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Agronegócio & Produção

Momento Agrícola: COP 28, frutas brasileiras e entrevistas são os destaques da edição

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As discussões na COP 28 e as declarações maliciosas dos líderes mundiais sobre as mudanças climáticas, a assertividade do discurso do presidente do Paraguai, Santiago Peña, na conferência, o destaque das frutas brasileiras nas exportações e as entrevistas numa edição produzida diretamente dos Estados Unidos são as atrações do Momento Agrícola deste sábado, dia 09 de dezembro.

De autoria do produtor rural, agrônomo e consultor Ricardo Arioli, o Momento Agrícola é um programa veiculado aos sábados pela rede de rádios do Agro – entre elas a Enfoque Rádio Web – e repercutido em forma de notícias e com podcast Soundcloud pelo Enfoque Business, também aos finais de semana.

Assertividade de Peña

O assunto de abertura do Momento Agrícola desse final de semana é a COP 28 (28ª Conferência de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas), que é realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos desde 30 de novembro, com encerramento no próximo dia 12.

A delegação do Brasil na COP-28 tem 1.337 pessoas, sendo a maior comitiva do evento.

Peña: “Os países em desenvolvimento não podem adiar seus crescimentos devido a exigências unilaterais que beiram a arbitrariedade”.

Destaque para o presidente do Paraguai, Santiago Peña, que discursou na conferência no último dia 1º. Ele foi bastante crítico em relação aos conceitos e exigências ambientais dos europeus que colocam em risco o comércio dos países da região sul-americana.

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O mandatário paraguaio destacou que as medidas de proteção ambiental devem ser, sim, “rigorosas e justas”, mas apelou à “simplificação dos processos e à eliminação das barreiras que impedem o acesso aos fundos climáticos”.

Peña ressaltou que “os países em desenvolvimento não podem adiar seus crescimentos devido a exigências unilaterais que beiram a arbitrariedade”, enfatizando, em seguida, a importância “de promover uma abordagem mais equitativa e não punitiva aos desafios” enfrentados nas questões climáticas.

Ricardo Arioli enalteceu o teor do discurso do presidente do Paraguay, afirmando que ele (Peña) “nos representa”. Arioli também disse ser uma “peña” que os países do Mercosul não estejam alinhados “uma comunicação e reação comuns contra esses absurdos que vem da Europa, principalmente contra a nossa agropecuária, de países de altas emissões que não reconhecem os nossos avanços de uma agricultura cada vez mais sustentável e associada à proteção ambiental dentro das nossas propriedades”.

Outras

Ainda no primeiro bloco, Ricardo Arioli discorre sobre as declarações maliciosas dos líderes mundiais sobre as mudanças climáticas, e as frutas brasileiras, que são destaque nas exportações.

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Além de outras notícias comentadas, o Momento Agrícola traz os tradicionais blocos de entrevistas, abordando, num deles, “A Qualidade da Semente de Soja”, com Nélson Croda, da APROSMAT.

No terceiro e quarto blocos, entrevista com os deputados Alceu Moreira e Pedro Lupion, que falam do que viram no Congresso da Associação de Sementes dos Estados Unidos, comparando com o que podemos fazer no Brasil. Em, pauta os temas “Biodiesel, Diesel Verde e Mercado de Carbono”, no 3º bloco, e “Inovação e Inteligência Artificial no Agro”, no 4º e último bloco.

Para ouvir o Momento Agrícola na Íntegra, clique no podcast abaixo ou acesse a Enfoque Rádio Web, na parte superior da página deste site. O programa vai ao ar aos sábados, a partir das 07h00, com reprise aos domingos, no mesmo horário.

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Agronegócio & Produção

Entre o clima atípico e a soberania dos insumos: os desafios do agro em Mato Grosso

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O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.

Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.  

Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão

Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.

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A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.

Fertilizantes: dependência que preocupa

Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.

A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.

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Soberania vs. custo imediato

O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.

Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.

(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo:

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