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Poder Judiciário

Judiciário autoriza retorno de 26 comarcas; Possibilidade de antecipação em Tangará da Serra é descartada

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A partir da próxima segunda-feira (27), 26 comarcas do Poder Judiciário de Mato Grosso darão início a primeira etapa do Plano de Retorno Programado às Atividades Presenciais (PRPAP). A autorização da retomada dos trabalhos nas unidades judiciais está expressa na Portaria 442, assinada pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha, na última segunda-feira (20).

As comarcas foram classificadas no Boletim Epidemiológico n. 134, da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) com risco para contaminação pelo novo coronavírus (Covid-19) “baixo” e/ou “moderado”. São elas: Diamantino, Água Boa, Alto Araguaia, Comodoro, Paranatinga, Poxoréu, Alto Garças, Alto Taquari, Araputanga, Aripuanã, Cláudia, Colniza, Cotriguaçu, Dom Aquino, Feliz Natal, Guiratinga, Itaúba, Itiquira, Juscimeira, Marcelândia, Nova Canaã Do Norte, Nova Ubiratã, Porto Alegre do Norte, Rosário Oeste, Tabaporã e Terra Nova Do Norte.

O documento estabelece que “As atividades presenciais nas unidades relacionadas no artigo anterior serão retomadas de modo gradual e sistemático, levando-se em consideração as peculiaridades de cada Comarca e o estabelecido na Portaria-Conjunta n. 428/2020”, que traçou o Plano de Retorno Programado às Atividades Presenciais.

O PRPAP define as regras gerais e especificas para a reabertura gradual dos prédios da instituição e a retomada dos prazos processuais. Esse plano está organizado em cinco etapas sequenciais e obrigatórias, conforme a classificação de risco epidemiológico da comarca, com fluxo progressivo e gradual de abertura.

Tangará da Serra

Informações extraoficiais que circularam ontem (quarta, 22) em Tangará da Serra, de que poderia ocorrer uma reunião no próximo dia 30 (quinta-feira) levantando a possibilidade de antecipação da reabertura da comarca local, não se confirmaram. A possibilidade teria sido levantada principalmente por membros da advocacia, mas, segundo informações repassadas à redação EB por uma fonte do segmento, teria sido descartada pelo próprio Tribunal de Justiça (TJMT), prevalecendo, assim, o disposto na Portaria-Conjunta 428.

Comarca de Tangará terá de aguardar reabertura conforme Portaria-Conjunta 428.

Segundo a Portaria-Conjunta, na primeira etapa haverá apenas expediente interno, com o retorno exclusivo da presença física dos servidores e colaboradores (estagiários, terceirizados e credenciados), no horário das 13h às 19h, com manutenção da suspensão dos prazos processuais dos processos físicos e híbridos, conforme regime especial estabelecido na Resolução CNJ no 314/2020 (inciso II do art. 3º da Resolução n. 322 de 01 de junho de 2020 do Conselho Nacional de Justiça).

As demais etapas serão iniciadas no prazo e nas formas definidos na Portaria-Conjunta n. 428/2020, ressalvando que a progressão só será possível se não houver agravamento da classificação do risco epidemiológico nas comarcas relacionadas no art. 2° para “Alto” ou “Muito Alto”.

O agravamento da classificação do risco epidemiológico para os patamares mencionados no parágrafo anterior suspenderá qualquer das etapas, mesmo se estas já tiverem sido iniciadas, dependendo nesse caso de ato específico do Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (§ 10 do art. 9° da Portaria-Conjunta n. 428/2020).

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Poder Judiciário

Greve expõe queda de braço entre servidores e TJMT em meio a crise de credibilidade

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“A greve é legal. Ilegal é vender sentença”. Com esta frase contundente, Geane Lina Telles, presidente em exercício do Sinjusmat (Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso), sintetizou a indignação da categoria diante da recente decisão do desembargador Rodrigo Roberto Curvo. O magistrado julgou o movimento paredista ilegal, impondo uma multa diária de R$ 200 mil à entidade e autorizando o desconto salarial dos servidores que aderirem à paralisação.

A decisão atende a um pedido da Procuradoria Geral do Estado (PGE). Para a dirigente sindical, a medida é arbitrária e busca silenciar o funcionalismo. Assim, diante do risco financeiro às famílias dos servidores, o Sinjusmat convocou uma Assembleia Geral para deliberar sobre o cumprimento da ordem judicial, enquanto prepara o recurso para as instâncias superiores.

Paralelamente, a greve, que deveria ter iniciado nesta quarta-feira, tornou-se o mais novo capítulo de um desgaste que vai além das questões trabalhistas.

Geane Lina Telles, do Sinjusmat:: Indignação dos servidores deverá render recurso contra decisão do TJMT.

Judiciário sob desconfiança

O embate entre servidores e a cúpula do Tribunal de Justiça ocorre em um momento de profunda erosão da imagem do Judiciário mato-grossense. A frase de Geane Telles ecoa um sentimento de impunidade que ganhou contornos trágicos em julho de 2024, com a execução do ex-presidente da OAB-MT, Renato Gomes Nery. O crime, ocorrido em plena luz do dia em Cuiabá, é investigado como um suposto “crime de encomenda” ligado a disputas de terras que envolveriam decisões judiciais sob suspeita dentro do próprio TJMT.

Esse cenário de desconfiança local não é isolado, mas reflete uma crise sistêmica que atinge o topo da pirâmide jurídica do país. No plano federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) também enfrenta turbulências de imagem, acentuadas por casos como o da liquidação do Banco Master, que reacendeu debates sobre a proximidade entre tribunais e interesses econômicos poderosos.

Entre escândalos de venda de sentenças, afastamento de magistrados e a sombra da violência política e patrimonial, o Poder Judiciário — tanto em Mato Grosso quanto em Brasília — parece atravessar um de seus períodos mais críticos de legitimidade perante a sociedade civil.

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