TANGARÁ DA SERRA
Pesquisar
Close this search box.

Economia & Mercado

Fechamento da Casas Bahia em Tangará expõe alerta maior para economia regional

Publicado em

Encerramento da loja local integra corte de 298 unidades no país e ocorre em momento de juros altos, crédito restrito e pressão simultânea sobre o comércio e o agronegócio

O fechamento da loja física das Casas Bahia em Tangará da Serra vai além do encerramento das atividades de uma grande rede varejista no município. O fato local integra uma ampla reestruturação nacional da companhia, que fechou 298 lojas no Brasil, equivalente a 28,7% de sua rede, em meio à necessidade de reduzir despesas e reequilibrar suas operações.

O impacto direto em Tangará ainda está sendo dimensionado. A estimativa inicial é de que cerca de duas dezenas de trabalhadores tenham sido atingidas pelo encerramento da unidade.

Varejo enfrenta uma combinação de juros elevados, despesas financeiras pesadas, custos operacionais altos, consumo pressionado, endividamento das famílias e mudanças estruturais no setor.

Nesta sexta-feira (14), porém, a despedida ganhou também um componente humano. Com as portas fechadas, a empresa afixou uma carta dirigida a clientes, colaboradores e parceiros, agradecendo a trajetória construída pela unidade ao longo dos anos.

“Hoje dia 14/08/2026 nos despedimos de uma história que foi construída ao longo de muitos anos com trabalho, dedicação e, principalmente, com a presença de cada pessoa que fez parte da Casas Bahia Tangará da Serra”, diz o comunicado.

A mensagem também faz referência aos funcionários da loja, da gerência, da equipe de vendedores e do backoffice. “Encerramos nossas portas, mas não encerramos as histórias, amizades e memórias que construímos juntos”, conclui a carta. (Leia a carta na íntegra, ao final do texto)

Combinação nociva

O fechamento local ocorre em um ambiente econômico adverso para empresas e consumidores. O varejo enfrenta uma combinação de juros elevados, despesas financeiras pesadas, custos operacionais altos, consumo pressionado, endividamento das famílias e mudanças estruturais no setor, com o avanço do comércio eletrônico.

Desolada, uma cidadã (e possível cliente) lê a carta de despedida. Desalento do povo de um país cuja economia passa por mau momento.

Os efeitos recaem com maior força sobre segmentos como móveis, eletrodomésticos e eletrônicos, dependentes do crédito e das vendas parceladas. Com o dinheiro mais caro e o orçamento das famílias comprometido, compras de maior valor tendem a ser adiadas.

Para as empresas, enquanto as vendas enfrentam dificuldades, permanecem os custos de aluguel, folha de pagamento, energia, estoque e outras despesas. Foi nesse contexto que as Casas Bahia decidiram fechar quase um terço de suas unidades físicas.

Agro também enfrenta aperto

Em Tangará da Serra e região, a preocupação é ampliada pelo peso do agronegócio na economia. A renda gerada no campo movimenta comércio, serviços, transporte e diversos outros setores. Por isso, quando o produtor enfrenta dificuldades, os reflexos ultrapassam as porteiras.

E o agronegócio também atravessa um período de forte pressão financeira, marcado por margens apertadas, custos elevados, endividamento e crédito mais restrito. Com menos folga no caixa, investimentos e consumo tendem a ser reduzidos, diminuindo a circulação de recursos na economia regional.

É nessa sobreposição que está o principal alerta: de um lado, o varejo nacional sofre com crédito caro e consumo enfraquecido; de outro, uma das principais bases econômicas da região enfrenta redução de margens e maior pressão financeira.

Não é possível afirmar que o fechamento das Casas Bahia seja o início de uma onda de encerramentos em Tangará. A decisão faz parte de uma estratégia nacional da empresa e envolve mudanças no próprio modelo do varejo.

Mas também seria um erro tratar o episódio como um fato isolado. A placa que se apaga em uma das principais avenidas da cidade é um sinal de uma conjuntura mais ampla, em que crédito caro, custos elevados e menor circulação de renda podem pressionar empresas, investimentos e empregos.

A carta na porta resume o fim de uma trajetória local. Mas, economicamente, o desafio começa agora: observar se esse encerramento será apenas a consequência de uma decisão empresarial específica ou um dos primeiros sinais mais visíveis de uma crise que pode atingir com maior intensidade a economia regional.

A íntegra da carta de despedida da Casas Bahia:

 

Comentários Facebook
Advertisement

Economia & Mercado

Momento Agrícola: Suspensão europeia põe carne brasileira e Mato Grosso sob pressão

Published

on

Veto europeu à carne brasileira está previsto para 3 de setembro. Oportunidade temporária nos Estados Unidos, suspeita tributária em azeites, milho sem reação no Brasil e liderança mundial do algodão nacional são os destaques do Momento Agrícola deste sábado.

Novos riscos comerciais e novas exigências regulatórias se apresentam para o agronegócio brasileiro neste final de agosto. Paralelamente, oportunidades pontuais surgem no mercado internacional. Na edição deste sábado (29.08) do Momento Agrícola, o engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli, de Tangará da Serra, destaca a possibilidade de a União Europeia suspender, a partir de 3 de setembro, as importações de produtos brasileiros de origem animal.

São barreiras comerciais relevantes e que causam apreensão em toda a cadeia da carne. A medida envolve principalmente carnes bovina e de frango, além do mel. Segundo informações repercutidas pelo programa, o impasse está relacionado às exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos e à avaliação de que o Brasil ainda não fornece garantias e informações suficientes sobre seus controles.

Conforme reportado pelo Canal Rural na semana que passou, a questão não envolve uma acusação de má qualidade da carne brasileira, mas divergências sobre protocolos, rastreabilidade e comprovação sanitária.

Qualquer restrição aos mercados de maior valor pode afetar frigoríficos, pecuaristas, transportadores, fornecedores e municípios dependentes da cadeia da pecuária.

A Europa não é o principal destino da carne brasileira em volume, mas compra cortes de maior valor agregado, daí a importância daquele mercado. Uma suspensão prolongada poderia reduzir a concorrência por determinados cortes, pressionar margens de frigoríficos e pecuaristas e exigir a busca de mercados alternativos. O setor estima que a adaptação às novas regras possa levar cerca de dois anos. O governo brasileiro pretende negociar e, se necessário, recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Mato Grosso já sente

O risco é relevante para Mato Grosso, que é líder nacional nas exportações de carne bovina. Para se ter uma ideia, o estado enviou 978,4 mil toneladas da proteína para 92 países em 2025. Qualquer restrição aos mercados de maior valor pode afetar frigoríficos, pecuaristas, transportadores, fornecedores e municípios dependentes da cadeia da pecuária.

Se confirmada, a suspensão não significará a paralisação das vendas, mas mudança de destinos e influência nos preços e no planejamento dos embarques. Parte da produção teria de ser redirecionada, aumentando a importância de mercados alternativos e da comprovação do histórico sanitário dos animais.

Há, porém, outro movimento no mercado internacional, este na direção oposta. Os Estados Unidos podem abrir uma janela favorável com o anúncio do governo de Donald Trump da ampliação temporária, em 300 mil toneladas, da cota de aparas de carne bovina magra importadas sem tarifa. O objetivo dos americanos é conter a alta dos preços ao consumidor. Para a Abiec, a medida pode representar oportunidade para o Brasil, embora o país dispute o espaço com outros fornecedores e o benefício dependa de habilitação, logística, competitividade e duração da medida.

Azeite europeu no radar fiscal

Também no Momento Agrícola deste sábado, Ricardo Arioli destacou uma denúncia do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) à Receita Federal para investigar possível fraude tributária envolvendo azeites europeus vendidos no Brasil como extravirgens.

A suspeita surgiu após o Ministério da Agricultura analisar amostras de marcas conhecidas, identificando características compatíveis com azeite virgem, e não com a categoria declarada no rótulo.

A diferença também tem impacto tributário. Segundo o Ibraoliva, o extravirgem importado da Europa tem alíquota zero, enquanto o azeite virgem está sujeito a imposto de 9%. A entidade pede investigação sobre eventual classificação irregular e recolhimento menor de tributos. As empresas citadas afirmam manter controles de qualidade e algumas atribuem possíveis não conformidades a lotes específicos.

Milho sem reflexo automático

No conteúdo do programa há, também, uma análise dobre a redução das perspectivas de produção de milho nos Estados Unidos e na União Europeia. Apesar de uma menor oferta internacional normalmente favorecer as cotações externas, o movimento ainda não se refletiu nos preços brasileiros.

No mercado interno, fatores como a disponibilidade doméstica, a segunda safra, os estoques, a logística e o ritmo das exportações continuam tendo maior peso na formação das cotações. O relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos apontou redução na previsão de estoques finais americanos e revisão para baixo do milho europeu.

Entre os destaques positivos, o algodão brasileiro mantém posição de liderança mundial nas exportações. Segundo dados da Abrapa, o país encerrou o ano comercial 2025/26 com cerca de 3,3 milhões de toneladas exportadas, receita de US$ 5,3 bilhões e crescimento de 19% sobre o período anterior. Volume, qualidade, certificação e rastreabilidade têm ampliado a confiança de compradores internacionais.

No segundo bloco, o programa repercute outras notícias da semana e aborda temas ligados à gestão do produtor, como mercado de carbono, em entrevista com o doutor Ludovino Lopes, e seguro rural e renegociação de dívidas, com Pedro Loyola, da FGV Agro.

Entrevistas

O Momento Agrícola traz, ainda, entrevistas com temas relevantes no ambiente no agronegócio:

  • O Mercado de Carbono vem aí, com Dr. Ludovino Lopes;
  • O Seguro e a Renegociação de Dívidas, com Pedro Loyola, da FGV Agro.

Ouça o programa, na íntegra:

 

Comentários Facebook
Continue Reading

Envie sua sugestão

Clique no botão abaixo e envie sua sugestão para nossa equipe de redação
SUGESTÃO

Empresas & Produtos

Economia & Mercado

Contábil & Tributário

Governo & Legislação

Profissionais & Tecnologias

Mais Lidas da Semana