Uma comitiva de Tangará da Serra participou na última sexta-feira, 15, em Nortelândia, da assembleia do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai (CIDES ARP), reafirmando a adesão do município às políticas públicas regionais desenvolvidas pelo Consórcio.
Participaram da reunião o vice-prefeito e secretário de Infraestrutura, Marcos Scolari, a primeira-dama, Silvana Lo Masson e o secretário de Indústria, Comércio e Serviços, Sílvio Sommavilla. Na ocasião, o prefeito de Nortelândia, Zema Fernandes, foi reeleito presidente do Consórcio por unanimidade.
Primeira-dama, Silvana Masson, o vice-prefeito Marcos Scolari e o secretário Silvio Sommavilla representaram Tangará no encontro.
O primeiro benefício que o Município terá nos próximos dias será a manutenção da MT-358, que corta a região do Chapadão do Rio Verde, através de um convênio entre o Consórcio e o Governo do Estado. “Tangará da Serra deixa de ser uma ilha e se junta aos municípios da região para traçar metas e objetivos em comum em várias áreas. O Consórcio existe desde 2005, mas é pouco utilizado pelo município”, garante Sílvio Sommavilla.
Ao defender a inovação como instrumento importante para o desenvolvimento regional, o secretário defende ainda o associativismo e o cooperativismo, promovendo sustentabilidade com o aproveitamento das tecnologias existentes e que, se utilizadas da forma correta, tornam as cidades referências.
“O Consórcio é a garantia de que conseguiremos desenvolver e melhorar a vida das pessoas com ações integradas”, defende o vice-prefeito Marcos Scolari, que representou o prefeito Vander Masson na assembleia do CIDES ARP.
Já a primeira-dama, que colabora com várias Secretarias e também participou da assembleia, Tangará precisa se integrar à região e desenvolver-se de uma forma planejada para que o Turismo também seja fortalecido com a coordenação da instância da governança regional.
Fazem parte do Consórcio, além de Tangará da Serra, os municípios de Alto Paraguai, Barra do Bugres, Campo Novo do Parecis, Diamantino, Nortelândia, Nova Marilândia, Nova Maringá, Nova Olímpia, Porto Estrela, Santo Afonso e São José do Rio Claro.
O leite é um dos alimentos mais antigos incorporados à alimentação humana e acompanha a própria evolução das sociedades. Seu consumo começou há milhares de anos, ainda no período Neolítico, quando os seres humanos passaram a domesticar animais e a desenvolver formas mais permanentes de produção de alimentos.
Vestígios arqueológicos encontrados em antigas cerâmicas indicam que o consumo de leite e de seus derivados já fazia parte da vida de comunidades do Oriente Médio e de outras regiões do Crescente Fértil há pelo menos 10 mil anos. A criação de ovelhas, cabras e bovinos ampliou as possibilidades de aproveitamento dos animais, incorporando o leite à alimentação cotidiana.
Em Tangará da Serra, o leite também representa uma importante atividade da agricultura familiar. Além do produto in natura, a produção leiteira dá origem a uma variedade de alimentos de grande aceitação no mercado, como queijos, requeijões, doces, nata e outros derivados.
Na Feira do Produtor do Centro, o leite está entre os produtos procurados pelos consumidores. Vendido in natura, chega à feira em quantidade considerável e, segundo os próprios feirantes, costuma ter boa procura. Os derivados também conquistam espaço entre os consumidores.
Um dos feirantes que comercializa leite e derivados é Valdeci Ferraz Aquino (na foto abaixo, em seu box), presidente da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet). Ele confirma a procura pelo produto.
“Se o consumidor não chegar cedo, pode ficar sem o leite, porque vende muito bem”, revela.
Entre as principais regiões produtoras de leite do município estão a Linha 12, Córrego das Pedras, Acampamento e Gleba Bandeirantes. O rebanho leiteiro é formado principalmente por animais da raça Girolando, conhecida pela aptidão para a produção de leite e pela adaptação às condições climáticas brasileiras.
Benefícios
O leite e seus derivados integram um grupo de alimentos de importante valor nutricional. São fontes de proteínas e cálcio e também fornecem minerais como fósforo e potássio, além de vitaminas.
O cálcio presente nos alimentos lácteos apresenta elevada biodisponibilidade, o que significa que pode ser bem aproveitado pelo organismo. Por isso, o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação associada à manutenção da saúde óssea e ao fornecimento de proteínas importantes para a formação e manutenção da massa muscular.
A quantidade e a frequência adequadas de consumo, entretanto, variam conforme a idade, as necessidades nutricionais e as condições individuais de cada pessoa.
A “cachorrada”
O leite faz parte da alimentação de muitas pessoas desde a infância. Por isso, também está presente em lembranças, histórias e tradições familiares. É o caso de Valdeci Ferraz Aquino, que transformou uma lembrança da infância em um dos produtos que hoje comercializa na feira.
Era 1969. Valdeci ainda era criança e acompanhava os pais, Dona Noemi e ‘Seo’ Juanir, na rotina da propriedade rural da família, no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.
Numa manhã, Dona Noemi colocou para ferver uma grande panela de leite recém-ordenhado das vacas da propriedade. Naquele dia, porém, algo saiu diferente do esperado: o leite coalhou.
Para não desperdiçar o produto, Dona Noemi acrescentou açúcar à coalhada e improvisou um doce. O que poderia ter sido apenas uma solução para aproveitar o leite acabou se transformando em uma tradição culinária da família.
Quando voltou da lida, Juanir entrou na cozinha e pediu leite para beber. A resposta da esposa foi direta: “Coalhou!”
Frustrado, Juanir reagiu: “Que cachorrada!”
E o nome ficou.
Décadas depois, a “cachorrada” é um dos produtos comercializados por Valdeci e sua esposa, Dª Cleide, no Box 81 da Feira do Produtor do Centro. Semelhante à ambrosia, mas preparada sem a adição de ovos, o doce mantém a receita que nasceu de uma situação corriqueira na propriedade da família e hoje desperta a curiosidade e o paladar dos frequentadores da feira.
Morador da localidade do Acampamento, Valdeci também oferece leite de vaca, queijo, doce pastoso, doce em cubos e nata.
Assim, entre o leite que chega fresco à banca e os produtos que carregam receitas transmitidas ao longo do tempo, a feira preserva não apenas uma tradição alimentar, mas também um pouco da memória de quem vive da produção rural.