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Governo sob pressão: “Escândalo da Oi” e CPI da SES tensionam Palácio Paiaguás

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O cenário político em Mato Grosso aquece em pleno ano eleitoral com dois casos que levam tensão aos gabinetes do Palácio Paiaguás. Primeiro, as graves denúncias envolvendo um acordo com a operadora Oi e, segundo, a instalação de uma CPI para investigar contratos da Secretaria de Estado de Saúde (SES).

O “Escândalo da Oi” e a Previsão de Operações

O suspense em torno do chamado “Escândalo da Oi” ganhou novos capítulos após declarações contundentes do senador Jayme Campos (União). Em entrevista a um podcast, o senador alertou para a iminência de operações da Polícia Federal, mencionando que “bacanas” poderiam acabar presos ou sob monitoramento de tornozeleira eletrônica. “Tem muita coisa debaixo do tapete que precisa vir à tona”, afirmou Campos, reforçando que o caso “não é blefe”.

Jayme Campos: “Não é blefe… Tem muita coisa debaixo do tapete que precisa vir à tona”.

A Denúncia: A base do escândalo reside em uma representação feita pelo ex-governador e ex-procurador da República, Pedro Taques. Segundo a denúncia encaminhada aos órgãos de controle:

  • O Governo de MT teria pago R$ 308 milhões aos fundos de investimento Lotte Word e Royal Capital.
  • A transação decorreu de um acordo sigiloso entre a Procuradoria Geral do Estado (PGE) e o representante da Oi.
  • Taques aponta que os fundos beneficiários teriam ligações com parentes e aliados do governador Mauro Mendes.
  • O senador Jayme Campos sugere que este não é um caso isolado, afirmando que a gestão atual acumularia cerca de 20 episódios semelhantes.

CPI da Saúde: Foco na Operação Espelho

Após três anos de articulação, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) oficializou a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde. Presidida pelo deputado Wilson Santos (PSD), a comissão investigará irregularidades em licitações ocorridas entre 2019 e 2023.

Deputado Wilson Santos preside a CPI.

Pontos-chave da Investigação:

  1. Operação Espelho: O foco central são os desdobramentos da operação da Polícia Civil, que investiga um suposto cartel de empresas de serviços médicos que atuou durante a pandemia de Covid-19.
  2. Bloqueio de Bens: As investigações já resultaram no sequestro de aproximadamente R$ 35 milhões em bens dos envolvidos.
  3. Rito Processual: O presidente da ALMT, Max Russi (PSB), confirmou que os requisitos regimentais foram cumpridos. Agora, os blocos partidários têm cinco dias para indicar os 10 membros (titulares e suplentes). A CPI terá 180 dias para concluir os trabalhos.

Sigilo Estratégico: Em um movimento incomum, os nomes dos oito deputados que assinaram o pedido da CPI foram mantidos em sigilo temporário. A estratégia visa proteger os parlamentares de possíveis pressões políticas ou retaliações por parte do Executivo estadual.

(Redação EB, com informações de Sapicuá Rádio Agência)

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Gisela recompõe chapa de Pivetta após crise e preserva estrutura da aliança

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Escolha da advogada e ex-deputada federal mantém União Brasil na vice e busca ampliar o alcance da candidatura após saída de Fábio Garcia, em meio aos reflexos políticos da Operação Heritage

A escolha de Gisela Simona (União Brasil) para a vice-governadoria na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos) vai além da simples substituição de Fábio Garcia. A decisão recompõe uma candidatura que precisou ser reorganizada às pressas após os desdobramentos políticos e judiciais da Operação Heritage e preserva, ao mesmo tempo, a estrutura partidária originalmente concebida para a disputa pelo Governo de Mato Grosso.

Gisela: Passagem pelo Procon e pela Câmara Federal lhe garantiu reconhecimento político e uma identidade pública própria.

Gisela foi anunciada como vice na noite de terça-feira (11), horas depois de Fábio Garcia desistir da candidatura e decidir buscar a reeleição para a Câmara dos Deputados. O deputado deixou a composição em meio às medidas cautelares decorrentes da investigação sobre um suposto esquema envolvendo cerca de R$ 308 milhões pagos pelo Estado no acordo com a operadora Oi. Entre as restrições impostas estão impedimentos de comunicação direta entre investigados, situação que atingiu Garcia, o ex-governador Mauro Mendes e o ex-chefe da Casa Civil Mauro Carvalho.

Reconstrução mantendo a base

A saída de Garcia criou para Pivetta a necessidade de uma solução rápida, mas a escolha de Gisela evitou uma alteração mais profunda no desenho político da chapa. Filiada ao União Brasil, ela preserva o espaço do partido na vice-governadoria e mantém a composição Republicanos-União Brasil, um dos pilares da aliança formada pelo grupo governista.

Pivetta: Escolha de Gisela evitou uma alteração mais profunda no desenho político da chapa.

A opção também afasta a vice da crise provocada pela Heritage. Sem vínculo com os investigados ou com os fatos sob apuração, Gisela chega à chapa sem carregar diretamente os efeitos políticos do caso que levou à necessidade de reorganização da candidatura.

A escolha permite, assim, uma tentativa de reposicionamento da campanha: preservar a estrutura da aliança, mas substituir um nome diretamente atingido pelas consequências das medidas cautelares por outro com trajetória própria no cenário político estadual.

Mulher e representante da Baixada Cuiabana

A composição acrescenta ainda dois elementos à estratégia eleitoral. Gisela é uma mulher em uma chapa majoritária e possui trajetória política co

Vander: “Escolha de Gisela Simona foi relevante, por ela ter características importantes dentro do cenário político”.

nstruída principalmente em Cuiabá e na Baixada Cuiabana, região de peso eleitoral nas disputas estaduais.

Advogada e servidora pública de carreira, Gisela construiu projeção pública à frente do Procon Estadual e, posteriormente, exerceu mandato de deputada federal. Sua atuação política ficou associada a temas como defesa do consumidor, combate à corrupção e representação de demandas da região metropolitana da Capital.

Para o prefeito de Tangará da Serra, Vander Masson, ouvido pela reportagem, a escolha reúne características que podem complementar o perfil de Pivetta.

“Pela informação que recebi, o pedido de renúncia da candidatura foi feito pelo próprio Fábio. Em virtude disso, creio que a escolha da Gisela Simona foi relevante, por ela ter características importantes dentro do cenário político. E que são potencializadas pela experiência profissional como advogada, superintendente efetiva do Procon, exercício no cargo de deputada federal, entre outras, que, somadas às qualidades do candidato Pivetta, se complementam para o exercício de um mandato de avanço em resultados para a população mato-grossense”, afirmou Vander, que é filiado ao União Brasil.

Patrimônio político próprio

Outro aspecto da escolha está no fato de Gisela não ser um nome inteiramente novo para o eleitorado. A passagem pelo Procon e pela Câmara Federal lhe garantiu reconhecimento político e uma identidade pública própria, construída antes da definição de sua participação na chapa.

Esse patrimônio político pode ajudar Pivetta a reorganizar a campanha em um momento de forte repercussão sobre o grupo governista. A Operação Heritage já havia provocado a saída de Garcia da vice e levado a uma série de mudanças no ambiente político da aliança.

A definição por Gisela, portanto, representa uma resposta à crise sem desmontar o arranjo partidário original. Pivetta preserva o União Brasil na vice, incorpora um perfil feminino à chapa e passa a contar com uma candidata identificada com Cuiabá e a Baixada Cuiabana.

Mais do que preencher uma vaga aberta de forma inesperada, a escolha procura devolver estabilidade à composição majoritária. Resta saber se a rápida reestruturação será suficiente para conter os efeitos políticos da Heritage e permitir que a campanha retome sua agenda original, agora com uma chapa reconstruída em meio a um dos primeiros grandes testes do processo eleitoral de 2026.

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