Com investimento inicial de R$ 2,68 milhões, município dará início ao processo para implantação de estrutura que permitirá o abate inspecionado e ampliará a segurança alimentar da população
Nova Olímpia está mais próxima de concretizar um antigo projeto considerado estratégico para o município: a construção de um abatedouro devidamente inspecionado, estrutura que deverá garantir maior segurança sanitária à carne consumida pela população e fortalecer a cadeia produtiva local.
Os recursos para a primeira etapa da obra já estão empenhados. São R$ 2.686.608,31, valor correspondente a 50% do orçamento total previsto para o empreendimento. A verba é oriunda do Governo Federal, por meio de emenda parlamentar do senador Carlos Fávaro. A segunda etapa dos recursos deverá ser empenhada posteriormente, completando o investimento necessário à execução do projeto.
A viabilização do empreendimento ocorreu a partir da articulação da Prefeitura de Nova Olímpia, por meio do prefeito Ari Cândido Batista, o Arizão, que buscou junto ao senador a destinação dos recursos para a obra. A iniciativa foi construída em tratativas realizadas em Brasília, com apoio do parlamentar para inclusão do município no programa de investimentos.
“Essa é uma conquista para Nova Olímpia em seus 40 anos, uma bandeira que defendemos desde quando eu era vereador e que agora podemos comemorar”, declarou o prefeito.
Arizão e senador Carlos Fávaro; Articulação para melhoria da qualidade de vida em Nova Olímpia.
Arizão destacou, ainda, que o abatedouro municipal atenderá demandas de pequenos produtores e agricultores familiares. “A implantação do abatedouro coloca Nova Olímpia diante de uma nova perspectiva para a produção pecuária local, agregando valor ao setor e criando uma estrutura permanente voltada ao desenvolvimento econômico e à saúde pública”, acrescentou.
A expectativa é que o edital para contratação da obra seja lançado em julho. Após a conclusão do processo licitatório e o início da execução, a previsão é de que a estrutura esteja pronta para funcionamento em até um ano.
Demanda antiga
Mais do que uma obra de infraestrutura, o novo abatedouro representa a solução de uma demanda histórica de Nova Olímpia. Atualmente, o município não dispõe de uma estrutura própria para abate com inspeção sanitária, situação que limita a organização da cadeia da carne e representa um desafio para garantir padrões adequados de segurança alimentar.
Com o funcionamento do empreendimento, a população deverá ser beneficiada diretamente, com maior garantia de qualidade e procedência da carne comercializada no município. Além do aspecto sanitário, a estrutura também poderá estimular a economia local, movimentando produtores rurais, fornecedores, comerciantes e demais segmentos ligados à cadeia pecuária.
O projeto prevê a definição da capacidade operacional e do porte da unidade, bem como dos critérios de inspeção sanitária que serão adotados — informações que serão detalhadas nos próximos dias pela administração municipal.
O leite é um dos alimentos mais antigos incorporados à alimentação humana e acompanha a própria evolução das sociedades. Seu consumo começou há milhares de anos, ainda no período Neolítico, quando os seres humanos passaram a domesticar animais e a desenvolver formas mais permanentes de produção de alimentos.
Vestígios arqueológicos encontrados em antigas cerâmicas indicam que o consumo de leite e de seus derivados já fazia parte da vida de comunidades do Oriente Médio e de outras regiões do Crescente Fértil há pelo menos 10 mil anos. A criação de ovelhas, cabras e bovinos ampliou as possibilidades de aproveitamento dos animais, incorporando o leite à alimentação cotidiana.
Em Tangará da Serra, o leite também representa uma importante atividade da agricultura familiar. Além do produto in natura, a produção leiteira dá origem a uma variedade de alimentos de grande aceitação no mercado, como queijos, requeijões, doces, nata e outros derivados.
Na Feira do Produtor do Centro, o leite está entre os produtos procurados pelos consumidores. Vendido in natura, chega à feira em quantidade considerável e, segundo os próprios feirantes, costuma ter boa procura. Os derivados também conquistam espaço entre os consumidores.
Um dos feirantes que comercializa leite e derivados é Valdeci Ferraz Aquino (na foto abaixo, em seu box), presidente da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet). Ele confirma a procura pelo produto.
“Se o consumidor não chegar cedo, pode ficar sem o leite, porque vende muito bem”, revela.
Entre as principais regiões produtoras de leite do município estão a Linha 12, Córrego das Pedras, Acampamento e Gleba Bandeirantes. O rebanho leiteiro é formado principalmente por animais da raça Girolando, conhecida pela aptidão para a produção de leite e pela adaptação às condições climáticas brasileiras.
Benefícios
O leite e seus derivados integram um grupo de alimentos de importante valor nutricional. São fontes de proteínas e cálcio e também fornecem minerais como fósforo e potássio, além de vitaminas.
O cálcio presente nos alimentos lácteos apresenta elevada biodisponibilidade, o que significa que pode ser bem aproveitado pelo organismo. Por isso, o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação associada à manutenção da saúde óssea e ao fornecimento de proteínas importantes para a formação e manutenção da massa muscular.
A quantidade e a frequência adequadas de consumo, entretanto, variam conforme a idade, as necessidades nutricionais e as condições individuais de cada pessoa.
A “cachorrada”
O leite faz parte da alimentação de muitas pessoas desde a infância. Por isso, também está presente em lembranças, histórias e tradições familiares. É o caso de Valdeci Ferraz Aquino, que transformou uma lembrança da infância em um dos produtos que hoje comercializa na feira.
Era 1969. Valdeci ainda era criança e acompanhava os pais, Dona Noemi e ‘Seo’ Juanir, na rotina da propriedade rural da família, no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.
Numa manhã, Dona Noemi colocou para ferver uma grande panela de leite recém-ordenhado das vacas da propriedade. Naquele dia, porém, algo saiu diferente do esperado: o leite coalhou.
Para não desperdiçar o produto, Dona Noemi acrescentou açúcar à coalhada e improvisou um doce. O que poderia ter sido apenas uma solução para aproveitar o leite acabou se transformando em uma tradição culinária da família.
Quando voltou da lida, Juanir entrou na cozinha e pediu leite para beber. A resposta da esposa foi direta: “Coalhou!”
Frustrado, Juanir reagiu: “Que cachorrada!”
E o nome ficou.
Décadas depois, a “cachorrada” é um dos produtos comercializados por Valdeci e sua esposa, Dª Cleide, no Box 81 da Feira do Produtor do Centro. Semelhante à ambrosia, mas preparada sem a adição de ovos, o doce mantém a receita que nasceu de uma situação corriqueira na propriedade da família e hoje desperta a curiosidade e o paladar dos frequentadores da feira.
Morador da localidade do Acampamento, Valdeci também oferece leite de vaca, queijo, doce pastoso, doce em cubos e nata.
Assim, entre o leite que chega fresco à banca e os produtos que carregam receitas transmitidas ao longo do tempo, a feira preserva não apenas uma tradição alimentar, mas também um pouco da memória de quem vive da produção rural.