A Operação Catalunha, deflagrada nesta quarta-feira (15) pela Polícia Civil de Mato Grosso em Tangará da Serra, é resultado de uma investigação iniciada ainda em 2025 e representa um desdobramento direto de ações anteriores de repressão ao crime organizado no município.
De acordo com as informações apuradas, o avanço das investigações ocorreu após o cumprimento de mandados de busca e apreensão em dezembro do ano passado. A partir dessa ação, foram obtidos elementos que permitiram identificar novos integrantes do grupo criminoso e aprofundar as diligências.
Com base nesse material, equipes da Delegacia Regional e da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da 1ª Delegacia de Polícia iniciaram, em janeiro de 2026, uma nova fase investigativa, conduzida pelo setor de inteligência, com foco na atuação de uma organização estruturada voltada ao tráfico de drogas e à associação para o tráfico.
As ordens judiciais foram expedidas pela Comarca local, com parecer favorável do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, tendo como alvos investigados na região do bairro Barcelona.
R$ 460 mil apreendidos
Durante a ofensiva, foram expedidos 16 mandados de prisão preventiva, com cumprimento de nove alvos. A ação resultou em quatro prisões em flagrante e na lavratura de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).

Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão, que resultaram em novas prisões em flagrante e um TCO.
Entre os materiais apreendidos estão porções de maconha e pasta-base de cocaína, uma carabina e aproximadamente R$ 460 mil em dinheiro.
A operação mobilizou cerca de 60 policiais civis, 15 viaturas e contou com apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas.
Reflexos no Judiciário
O resultado da operação e os elementos levantados durante a investigação reforçam a discussão sobre a necessidade de implantação de uma vara especializada no combate ao crime organizado na Comarca de Tangará da Serra. A possibilidade vem sendo analisada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
A proposta está relacionada à presença de organizações criminosas na região, influenciada, entre outros fatores, pela proximidade com a fronteira entre Mato Grosso e Bolívia — área considerada estratégica para o tráfico de drogas.
Região de fronteira e dinâmica criminal
A faixa de fronteira entre Mato Grosso e Bolívia apresenta desafios históricos de fiscalização, em razão da extensão territorial e da baixa densidade populacional.

Esse cenário favorece a utilização da região como rota para o escoamento de drogas, especialmente cocaína e pasta-base, destinadas a diferentes mercados. Também há registros de crimes associados, como furtos de veículos e circulação de indivíduos investigados por participação em organizações criminosas.
Investigações conduzidas por forças de segurança, como a Polícia Federal do Brasil, a Polícia Civil e a Polícia Militar, apontam para a existência de estruturas logísticas de apoio, incluindo pistas de pouso clandestinas e atuação de grupos armados.
Estruturação judicial
A eventual criação de uma vara especializada integra o processo de reestruturação do TJMT, que tem buscado ampliar a especialização de unidades judiciais como estratégia para o enfrentamento de crimes complexos, especialmente aqueles relacionados ao crime organizado.
(Fotos: PJC)