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Setor produtivo avalia que redução da jornada pode elevar preços e pressionar economia

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A possível redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode provocar aumento médio de 6,2% nos preços de produtos e serviços ao consumidor. A estimativa consta em estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que avalia impactos da medida em diferentes setores da economia.

A proposta tem sido amplamente debatida e contestada pelos diversos segmentos empresariais em todo o país. Em Mato Grosso, o coro é engrossado por entidades como Fecomércio. Já em Tangará da Serra, o posicionamento contrário vem da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e da Associação Comercial e Empresarial (ACITS).

Segundo o levantamento, os reajustes podem atingir itens do dia a dia, como compras em supermercados (5,7%), alimentação fora de casa (6,2%), produtos agropecuários (4%) e industrializados (6%). No vestuário, a alta projetada é de 6,6%. No setor de serviços, o aumento médio pode chegar a 6,5%, com destaque para serviços pessoais e internet, que podem registrar elevação de até 7,2%.

Efeito em cadeia nos custos

O estudo considera um cenário em que a redução da jornada seria compensada por novas contratações. Ainda assim, a recomposição das horas trabalhadas não seria integral, o que elevaria o custo da hora de trabalho e geraria impacto ao longo de toda a cadeia produtiva.

A indústria aparece como o setor mais afetado, com queda estimada de 4,34% nas horas trabalhadas, seguida por comércio (-4,03%), serviços (-2,44%), construção civil (-2,04%) e agropecuária (-1,70%).

O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, afirma que o impacto tende a ser disseminado.

“O aumento de custos não ocorre em uma empresa específica. Ele se espalha, porque todos os setores passam pelo mesmo processo, o que acaba sendo repassado ao consumidor final”, explica.

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Propostas em debate

A CNI acompanha propostas em tramitação no Congresso Nacional, como a PEC 148/2015 e a PEC 8/2025, que tratam da redução da jornada.

O presidente da entidade, Ricardo Alban, defende que a discussão seja conduzida de forma gradual e vinculada ao aumento da produtividade.

“A melhoria das condições de trabalho e a redução da jornada precisam ocorrer com sustentabilidade e negociação. A produtividade é o que determina avanços consistentes”, afirma.

Alban também avalia que o cenário atual exige cautela, diante de pressões inflacionárias globais, agravadas pela alta do petróleo em meio a conflitos no Oriente Médio.

Setor produtivo vê risco de efeito contrário

Representantes do setor empresarial avaliam que a medida pode gerar efeitos diferentes dos pretendidos, especialmente em um contexto de desaceleração econômica.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Tangará da Serra, Thiago de Souza Santos, afirma que a proposta tende a elevar custos operacionais e pressionar preços.

“A redução da jornada com manutenção dos salários aumenta a necessidade de mão de obra e eleva custos. Esse impacto acaba sendo repassado aos produtos e serviços”, diz.

Segundo ele, o cenário atual já impõe desafios, com vendas mais lentas e custos elevados. “Há preocupação com aumento do desemprego, fechamento de empresas e avanço da informalidade”, acrescenta.

Presidente da CDL, Thiago de Souza Santos: “Redução da jornada com manutenção dos salários aumenta a necessidade de mão de obra e eleva custos”.

Já o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Tangará da Serra (ACITS), Rodrigo Andrade, também vê aumento de custos e diz que o setor busca derrubar a proposta no Congresso.

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Produtividade entra no centro do debate

Em nota, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) afirma que a proposta pode produzir efeitos contrários aos esperados, como aumento do desemprego e da informalidade.

A entidade destaca que a produtividade do trabalhador brasileiro ainda é inferior à de países desenvolvidos, o que limita a capacidade de absorver mudanças dessa natureza sem impactos econômicos.

Para a CNDL, a redução da jornada sem avanços estruturais pode agravar custos e comprometer a competitividade.

Impacto regional e mercado de trabalho

No âmbito estadual, o presidente da Fecomércio-MT, Wenceslau Júnior (foto a seguir), afirma que simulações indicam impacto significativo na economia de Mato Grosso.

Segundo ele, o custo adicional pode chegar a R$ 2,2 bilhões mensais, sendo mais de R$ 669 milhões apenas no comércio.

“O aumento do custo por hora trabalhada exigirá novas contratações ou pagamento de horas extras, o que pressiona a estrutura das empresas”, afirma.

Wenceslau Júnior afirma que simulações indicam impacto significativo na economia de Mato Grosso.

Ele também destaca que o estado já enfrenta restrições na oferta de mão de obra, com baixa taxa de desemprego e dificuldade na contratação de profissionais qualificados.

Cenário econômico amplia incertezas

Além dos fatores internos, o cenário internacional adiciona pressão à economia. Conflitos no Oriente Médio têm impacto sobre o preço do petróleo, custos logísticos e inflação global.

Nesse contexto, representantes do setor produtivo avaliam que mudanças estruturais, como a redução da jornada, tendem a ampliar incertezas no curto prazo, especialmente em um ambiente de crescimento mais moderado.

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Arroba do boi gordo recua na parcial de junho e pressiona rentabilidade do pecuarista

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O mercado do boi gordo encerra o mês de junho sob forte pressão, consolidando uma tendência de queda que preocupa os produtores de Mato Grosso e de todo o país.

Após um início de mês com certa estabilidade, a parcial da segunda quinzena revelou um recuo significativo nos preços da arroba, acumulando perdas que já ultrapassam os 3% em comparação ao fechamento de maio.

Este cenário, abordado na edição deste sábado (27.06) do programa Momento Agrícola, do consultor, engenheiro agrônomo e produtor rural Ricardo Arioli, reflete um aumento na oferta de animais prontos para o abate e uma demanda interna que ainda patina.

Pressão nos preços e desafios na porteira

A queda nos preços da arroba ocorre em um momento em que os custos de produção permanecem elevados, estreitando as margens de lucro dos pecuaristas. Enquanto o boi gordo é negociado na casa dos R$ 339,00 para contratos futuros de curto prazo, o mercado físico sente o peso da escala de abate alongada nos frigoríficos, que conseguem ditar o ritmo das negociações.

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Para Ricardo Arioli, o cenário exige cautela e um planejamento rigoroso, uma vez que a recuperação dos preços no curto prazo depende de uma reação mais vigorosa das exportações ou de um aquecimento inesperado no consumo doméstico.

Rally da safra e os números do milho

Além da pecuária, o programa trouxe atualizações sobre o Rally da Safra de Milho. Valmir Assarice, coordenador técnico da Agroconsult, destacou os resultados das últimas expedições pelo interior do Brasil. Embora a estimativa de produção da safrinha tenha sido elevada em algumas regiões, o Rally aponta cenários distintos entre os estados, com variações climáticas que impactaram o desenvolvimento das lavouras em pontos específicos, exigindo atenção dos investidores e produtores.

Gestão de lucro e produtividade em foco

A gestão financeira também foi pauta com a participação de Ângelo Ozelame, da Lucro Rural. Sob o lema “Conheça seus Números, Defenda seu Lucro”, Ozelame enfatizou a importância de ferramentas digitais para o gerenciamento do fluxo de caixa e comercialização estratégica de soja e milho. Segundo ele, em tempos de volatilidade, o domínio sobre os custos de produção é a principal arma do produtor para garantir a sustentabilidade do negócio.

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No campo da produtividade, Sérgio Abud comentou os destaques do Fórum de Máxima Produtividade de Soja do CESB (Comitê Estratégico Soja Brasil). O fórum revelou casos de sucesso onde o uso intensivo de biotecnologia e manejo de precisão permitiram atingir patamares recordes de produtividade, servindo de vitrine para as melhores práticas agrícolas que devem nortear a próxima safra brasileira.

A íntegra do Momento Agrícola deste sábado pode ser acessada no SoundCloud:

 

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