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Recuperações judiciais avançam no agro; Mato Grosso lidera e frango reage

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O agronegócio brasileiro encerra a semana sob uma combinação de pressão financeira, desaceleração econômica e incertezas no comércio internacional. No episódio deste sábado (15) do Momento Agrícola, o engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli comenta o aumento dos pedidos de recuperação judicial no setor, a queda do PIB do agronegócio, a proximidade do limite de exportação de carne bovina para a China e os efeitos da seca que atinge partes da Europa.

O principal alerta está no avanço da recuperação judicial. Levantamento da Serasa Experian contabilizou 474 pedidos no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% em relação às 389 solicitações registradas no mesmo período do ano passado. O número reúne produtores rurais que atuam como pessoa física ou jurídica e empresas relacionadas à cadeia do agronegócio, refletindo uma deterioração que ultrapassa a porteira e alcança agroindústrias, transportadores, prestadores de serviços e outros elos do sistema produtivo.

Mato Grosso concentra o maior número de pedidos

Mato Grosso liderou o ranking nacional, com 135 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março. O resultado coloca o estado no centro da discussão sobre endividamento rural, especialmente porque a produção mato-grossense tem forte exposição aos custos de sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas, fretes e financiamento. Quando os preços das commodities recuam ou a produtividade fica abaixo do esperado, a margem estreita transforma compromissos de custeio e investimento em um problema de fluxo de caixa.

Os dados mostram, porém, que a crise não se manifesta de forma igual em todos os segmentos. Entre produtores rurais pessoa física, foram 182 solicitações, queda de 6,7% na comparação anual. Já as empresas ligadas à cadeia do agro somaram 96 pedidos, aumento de 18,5% sobre o primeiro trimestre de 2025. A diferença sugere que a pressão financeira também está se deslocando para negócios de transformação, processamento e apoio à atividade rural.

Fonte: EB/IA

O quadro financeiro é reforçado pelo desempenho do PIB do agronegócio. Segundo levantamento Cepea/CNA, o indicador recuou 2,01% no primeiro trimestre, pressionado principalmente pelo ramo agrícola, que caiu 3,62%; a pecuária, em sentido contrário, avançou 0,70% [2]. A retração está associada sobretudo à queda dos preços das commodities, mesmo com a expectativa de crescimento da produção em algumas cadeias.

Frango traz notícia positiva ao comércio exterior

Em meio aos sinais negativos, a avicultura oferece um contraponto importante. As exportações brasileiras de carne de frango alcançaram 519,2 mil toneladas em julho, avanço de 29,9% sobre o mesmo mês de 2025, conforme dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O desempenho confirma a força do produto brasileiro no mercado internacional e ajuda a diversificar as receitas externas do setor, em um momento em que outras carnes enfrentam incertezas comerciais.

Na carne bovina, o mercado chinês acompanha com atenção a utilização da cota anual. O Brasil já havia empregado 90% do limite de 1,106 milhão de toneladas autorizado para 2026 sem a sobretaxa prevista. Depois do esgotamento da cota, a carne excedente estará sujeita a uma tarifa adicional de 55%, além das demais cobranças aplicadas pelo país asiático.

Fonte: EB/IA

A possibilidade de encarecimento pode reduzir o ritmo dos embarques, redirecionar parte da oferta para outros mercados e pressionar as negociações entre frigoríficos e pecuaristas.

Outro tema resumido no programa é a seca na Europa. Ondas sucessivas de calor e baixos níveis dos rios Reno e Danúbio já afetam a navegação, a geração de energia, a indústria e a agricultura. A escassez de água também aumenta o risco de perdas em lavouras e de encarecimento do transporte e dos alimentos, mostrando como eventos climáticos extremos podem produzir efeitos econômicos em cadeia.

Nos blocos de entrevistas, o programa apresenta a discussão “A Europa vai acabar?”, produzida com inteligência artificial, e entrevista o pesquisador Dr. José Renato Farias, da Embrapa, sobre o Zoneamento por Níveis de Manejo. A proposta é relacionar clima, uso do solo, tecnologia e planejamento para melhorar a tomada de decisão no campo.

Em resumo: o agro enfrenta forte aumento das recuperações judiciais, liderado por Mato Grosso, e queda do PIB, mas as exportações de frango avançam; enquanto isso, a cota chinesa ameaça encarecer a carne bovina e a seca agrava os riscos agrícolas na Europa.

Ouça o Momento Agrícola na íntegra:

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Momento Agrícola: Suspensão europeia põe carne brasileira e Mato Grosso sob pressão

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Veto europeu à carne brasileira está previsto para 3 de setembro. Oportunidade temporária nos Estados Unidos, suspeita tributária em azeites, milho sem reação no Brasil e liderança mundial do algodão nacional são os destaques do Momento Agrícola deste sábado.

Novos riscos comerciais e novas exigências regulatórias se apresentam para o agronegócio brasileiro neste final de agosto. Paralelamente, oportunidades pontuais surgem no mercado internacional. Na edição deste sábado (29.08) do Momento Agrícola, o engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli, de Tangará da Serra, destaca a possibilidade de a União Europeia suspender, a partir de 3 de setembro, as importações de produtos brasileiros de origem animal.

São barreiras comerciais relevantes e que causam apreensão em toda a cadeia da carne. A medida envolve principalmente carnes bovina e de frango, além do mel. Segundo informações repercutidas pelo programa, o impasse está relacionado às exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos e à avaliação de que o Brasil ainda não fornece garantias e informações suficientes sobre seus controles.

Conforme reportado pelo Canal Rural na semana que passou, a questão não envolve uma acusação de má qualidade da carne brasileira, mas divergências sobre protocolos, rastreabilidade e comprovação sanitária.

Qualquer restrição aos mercados de maior valor pode afetar frigoríficos, pecuaristas, transportadores, fornecedores e municípios dependentes da cadeia da pecuária.

A Europa não é o principal destino da carne brasileira em volume, mas compra cortes de maior valor agregado, daí a importância daquele mercado. Uma suspensão prolongada poderia reduzir a concorrência por determinados cortes, pressionar margens de frigoríficos e pecuaristas e exigir a busca de mercados alternativos. O setor estima que a adaptação às novas regras possa levar cerca de dois anos. O governo brasileiro pretende negociar e, se necessário, recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Mato Grosso já sente

O risco é relevante para Mato Grosso, que é líder nacional nas exportações de carne bovina. Para se ter uma ideia, o estado enviou 978,4 mil toneladas da proteína para 92 países em 2025. Qualquer restrição aos mercados de maior valor pode afetar frigoríficos, pecuaristas, transportadores, fornecedores e municípios dependentes da cadeia da pecuária.

Se confirmada, a suspensão não significará a paralisação das vendas, mas mudança de destinos e influência nos preços e no planejamento dos embarques. Parte da produção teria de ser redirecionada, aumentando a importância de mercados alternativos e da comprovação do histórico sanitário dos animais.

Há, porém, outro movimento no mercado internacional, este na direção oposta. Os Estados Unidos podem abrir uma janela favorável com o anúncio do governo de Donald Trump da ampliação temporária, em 300 mil toneladas, da cota de aparas de carne bovina magra importadas sem tarifa. O objetivo dos americanos é conter a alta dos preços ao consumidor. Para a Abiec, a medida pode representar oportunidade para o Brasil, embora o país dispute o espaço com outros fornecedores e o benefício dependa de habilitação, logística, competitividade e duração da medida.

Azeite europeu no radar fiscal

Também no Momento Agrícola deste sábado, Ricardo Arioli destacou uma denúncia do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) à Receita Federal para investigar possível fraude tributária envolvendo azeites europeus vendidos no Brasil como extravirgens.

A suspeita surgiu após o Ministério da Agricultura analisar amostras de marcas conhecidas, identificando características compatíveis com azeite virgem, e não com a categoria declarada no rótulo.

A diferença também tem impacto tributário. Segundo o Ibraoliva, o extravirgem importado da Europa tem alíquota zero, enquanto o azeite virgem está sujeito a imposto de 9%. A entidade pede investigação sobre eventual classificação irregular e recolhimento menor de tributos. As empresas citadas afirmam manter controles de qualidade e algumas atribuem possíveis não conformidades a lotes específicos.

Milho sem reflexo automático

No conteúdo do programa há, também, uma análise dobre a redução das perspectivas de produção de milho nos Estados Unidos e na União Europeia. Apesar de uma menor oferta internacional normalmente favorecer as cotações externas, o movimento ainda não se refletiu nos preços brasileiros.

No mercado interno, fatores como a disponibilidade doméstica, a segunda safra, os estoques, a logística e o ritmo das exportações continuam tendo maior peso na formação das cotações. O relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos apontou redução na previsão de estoques finais americanos e revisão para baixo do milho europeu.

Entre os destaques positivos, o algodão brasileiro mantém posição de liderança mundial nas exportações. Segundo dados da Abrapa, o país encerrou o ano comercial 2025/26 com cerca de 3,3 milhões de toneladas exportadas, receita de US$ 5,3 bilhões e crescimento de 19% sobre o período anterior. Volume, qualidade, certificação e rastreabilidade têm ampliado a confiança de compradores internacionais.

No segundo bloco, o programa repercute outras notícias da semana e aborda temas ligados à gestão do produtor, como mercado de carbono, em entrevista com o doutor Ludovino Lopes, e seguro rural e renegociação de dívidas, com Pedro Loyola, da FGV Agro.

Entrevistas

O Momento Agrícola traz, ainda, entrevistas com temas relevantes no ambiente no agronegócio:

  • O Mercado de Carbono vem aí, com Dr. Ludovino Lopes;
  • O Seguro e a Renegociação de Dívidas, com Pedro Loyola, da FGV Agro.

Ouça o programa, na íntegra:

 

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