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Feira do Centro oferece superalimento que veio no porão das caravelas, há 500 anos

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Os alimentos que consumimos são mais do que nutrientes; são capítulos vivos da nossa história. Na Feira do Produtor do Centro, em Tangará da Serra, cada banca funciona como um livro aberto, preservando tradições que atravessam séculos.

Neste domingo (18.01), os portões se abrem antes do nascer do sol, às 05h, para oferecer o que há de melhor na agricultura familiar da nossa região.

Tradição em Tangará da Serra, Feira do Centro atende neste domingo a partir das 05h00.

O Protagonista da Semana: O Feijão de Corda

Em meio à imensa diversidade do maior mercado público de Mato Grosso, um legume se destaca não apenas pelo sabor, mas pela ancestralidade: o feijão de corda (ou feijão-caupi).

“É um alimento que ajuda a contar a história da culinária brasileira. Serve de base para muitos pratos e é muito saudável”, destaca Valdeci Ferraz Aquino, presidente da Associação dos Feirantes e gestor da Feira do Centro.

Vendido fresco, ainda nas vagens, ou já debulhado para facilitar o dia a dia, o feijão de corda — também conhecido como feijão-fradinho, miúdo ou macáçar — é um símbolo da resistência e adaptação. Sua jornada começou na região Nordeste e encontrou no solo do Cerrado um novo vigor, apresentando grãos que variam do branco ao bege claro, sempre com excelente qualidade.

Uma Viagem de 5 séculos

A trajetória deste legume é fascinante. Ele atravessou o Atlântico vindo da África no porão das caravelas, trazido por escravos, entre 1530 e 1550. Após desembarcar na Bahia, conquistou o Norte e o Nordeste até se espalhar por todo o território nacional, tornando-se ingrediente indispensável em clássicos como o “baião de dois” ou em farofas ricas com linguiça e bacon.

Por que levar para casa?

Além do valor histórico, o feijão de corda é um “superalimento” para os padrões de saúde atuais:

  • Baixo Índice Glicêmico: Ideal para quem busca controle da diabetes e emagrecimento.
  • Rico em Nutrientes: Fonte abundante de proteínas, ferro, potássio, fósforo e vitaminas A, C e K.
  • Saúde em Dia: Auxilia na redução do colesterol, melhora a pressão arterial e fortalece ossos e dentes.
  • Bem-estar: Por ser rico em fibras, melhora o funcionamento intestinal e possui propriedades que ajudam a relaxar o sistema nervoso.

Veja seis receitas com feijão-de-corda:

6 receitas de feijão-de-corda que vão deixar suas refeições mais gostosas

Programe-se:

Aproveite o domingo para valorizar quem produz e para colocar essa história no seu prato.

    • Evento: Feira do Produtor do Centro – Tangará da Serra
    • Data: Amanhã, domingo, 18 de janeiro de 2026.
    • Horário: A partir das 05h da manhã.

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Cidades & Geral

Aripuanã vê duas obras milionárias travadas por decisões da Justiça e do Tribunal de Contas

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Usina solar de R$ 30 milhões tem pagamentos suspensos pelo Tribunal de Contas, enquanto licitação da nova Prefeitura é barrada pela Justiça; investimentos somam mais de R$ 40 milhões e pressionam município de 26 mil habitantes

Dois grandes investimentos da gestão da prefeita Seluir Peixer Reghin (União) estão sob intervenção dos órgãos de controle e ampliam a preocupação com a questão da regularidade e, também, quanto aos impactos financeiros para Aripuanã. Enquanto o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) suspendeu os pagamentos restantes da usina solar de aproximadamente R$ 30 milhões, a Justiça determinou a paralisação da licitação para a construção da nova sede da Prefeitura por indícios de irregularidades no edital.

Juntas, as duas obras ultrapassam R$ 40 milhões em investimentos previstos — valor expressivo para um município de pouco mais de 26 mil habitantes e orçamento anual de cerca de R$ 250 milhões. Apenas a usina fotovoltaica representa cerca de 12% de toda a receita orçamentária do município.

No caso da usina solar, o TCE concedeu medida cautelar suspendendo o pagamento dos cerca de R$ 2,32 milhões ainda pendentes do contrato, diante de indícios de sobrepreço e outras possíveis irregularidades. Segundo a decisão, aproximadamente R$ 27,67 milhões já foram desembolsados à empresa contratada, enquanto a Corte instaurou Tomada de Contas para apurar eventual dano ao erário.

Prefeita Seluit Peixer Reghin: Obras milionárias de sua gestão são alvos de embargo por supostas irregularidades.

A situação financeira preocupa porque, apesar do elevado investimento, a usina ainda não entrou em operação. Desde dezembro de 2025, a Prefeitura já paga os juros do financiamento contratado para executar a obra e, agora, começam a vencer também as parcelas do empréstimo, embora o empreendimento ainda não produza energia para abastecer os prédios públicos.

Outro obstáculo é a inexistência do parecer de acesso da Energisa, documento indispensável para autorizar a conexão da usina ao sistema elétrico. Sem essa autorização, a energia gerada não pode ser injetada na rede, impedindo a compensação dos créditos e adiando a economia prometida.

Na prática, o município corre o risco de enfrentar uma dupla despesa: continuar pagando integralmente as contas de energia elétrica das repartições públicas e, simultaneamente, arcar com as prestações do financiamento de uma usina que não está funcionando.

A decisão do TCE é cautelar e não representa julgamento definitivo. Os responsáveis ainda poderão apresentar defesa durante a instrução do processo.

Nova Prefeitura

Paralelamente, a Justiça de Mato Grosso suspendeu a Concorrência Pública nº 10/2026, destinada à construção da nova sede da Prefeitura de Aripuanã. (Veja no arquivo com decisão judicial: Aripuanã, mandado com prdido de liminar – nova prefeitura)

A decisão liminar do juiz substituto Yago da Silva Sebastião atendeu mandado de segurança apresentado por uma das empresas participantes do certame, que apontou possíveis ilegalidades na condução da licitação.

Segundo a decisão, houve alteração substancial do edital na véspera da abertura das propostas. O documento originalmente previa julgamento pelo critério de técnica e preço, mas, um dia antes da sessão pública, a Administração Municipal informou que o critério correto seria o de menor preço global, classificando a mudança como mero erro material.

Para o magistrado, entretanto, o próprio edital continha toda a estrutura necessária para avaliação técnica, o que afasta a tese de simples equívoco formal. A decisão também destaca divergências em documentos internos da própria Prefeitura sobre o critério de julgamento, situação que pode comprometer a igualdade entre os concorrentes.

Com base na Lei Federal nº 14.133/2021, a Justiça entendeu que mudanças capazes de influenciar a formulação das propostas exigem republicação do edital e reabertura dos prazos legais.

A liminar determinou a suspensão imediata da licitação, proibiu adjudicação, homologação, assinatura de contrato ou emissão de ordem de serviço e concedeu ao município a possibilidade de corrigir integralmente o edital, republicá-lo e reabrir os prazos antes de retomar o certame.

As duas decisões, embora cautelares e ainda sujeitas ao julgamento de mérito, colocam sob questionamento dois dos maiores projetos da atual administração municipal e evidenciam o elevado impacto que investimentos dessa magnitude podem produzir nas finanças de um município de pequeno porte. A situação ganha maior relevância no caso da usina solar, cujo custo equivale, sozinho, a aproximadamente 12% de todo o orçamento anual de Aripuanã.

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