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Saúde Pública

Imprudência e irresponsabilidade da população pode levar ao lockdown

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O Brasil registrou 615 mortes decorrentes do novo coronavírus em 24 horas, segundo a última atualização dos números da pandemia feita ontem (quarta,06) pelo Ministério da Saúde. É o segundo recorde consecutivo de óbitos.

Apesar dos riscos claramente perceptíveis, boa parte da população brasileira não se resguarda da pandemia com os cuidados e procedimentos corretos. As aglomerações são frequentes, o uso de máscara é parcial e o trânsito injustificado de pessoas de todas as idades pelas ruas é intenso, como se nada de anormal estivesse acontecendo.

O que ocorre é imprudência e irresponsabilidade. O brasileiro não sabe conviver com situações extremas, como essa, de uma pandemia. Falta-lhe disciplina, cultura sanitária e espírito associativo e, assim, na maioria das vezes, na ânsia de se buscar o atendimento de necessidades individuais e familiares, acaba-se saindo dos trilhos do bom senso.

Em Tangará da Serra, a movimentação intensa nas ruas centrais da cidade (foto acima), o relaxamento no uso de máscaras e as constantes aglomerações em vários pontos da cidade que incluem, inclusive, reuniões para churrascos nos bairros, coloca em risco a flexibilização e, obviamente, a saúde da população.

Pelo país afora, os problemas se repetem. Nas grandes cidades as autoridades têm imensas dificuldades para conter o trânsito injustificado de pessoas.

Números

Feira popular em São Luiz do Maranhão: Aglomeração e pessoas sem máscara resultam em aumento dos números de infectados.

Após a atualização dos números, ontem, o ministro da Saúde, Nelson Teich, admitiu, pela primeira vez, que a adoção de medidas de fechamento total (lockdown) de cidades, com manutenção apenas de serviços essenciais, deve ser adotada no País em determinados casos.

Em dois dias, as mortes chegaram a 1.215. O total oficial de vítimas do novo coronavírus no Brasil subiu ontem de 7.921 para 8.536 entre terça-feira e ontem, conforme balanço do início da noite.

Lockdown regionalizado

Mais cedo, Teich falou sobre a possibilidade de até ampliar o isolamento. Na última terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a disseminação da doença estaria em queda e as pessoas tinham de voltar ao trabalho, contrariando atos de governadores e prefeitos que já aderiram ao fechamento total em cidades como Belém (que adotou a restrição desde ontem), São Luís e Fortaleza, entre outras. No Amazonas, o Ministério Público Estadual pediu na Justiça medida semelhante.

“Se você tiver uma situação onde você tem uma alta incidência da doença, uma infraestrutura baixa e vê a doença crescendo, vai buscar um distanciamento cada vez maior. Isso é o extremo da gravidade da situação”, disse o ministro.

Teich reafirmou que cada local deve adotar a estratégia que for necessária e não medidas generalizadas. “O lockdown vai ser importante nos lugares onde estiver muito difícil, com alta incidência, alta ocupação de leitos, muitos pacientes chegando, infraestrutura que não conseguiu se adaptar. Aí você vai ter uma situação que realmente vai ter de proteger as pessoas”, acrescentou.

O ministro chamou a atenção para a necessidade de estabelecer regras que garantam que os serviços essenciais não parem, como saúde e alimentação. “Vai ter lugar em que o lockdown é necessário? Vai ter lugar em que eu vou poder pensar em flexibilização? Vai. O que preciso é que a gente pare de tratar disso de forma radical.”

Teich disse que o ministério já concluiu sua “diretriz” para auxiliar municípios em tomada de decisão. Trata-se, na prática, de um modelo matemático com cinco níveis de situação, para que os gestores avaliem itens como incidência da doença, infraestrutura disponível, disponibilidade de recursos, ocupação de leitos, entre outros, para que se adotem medidas restritivas ou não e de isolamento.

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Saúde Pública

Com URA desativada, atendimentos Covid serão nas USFs; Pacientes de UTI serão removidos

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Os pacientes com sintomas de Covid-19 em Tangará da Serra deverão procurar as unidades de saúde da família (USFs, foto topo) para atendimento, e não mais a Unidade Respiratória Ambulatorial (URA), que funcionava no Hospital Municipal Arlete Daisy Cichetti de Brito e agora está desativada.

A medida, anunciada no início da semana pela Secretaria Municipal de Saúde, atende a portaria assinada pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que revoga decreto que estava em vigor desde fevereiro de 2020. Assim, fica declarado o fim da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) motivada pela pandemia da Covid-19 no Brasil.

Com a desativação da URA, atendimento no Hospital Municipal volta à normalidade de antes da pandemia.

Contudo, os serviços de atendimento de casos relacionados à Covid-19 não deixarão de ocorrer. “A partir de agora os atendimentos passam a ser descentralizados, com os casos leves atendidos nas USFs e os casos mais graves na Unidade de Pronto Atendimento (UPA)”, informou à imprensa local a secretária municipal de Saúde, Gicelly Zanata.

Ainda segundo a secretária, nos casos que exigirem internação do paciente em UTI, estes serão removidos para as unidades ainda mantidas pelo Estado, na região metropolitana de Cuiabá.

A desativação das unidades exclusivas para atendimentos de casos de Covid-19 ocorre em todo o país, conforme determina a mesma portaria do Ministério da Saúde. A decisão leva em consideração, também, o número de atendimentos, que hoje é de apenas 1 a 2 casos diários, em média.

Com a desativação da URA, o atendimento no Hospital Municipal volta à normalidade de antes da pandemia. “Essa entrada do Hospital Municipal volta a ser fluxo para a entrada e saída de acompanhantes, visitas dos pacientes, marcar exames para aqueles que não estão na UPA, o eletivo”, acrescenta Gicelly Zanata.

A secretária observa, ainda, que a partir de agora outras áreas serão priorizadas. “Agora nosso foco é instalar o Centro Cirúrgico e UTI, para que nosso hospital comece a fazer cirurgias, sem precisar levar pacientes para outras cidades”, conclui.

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