso Judiciário enfrenta um déficit significativo de servidores e magistrados, o que tem provocado um acúmulo expressivo de processos. Essa sobrecarga impacta diretamente a sociedade como um todo: prejudica os cidadãos que aguardam a solução de suas demandas e também os advogados, que muitas vezes dependem da conclusão do processo para receber seus honorários.
Uma das alternativas que vem sendo adotada para aliviar esse cenário é a desjudicialização, com a transferência de determinadas demandas para a via extrajudicial. Essa é, sem dúvida, uma estratégia positiva, mas que ainda é insuficiente para resolver o problema da morosidade de forma estrutural.
É urgente ampliar o número de servidores e juízes, modernizar as estruturas físicas e tecnológicas e, principalmente, reforçar a fiscalização quanto ao cumprimento das metas de produtividade. Mais do que nunca, é preciso investir em eficiência, mas também em humanização do sistema, para que o acesso à justiça não seja apenas formal, mas efetivo e célere.
EB – Hoje a ideologia influencia fortemente a Educação, especialmente no nível superior. Até que ponto isso pode influenciar na advocacia, em sua opinião?
Sandra Nilze – A ideologia sempre esteve presente no meio acadêmico, e continuará existindo. No entanto, trata-se de um ambiente composto por adultos, nos quais se espera maturidade para analisar diferentes argumentos, refletir e formar suas próprias opiniões. A universidade, por natureza, é um espaço de debate, confronto de ideias e construção de pensamento crítico. Foi dentro dela que surgiram líderes, movimentos históricos e grandes transformações sociais.
É comum ouvirmos que o meio acadêmico tende para um lado ou outro do espectro político. Mas, para mim, a verdadeira riqueza da universidade está justamente em proporcionar o contato com múltiplas perspectivas, desde que estruturadas, fundamentadas, e inseridas em um contexto histórico que leve à reflexão sobre o presente e a construção de um futuro melhor.
Lamento profundamente que apenas uma pequena parcela da população tenha acesso ao ensino superior e à vivência dessa experiência tão transformadora, uma mistura de conhecimento, socialização, engajamento e ampliação de visão de mundo.
No curso de Direito, por exemplo, estudamos disciplinas como Filosofia, Sociologia e História das Leis. Esses conteúdos naturalmente despertam discussões ideológicas, pois tratam da forma como a sociedade se organiza, pune e protege. E essas discussões são fundamentais para a formação de juristas mais conscientes, mais empáticos e mais preparados. Afinal, esse estudante que hoje reflete sobre justiça e poder pode, amanhã, ser juiz, desembargador ou ministro. E é desejável que ele leve essa bagagem crítica e empática para onde for.
EB – Considerando o atual momento (marcado pela polarização, pelos posicionamentos ideológicos, pela politização no ensino, pela própria digitalização e a Inteligência Artificial), como a senhora vê o futuro da advocacia?
Sandra Nilze – A digitalização e o uso da Inteligência Artificial têm, sem dúvida, facilitado muito o exercício da advocacia. Ferramentas tecnológicas permitem mais agilidade no acesso à jurisprudência, na redação de peças e na gestão dos processos. No entanto, é preciso ter cautela. A IA ainda apresenta falhas, especialmente quando se trata de indicar referências jurídicas confiáveis, o que pode colocar o profissional em situações delicadas, caso não haja uma verificação cuidadosa das informações.
Por isso, acredito que o futuro da advocacia estará cada vez mais ligado à capacidade crítica e à responsabilidade ética do profissional. A tecnologia é uma aliada, mas não substitui o raciocínio jurídico, o olhar sensível para o caso concreto e, principalmente, o toque humano que só o advogado pode oferecer. Nenhuma máquina compreende as nuances de uma dor, de uma angústia, de uma injustiça como um ser humano preparado e comprometido com sua função social.
Além disso, vivemos um momento em que a polarização, a desinformação e a crise institucional exigem da advocacia uma postura firme, técnica e vigilante. O advogado continuará sendo indispensável na defesa da democracia, dos direitos fundamentais e do equilíbrio entre os poderes. Por mais que a tecnologia avance, a ética, o bom senso e o compromisso com a Justiça serão sempre insubstituíveis.
Portanto, vejo o futuro da advocacia como desafiador, mas também cheio de possibilidades, para quem estiver disposto a se atualizar, a se posicionar com responsabilidade e a exercer a profissão com consciência e propósito.
EB – A senhora compõe a ala mais jovem da advocacia em Tangará da Serra e, por isso, representa a renovação e quebra de paradigmas. Descreva sua atuação como advogada até aqui e, se quiser, cite casos emblemáticos/polêmicos em que atuou.
Sandra Nilze – Sim, sou uma jovem advogada. Peguei minha certidão no final de 2022 e, no início, comecei de forma bastante tímida. Na época, estava com uma bebê recém-nascida e enfrentava um processo de divórcio delicado, que me abalou profundamente no plano emocional. Mas foi justamente esse momento difícil que me despertou para o Direito de Família. Comecei a estudar com mais profundidade os julgados da área, os reflexos emocionais das decisões jurídicas e, sobretudo, o comportamento das pessoas diante da dissolução conjugal.
Durante esse período, me cerquei de pessoas queridas que me ofereceram apoio, e, curiosamente, grande parte delas eram advogadas ou envolvidas com o meio jurídico. A Dra. Wanessa Franchine, a Dra. Gleysi Garcia e a Dra. Mariana Golberto foram fundamentais nesse processo. Com esse apoio, passei a me aproximar da OAB, a frequentar os eventos, integrar comissões, ministrar palestras e produzir conteúdo para as redes sociais. Esse movimento me fortaleceu e abriu portas para parcerias e indicações, algo essencial para quem está no início da carreira.
Hoje, sou presidente da Comissão de Eventos da 10ª Subseção da OAB. Tenho um enorme carinho por essa função, pois sempre gostei de colaborar, organizar, participar ativamente. A comissão tem muito da minha essência, alegria, leveza, envolvimento e conexão. Estar dentro da OAB tem me proporcionado crescimento profissional, amizades valiosas e, principalmente, aquele brilho diário que só quem ama o que faz conhece.
No exercício da advocacia, continuo muito conectada com o Direito de Família, que é uma área repleta de complexidades, especialmente quando envolve filhos. Também traz momentos curiosos: recentemente atuei no divórcio de uma amiga de infância, de quem fui madrinha de casamento há muitos anos; já tive que correr para despachar diretamente com o juiz numa situação que a mãe impedia do pai passar o dia dos pais com os filhos; ou ainda estar fazendo o divórcio do casal, tudo acordado, petição pronta, e o casal na última hora se reconciliar. Situações como essas nos lembram que a vida dá voltas, e que o Direito, mais do que técnica, exige empatia, escuta e sensibilidade.
Quando olho para as comissões atuais da OAB de Tangará, vejo que grande parte são formadas por jovens advogados. São advogados que querem atuar, estão dispostos a trabalhar pela subseção, que não medem esforços para estarem presentes, para dividirem e adquirem mais conhecimentos. São estes advogados que estão modernizando o modo de atuar na advocacia; trazendo um olhar diferente e dinâmico; fomentando mudanças e questionando os modos operantes.
EB – Deixe sua mensagem à advocacia.
Sandra Nilze – A advocacia é, antes de tudo, uma escolha diária. Escolha de enfrentar os desafios com ética, estudar com disciplina, ouvir com empatia e atuar com coragem. É um caminho que exige constância, mas também oferece inúmeras recompensas, não só financeiras, mas humanas, emocionais e sociais.
Aos que estão começando, como eu, digo: é normal sentir medo, é normal duvidar. Mas não deixem que isso paralise vocês. Busquem apoio, criem laços, participem da OAB, estejam próximos de quem fortalece. A advocacia não se constrói sozinha, ela se nutre da troca, da confiança, da parceria.
E aos que já estão há mais tempo na estrada, peço: acolham a jovem advocacia. Compartilhem suas experiências, orientem com generosidade, abram espaços. Somos todos peças de um mesmo sistema que só funciona bem quando há respeito, diálogo e união.
Seja qual for a sua área, nunca se esqueça de que somos instrumentos de justiça. Que nossa atuação, mesmo em meio à tecnologia e às transformações do mundo, nunca perca o que há de mais valioso: o nosso olhar humano.
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