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MT já registra 51 feminicídios no ano. Violência atinge 3,7 milhões de mulheres no Brasil

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Mato Grosso já registra 51 feminicídios neste ano de 2025, superando o total registrado em todo o ano anterior, que somou 47 casos.

O 51º caso investigado no estado aconteceu na madrugada do último domingo, em Sinop, onde Gislaine Ferreira da Silva, de 33 anos, foi morta a facadas pelo companheiro depois de uma discussão. O caso anterior, de número 50, foi registrado na última sexta-feira, em Guarantã do Norte, onde Júlia Barbieri, de 22 anos, foi morta, pelo companheiro, que suicidou em seguida.

A violência contra a mulher é uma realidade preocupante e os números aumentam ano após ano. O estado tem registrado uma média alarmante de mais de uma morte por semana, considerando que o ano está na 48ª semana.

Em 2024, Mato Grosso já figurava pelo segundo ano consecutivo na liderança no ranking nacional de assassinatos de mulheres por motivação de gênero.

Estado de exceção

Diante desse quadro, os deputados estaduais Janaina Riva, do MDB, e Gilberto Cattani, do PL, criticaram o aumento da violência e lamentaram a ineficácia das políticas atuais, exigindo uma mudança de abordagem.

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Janaina afirmou que Mato Grosso está vivendo em um “estado de exceção” e cobrou medidas excepcionais e maior capacitação das forças de segurança.

Já o deputado Cattani afirmou que todas as políticas feitas até agora não deram certo. “Os números mostram que alguma coisa está errada, estamos errando em algum lugar”, lamentou o parlamentar.

País em alerta

Os dados consolidados de feminicídios no Brasil em 2025 ainda não estão disponíveis, mas os dados disponibilizados de 2024 indicam um recorde de casos no país.

Ano passado, o Brasil registrou entre 1.450 e 1.492 feminicídios, o maior número desde a tipificação do crime, em 2015. Houve um aumento de aproximadamente 0,7% a 1% em relação a 2023. Isso representa uma média de cerca de quatro mulheres assassinadas por dia no país.

Em 64% dos casos, as vítimas eram mulheres negras, e a maioria dos crimes ocorreu dentro de casa, cometidos por companheiros ou ex-companheiros.

Relatos parciais de 2025 indicam que a situação permanece preocupante. No primeiro semestre de 2025, somente no estado de São Paulo, até maio, houve 108 feminicídios.

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Dados do DataSenado de 2025 revelam que 3,7 milhões de mulheres foram vítimas de violência no ano no país.

O Instituto Fogo Cruzado reportou que, até meados de agosto de 2025, pelo menos 29 mulheres em 57 municípios foram vítimas de feminicídio ou tentativa de feminicídio com arma de fogo.

Comparação

A comparação exata entre 2024 e 2025 será possível apenas quando os dados consolidados do ano atual forem publicados por órgãos oficiais, como o Ministério das Mulheres e o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o que deve ocorrer apenas em 2026.

No momento, porém, os dados parciais de 2025 sugerem que o problema persiste em níveis alarmantes, com alguns estados – como Mato Grosso – registrando recordes locais.

(Redação EB, com informações de Sapicuá RN e Web)

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Feira do Centro oferece o sabor e a tradição do leite natural e seus derivados

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O leite é um dos alimentos mais antigos incorporados à alimentação humana e acompanha a própria evolução das sociedades. Seu consumo começou há milhares de anos, ainda no período Neolítico, quando os seres humanos passaram a domesticar animais e a desenvolver formas mais permanentes de produção de alimentos.

Vestígios arqueológicos encontrados em antigas cerâmicas indicam que o consumo de leite e de seus derivados já fazia parte da vida de comunidades do Oriente Médio e de outras regiões do Crescente Fértil há pelo menos 10 mil anos. A criação de ovelhas, cabras e bovinos ampliou as possibilidades de aproveitamento dos animais, incorporando o leite à alimentação cotidiana.

Em Tangará da Serra, o leite também representa uma importante atividade da agricultura familiar. Além do produto in natura, a produção leiteira dá origem a uma variedade de alimentos de grande aceitação no mercado, como queijos, requeijões, doces, nata e outros derivados.

Na Feira do Produtor do Centro, o leite está entre os produtos procurados pelos consumidores. Vendido in natura, chega à feira em quantidade considerável e, segundo os próprios feirantes, costuma ter boa procura. Os derivados também conquistam espaço entre os consumidores.

Um dos feirantes que comercializa leite e derivados é Valdeci Ferraz Aquino (na foto abaixo, em seu box), presidente da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet). Ele confirma a procura pelo produto.

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“Se o consumidor não chegar cedo, pode ficar sem o leite, porque vende muito bem”, revela.

Entre as principais regiões produtoras de leite do município estão a Linha 12, Córrego das Pedras, Acampamento e Gleba Bandeirantes. O rebanho leiteiro é formado principalmente por animais da raça Girolando, conhecida pela aptidão para a produção de leite e pela adaptação às condições climáticas brasileiras.

Benefícios

O leite e seus derivados integram um grupo de alimentos de importante valor nutricional. São fontes de proteínas e cálcio e também fornecem minerais como fósforo e potássio, além de vitaminas.

O cálcio presente nos alimentos lácteos apresenta elevada biodisponibilidade, o que significa que pode ser bem aproveitado pelo organismo. Por isso, o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação associada à manutenção da saúde óssea e ao fornecimento de proteínas importantes para a formação e manutenção da massa muscular.

A quantidade e a frequência adequadas de consumo, entretanto, variam conforme a idade, as necessidades nutricionais e as condições individuais de cada pessoa.

A “cachorrada”

O leite faz parte da alimentação de muitas pessoas desde a infância. Por isso, também está presente em lembranças, histórias e tradições familiares. É o caso de Valdeci Ferraz Aquino, que transformou uma lembrança da infância em um dos produtos que hoje comercializa na feira.

Era 1969. Valdeci ainda era criança e acompanhava os pais, Dona Noemi e ‘Seo’ Juanir, na rotina da propriedade rural da família, no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.

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Numa manhã, Dona Noemi colocou para ferver uma grande panela de leite recém-ordenhado das vacas da propriedade. Naquele dia, porém, algo saiu diferente do esperado: o leite coalhou.

Para não desperdiçar o produto, Dona Noemi acrescentou açúcar à coalhada e improvisou um doce. O que poderia ter sido apenas uma solução para aproveitar o leite acabou se transformando em uma tradição culinária da família.

Quando voltou da lida, Juanir entrou na cozinha e pediu leite para beber. A resposta da esposa foi direta: “Coalhou!”

Frustrado, Juanir reagiu: “Que cachorrada!”

E o nome ficou.

Décadas depois, a “cachorrada” é um dos produtos comercializados por Valdeci e sua esposa, Dª Cleide, no Box 81 da Feira do Produtor do Centro. Semelhante à ambrosia, mas preparada sem a adição de ovos, o doce mantém a receita que nasceu de uma situação corriqueira na propriedade da família e hoje desperta a curiosidade e o paladar dos frequentadores da feira.

Morador da localidade do Acampamento, Valdeci também oferece leite de vaca, queijo, doce pastoso, doce em cubos e nata.

Assim, entre o leite que chega fresco à banca e os produtos que carregam receitas transmitidas ao longo do tempo, a feira preserva não apenas uma tradição alimentar, mas também um pouco da memória de quem vive da produção rural.

(*) Assista ao vídeo:

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