A variedade e qualidade são virtudes tradicionais da Feira do Produtor do Centro. Enquanto a variedade se encarrega de atender a todos os gostos, a qualidade é um atrativo à parte nos boxes do principal mercado público da região.
Em meio à toda essa fartura, o consumidor pode escolher o que de melhor pode levar à sua mesa, conforme o sabor e o valor nutricional e pelos benefícios que trazem à saúde de quem os consome. Um dos destaques é de cor verde, a cor predominante da bandeira do Brasil.
Especialistas dizem que o verde é a cor que ajuda a promover o equilíbrio interno e a diminuir o estresse. Na terapia das cores, o verde exerce ação refrescante e calmante, ajudando a promover o bem-estar físico e mental.
E verde também é uma cor predominante na Feira do Produtor do Centro, que atende nesta quarta-feira, a partir das 06hs. Está presente em frutas e hortaliças no setor de hortifrutis no mercado público de Tangará da Serra, onde se destacam verduras como a alface, a couve, a rúcula e a chicória (foto ao lado).
Estas folhas verdes fornecem vitaminas, minerais e outros componentes bioativos que trazem benefícios ao organismo humano. Possuem alto teor de água que hidratam e são ricas em fibras.
Esta época do ano é propícia à chicória, uma verdura originária da Europa e Ásia que tem propriedades digestivas e diuréticas que evita o acúmulo de líquidos no corpo, ajudando, por exemplo, a prevenir infecções no trato urinário e pedras nos rins. A chicória tem, ainda, ação depurativa, ajudando a manter o organismo saudável e livre de toxinas, sendo benéfica para o fígado.
A hortaliça é rica em vitamina A, B, C e D, além de minerais como ferro, fósforo e cálcio. Também exerce ação probiótica, através de uma substância chamada ‘inulina’, que estimula a produção de bactérias boas no intestino. Com isso, a chicória reduz a acidez do organismo e ajuda a combater problemas como refluxo, indigestão e azia.
Outros benefícios da chicória estão relacionados à saúde da pele e do coração, ao fortalecimento do sistema imunológico e à perda de peso.
O leite é um dos alimentos mais antigos incorporados à alimentação humana e acompanha a própria evolução das sociedades. Seu consumo começou há milhares de anos, ainda no período Neolítico, quando os seres humanos passaram a domesticar animais e a desenvolver formas mais permanentes de produção de alimentos.
Vestígios arqueológicos encontrados em antigas cerâmicas indicam que o consumo de leite e de seus derivados já fazia parte da vida de comunidades do Oriente Médio e de outras regiões do Crescente Fértil há pelo menos 10 mil anos. A criação de ovelhas, cabras e bovinos ampliou as possibilidades de aproveitamento dos animais, incorporando o leite à alimentação cotidiana.
Em Tangará da Serra, o leite também representa uma importante atividade da agricultura familiar. Além do produto in natura, a produção leiteira dá origem a uma variedade de alimentos de grande aceitação no mercado, como queijos, requeijões, doces, nata e outros derivados.
Na Feira do Produtor do Centro, o leite está entre os produtos procurados pelos consumidores. Vendido in natura, chega à feira em quantidade considerável e, segundo os próprios feirantes, costuma ter boa procura. Os derivados também conquistam espaço entre os consumidores.
Um dos feirantes que comercializa leite e derivados é Valdeci Ferraz Aquino (na foto abaixo, em seu box), presidente da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet). Ele confirma a procura pelo produto.
“Se o consumidor não chegar cedo, pode ficar sem o leite, porque vende muito bem”, revela.
Entre as principais regiões produtoras de leite do município estão a Linha 12, Córrego das Pedras, Acampamento e Gleba Bandeirantes. O rebanho leiteiro é formado principalmente por animais da raça Girolando, conhecida pela aptidão para a produção de leite e pela adaptação às condições climáticas brasileiras.
Benefícios
O leite e seus derivados integram um grupo de alimentos de importante valor nutricional. São fontes de proteínas e cálcio e também fornecem minerais como fósforo e potássio, além de vitaminas.
O cálcio presente nos alimentos lácteos apresenta elevada biodisponibilidade, o que significa que pode ser bem aproveitado pelo organismo. Por isso, o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação associada à manutenção da saúde óssea e ao fornecimento de proteínas importantes para a formação e manutenção da massa muscular.
A quantidade e a frequência adequadas de consumo, entretanto, variam conforme a idade, as necessidades nutricionais e as condições individuais de cada pessoa.
A “cachorrada”
O leite faz parte da alimentação de muitas pessoas desde a infância. Por isso, também está presente em lembranças, histórias e tradições familiares. É o caso de Valdeci Ferraz Aquino, que transformou uma lembrança da infância em um dos produtos que hoje comercializa na feira.
Era 1969. Valdeci ainda era criança e acompanhava os pais, Dona Noemi e ‘Seo’ Juanir, na rotina da propriedade rural da família, no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.
Numa manhã, Dona Noemi colocou para ferver uma grande panela de leite recém-ordenhado das vacas da propriedade. Naquele dia, porém, algo saiu diferente do esperado: o leite coalhou.
Para não desperdiçar o produto, Dona Noemi acrescentou açúcar à coalhada e improvisou um doce. O que poderia ter sido apenas uma solução para aproveitar o leite acabou se transformando em uma tradição culinária da família.
Quando voltou da lida, Juanir entrou na cozinha e pediu leite para beber. A resposta da esposa foi direta: “Coalhou!”
Frustrado, Juanir reagiu: “Que cachorrada!”
E o nome ficou.
Décadas depois, a “cachorrada” é um dos produtos comercializados por Valdeci e sua esposa, Dª Cleide, no Box 81 da Feira do Produtor do Centro. Semelhante à ambrosia, mas preparada sem a adição de ovos, o doce mantém a receita que nasceu de uma situação corriqueira na propriedade da família e hoje desperta a curiosidade e o paladar dos frequentadores da feira.
Morador da localidade do Acampamento, Valdeci também oferece leite de vaca, queijo, doce pastoso, doce em cubos e nata.
Assim, entre o leite que chega fresco à banca e os produtos que carregam receitas transmitidas ao longo do tempo, a feira preserva não apenas uma tradição alimentar, mas também um pouco da memória de quem vive da produção rural.