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BYD entra na “Lista Suja” com trabalhadores chineses em condição de escravidão no Brasil

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A inclusão da montadora chinesa BYD na chamada “Lista Suja” do trabalho escravo expõe um caso considerado grave pelas autoridades brasileiras: trabalhadores chineses foram trazidos ao país e submetidos a condições análogas à escravidão na unidade da empresa na Bahia. O episódio lança dúvidas sobre práticas adotadas pela companhia e evidencia o uso de mão de obra barata como fator de competitividade, em desacordo com a legislação brasileira.

Ao todo, 169 empregadores foram incluídos na nova atualização do cadastro, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Com isso, o documento passa a reunir 613 empresas e pessoas físicas responsáveis por submeter trabalhadores a condições degradantes.

Entre as atividades econômicas listadas, a maioria está ligada à agropecuária, especialmente o corte bovino, seguida por serviços domésticos, cultivo de café e construção civil.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta a pobreza como um dos principais fatores para a existência do trabalho semelhante à escravidão no Brasil.

Caso BYD

O caso envolvendo a BYD se destaca pela dimensão e pela origem dos trabalhadores. A empresa terceirizou serviços em sua unidade de Camaçari, na região metropolitana de Salvador (BA). Em junho do ano passado, o Ministério do Trabalho autuou a companhia após identificar que trabalhadores chineses foram trazidos de forma irregular ao Brasil para atuar nas obras da fábrica.

As investigações apontaram que mais de 400 trabalhadores vieram ao país nessas condições. Desses, 163 foram resgatados em situação análoga à escravidão.

Procurada pela reportagem, a empresa informou que não irá se manifestar sobre o caso.

Especialistas avaliam que o episódio reforça a necessidade de maior rigor na fiscalização e na responsabilização de empresas, especialmente multinacionais, que operam no país.

A assessora de projetos do Programa de Direitos Socioambientais da Conectas, Fernanda Drummond, defende o fortalecimento dos agentes fiscalizadores, aumento de investimentos e maior responsabilização dos infratores. Segundo ela, a ausência de mecanismos mais rígidos de transparência na cadeia produtiva contribui para a repetição dessas práticas.

“A gente não pode deixar de mencionar que o Brasil não possui leis que exijam que essas empresas divulguem publicamente as informações de toda a sua cadeia produtiva. Isso dificulta muito o controle e a responsabilização de todos aqueles que estão envolvidos com a prática do trabalho escravo. Isso oferece pouco incentivo para que essas empresas cumpram com as leis trabalhistas, porque acaba compensando financeiramente continuar com o trabalho escravo”, afirmou.

Amado na lista suja

A atualização da lista também inclui o cantor Amado Batista. O documento aponta que 14 trabalhadores foram submetidos a condições degradantes em um sítio de sua propriedade, na zona rural de Goianápolis (GO).

Em nota, a assessoria do artista negou as acusações e informou que foram identificadas irregularidades na contratação de quatro colaboradores vinculados a uma empresa terceirizada. Também afirmou que houve acordo com o Ministério Público e que estão sendo adotadas medidas administrativas para encerrar as autuações.

Os nomes incluídos na “Lista Suja” passaram por processos administrativos, com direito à ampla defesa. Após a inclusão, permanecem no cadastro por dois anos, podendo ser retirados antes do prazo mediante acordo de regularização com o Ministério do Trabalho.

(Com informações de Agência Brasil)

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Obra estratégica: FICO avança em etapa indígena para definir trecho final em Mato Grosso

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Plano elaborado com participação de comunidades Xavante foi protocolado na Funai em 3 de setembro; etapa é necessária para continuidade do licenciamento, mas não representa autorização automática para as obras

A implantação da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO) avançou em uma das etapas socioambientais necessárias à execução dos aproximadamente 80 quilômetros finais do empreendimento em Mato Grosso, trecho estratégico para a consolidação do corredor ferroviário destinado principalmente ao escoamento da produção agrícola.

Em 3 de setembro de 2026, a Infra S.A. protocolou, na sede da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em Brasília, o Plano Básico Ambiental do Componente Indígena (PBA-CI) relacionado à Terra Indígena Marechal Rondon.

Elaborado com participação das comunidades Xavante, o documento passou por discussão e validação junto às aldeias envolvidas.

O protocolo representa avanço no processo de licenciamento, mas não significa que os cerca de 80 quilômetros estejam automaticamente liberados para as obras. O plano ainda será analisado pelos órgãos responsáveis, e a execução dependerá do cumprimento das exigências socioambientais e das demais autorizações necessárias.

O PBA-CI estabelece medidas para prevenir, reduzir, controlar ou compensar impactos que a implantação e a futura operação da ferrovia possam provocar sobre as comunidades indígenas na área de influência do empreendimento. Entre as ações previstas nesse tipo de planejamento estão proteção territorial, acompanhamento ambiental, comunicação com as comunidades, preservação cultural e mitigação dos impactos da infraestrutura.

No caso da FICO, a etapa é relevante porque interfere diretamente na continuidade do trecho ferroviário em território mato-grossense.

Corredor logístico

A ferrovia é considerada uma das principais obras estruturantes para alterar a matriz logística de Mato Grosso. O projeto cria uma alternativa para o transporte da produção, reduzindo a dependência das rodovias e permitindo o deslocamento, por ferrovia, de grandes volumes de soja, milho, algodão e outros produtos.

A FICO integra um planejamento ferroviário mais amplo e deverá conectar áreas produtoras do Estado a outros corredores nacionais. A primeira etapa liga Mara Rosa (GO) a Água Boa (MT), estabelecendo conexão com a Ferrovia Norte-Sul. A expansão em direção ao interior mato-grossense é considerada estratégica para aproximar a malha ferroviária das grandes regiões produtoras.

De Mara Rosa, a Fico rumará para Mato Grosso, em um trajeto de 383 km, até chegar ao município de Água Boa.

A chegada da ferrovia também poderá produzir efeitos além do agronegócio. A implantação de terminais, pátios logísticos e estruturas de apoio tende a estimular a instalação de empresas, gerar empregos e atrair investimentos nos municípios situados no corredor.

Outro impacto esperado é a redução do custo logístico. Mato Grosso produz dezenas de milhões de toneladas de grãos por ano, mas grande parte ainda percorre centenas ou milhares de quilômetros por rodovias até alcançar terminais ferroviários, hidroviários ou portos.

A expansão da malha ferroviária poderá retirar parte desse volume das estradas nas viagens de longa distância, deixando ao transporte rodoviário papel maior na ligação entre propriedades, armazéns e terminais.

Próximas etapas

Apesar do avanço de 3 de setembro, ainda há questões a serem definidas antes que o segmento possa ser considerado efetivamente destravado.

Entre elas estão o custo das medidas previstas no PBA-CI e a definição dos responsáveis por cada despesa. Também será necessário acompanhar o prazo de análise da Funai, eventuais pedidos de complementação e as condicionantes que poderão ser estabelecidas para a continuidade do licenciamento.

O cronograma também é uma questão de interesse econômico. Eventuais atrasos nas autorizações ambientais e indígenas podem interferir no prazo de execução da ferrovia e, consequentemente, no momento em que a infraestrutura estará disponível para atender à produção mato-grossense.

Por isso, a análise da Funai será um próximo passo decisivo. O protocolo realizado pela Infra S.A. representa uma etapa formal importante e demonstra avanço nas tratativas com as comunidades Xavante, mas a liberação efetiva das obras dependerá das manifestações dos órgãos competentes.

Para Mato Grosso, o processo envolve uma infraestrutura com potencial para alterar profundamente a logística estadual. Os cerca de 80 quilômetros ainda dependentes dessa etapa socioambiental representam uma parcela limitada da extensão do empreendimento, mas são decisivos para a continuidade de um projeto ferroviário considerado estratégico para o futuro econômico do Estado.

(Com informações de ABIFER/Assessoria)

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