Na última edição do Momento Agrícola deste ano, o engenheiro agrônomo e consultor Ricardo Arioli Silva traz, como de costume, abordagens de temas relevantes no Agro brasileiro e mundial.
No primeiro bloco, Arioli destaca os números do Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes em Produtos de Origem Vegetal (PNCRC), conduzido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Segundo números do PNCRC, 92% das amostras de produtos vegetais consumidos no país (nacionais e importados) são seguras para consumo.
Segundo números do PNCRC, 92% das amostras de produtos vegetais consumidos no país (nacionais e importados) são seguras para consumo, enquanto 7% dos produtos apresentam inconformidades com pesticidas e 1% com contaminantes. Os índices, segundo o MAPA, são similares aos da Europa e dos Estados Unidos.
Etanol em 2020
Outra abordagem do Momento Agrícola deste final de semana diz respeito ao “céu de brigadeiro” para o etanol no Brasil para o ano de 2020. A produção do biocombustível para o novo ano está estimada em 33,5 bilhões de litros, contra 31 bilhões de litros neste ano de 2019.
Uma tecnologia para controle de irrigação desenvolvida pela Universidade Federal de Viçosa (MG) foi premiada recentemente em evento sobre o Agro nos Estados Unidos. A tecnologia é da startup Irriger (www.irriger.com.br), que integra uma joint venture com a multinacional Valmont Company, que produz os pivôs Valley.
Outras
Nos terceiro e quarto blocos, Ricardo Arioli conversa com o consultor e diretor da LucrodoAgro, Eduardo Lima Porto, sobre a questão dos impostos sobre royalties e a falta de transparência na metodologia da cobrança da contrapartida remuneratória pelo desenvolvimento da tecnologia.
Arioli e Porto também abordam as dificuldades de manutenção da lucratividade dos produtores rurais, assim como os riscos sempre presentes nas atividades do Agro.
No último bloco, o Momento Agrícola traz outras notícias comentadas, com destaque para novas informações sobre a ebulição econômica na Argentina e o aumento das chamadas ‘retenciones’ estabelecidas pelo governo do país vizinho.
Para ouvir o Momento Agrícola na íntegra, clique abaixo.
Estado deve semear cerca de 13 milhões de hectares na safra 2026/27, mas produtores enfrentam custos elevados, crédito restrito e maior risco climático
O plantio da soja da safra 2026/27 estará autorizado em Mato Grosso a partir da próxima segunda-feira (7), um dia após o encerramento oficial do vazio sanitário no estado. A nova temporada começa com expectativa de cultivo de aproximadamente 13 milhões de hectares, mas também sob cautela diante da possibilidade de chuvas irregulares, períodos de estiagem e temperaturas acima da média.
O cenário foi destacado pelo jornalista Olmir Cividini, de Tangará da Serra, na edição desta sexta-feira (04.09) da coluna Circuito Rural. Segundo ele, o calendário agrícola abre espaço para uma nova safra de soja, mas não elimina a necessidade de avaliar cuidadosamente as condições de umidade do solo antes da semeadura.
A projeção do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta área de 13,05 milhões de hectares para a soja em Mato Grosso, com produtividade estimada em 62,44 sacas por hectare. Caso essas estimativas se confirmem, a produção estadual poderá alcançar 48,88 milhões de toneladas, abaixo do recorde registrado no ciclo anterior.
No âmbito nacional, a Agroconsult estima uma área próxima de 49 milhões de hectares para a soja em 2026/27, praticamente estável em relação à temporada passada. A desaceleração interrompe, ao menos temporariamente, o ritmo de expansão observado em anos anteriores e reflete um ambiente mais pressionado para o produtor, marcado por custos elevados, crédito mais caro e restrito, endividamento e margens menores.
“A conta do produtor ficou mais apertada”, observa Olmir Cividini na coluna Circuito Rural, ao avaliar os fatores que reduziram o ritmo de crescimento da área cultivada.
El Niño amplia a incerteza sobre a safra
Além da situação financeira das propriedades, o comportamento do clima aparece como um dos principais fatores de risco para o novo ciclo. Boletim divulgado em 1º de setembro pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em conjunto com instituições como INPE, ANA e Cemaden, indica probabilidade superior a 90% de um El Niño muito forte no trimestre formado por setembro, outubro e novembro.
Combinação de calor e estiagem também pode prolongar o período de transição entre a estação seca e a chuvosa, mantendo o solo mais seco e aumentando o risco de queimadas.
De acordo com o documento, a influência do fenômeno tende a favorecer volumes de chuva acima da média no Sul do país, enquanto partes do Centro-Norte, incluindo Mato Grosso, apresentam maior probabilidade de precipitações abaixo do normal e temperaturas elevadas. A combinação de calor e estiagem também pode prolongar o período de transição entre a estação seca e a chuvosa, mantendo o solo mais seco e aumentando o risco de queimadas.
Na avaliação apresentada por Cividini, as pancadas de chuva registradas nos últimos dias, especialmente no oeste de Mato Grosso, melhoram temporariamente a umidade do solo e reduzem o risco de incêndios. No entanto, não devem ser interpretadas automaticamente como o início consolidado da estação chuvosa.
A meteorologia prevê novas pancadas na primeira quinzena de setembro, mas também alerta para a possibilidade de retorno da seca no restante do mês e nos períodos seguintes. Esse comportamento pode favorecer o chamado veranico, quando uma sequência de dias quentes e secos ocorre logo após o início das chuvas.
O risco para o agricultor está na possibilidade de a semente germinar após uma chuva isolada e, em seguida, enfrentar falta de água durante os primeiros estágios de desenvolvimento. Nessa fase, a irregularidade das precipitações pode comprometer o estabelecimento das plantas e reduzir o potencial produtivo das lavouras.
O próprio Imea reforçou que mais importante do que o volume acumulado de chuva será a regularidade e a distribuição das precipitações ao longo do ciclo. Em análise publicada às vésperas do início do plantio, o instituto destacou que as condições de umidade do solo deverão orientar o avanço da semeadura e que a intensidade do El Niño já está incorporada às estimativas da nova safra.
Para Olmir Cividini, o principal desafio da temporada é conciliar uma área extensa a ser plantada com um ambiente climático menos previsível. “Não se pode simplesmente olhar para o calendário e dizer: chegou setembro, então é hora de colocar a semente no chão. Não é tão simples”, afirmou o jornalista na edição desta sexta-feira da coluna Circuito Rural.
A recomendação implícita no alerta é que o produtor acompanhe a evolução das chuvas e evite decisões baseadas apenas em uma precipitação pontual. Em uma safra marcada por margens mais estreitas e maior custo financeiro, o momento de plantio e a capacidade de atravessar eventuais períodos de restrição hídrica serão determinantes para o resultado econômico das propriedades.