A Feira do Produtor do Centro, em Tangará da Serra, abre neste domingo a partir das 05h00 com uma grande variedade de legumes, hortaliças, frutas e alimentos de origem animal.
Um dos destaques é uma hortaliça de alta produção na agricultura familiar local nessa época do ano e que, embora seja originária da África, se consagrou na culinária brasileira em vários pratos tradicionais.
O quiabo é símbolo de pratos icônicos como o frango com quiabo mineiro e o caruru paraense. Além de versátil, ele é um “superalimento” acessível, rico em fibras, magnésio e zinco.
Na hora de comprar: Esqueça o “quebra ponta”!
Muita gente quebra a pontinha do quiabo para saber se está fresco, mas isso acaba danificando o produto. Para escolher os melhores sem erro:
Cor é tudo: Prefira os de verde intenso. Fuja dos pálidos ou com manchas escuras.
O tamanho importa: Os menores e mais macios são os melhores. Frutos muito grandes tendem a ser fibrosos e duros.
O quiabo é sensível ao frio excessivo. Guarde-o na parte inferior da geladeira, dentro de sacos plásticos, por até uma semana.
Dica de Congelamento: Se for congelar inteiro, faça o “branqueamento” (passe por água fervente por 3 minutos e depois dê um choque térmico em água gelada). Isso mantém a cor e os nutrientes por muito mais tempo.
O Segredo contra a “Baba”
Se você não é fã da viscosidade, o segredo é o limão. Lave os quiabos inteiros, seque e esfregue com caldo de limão. Deixe descansar por 15 minutos, lave novamente e pronto: pode cortar e cozinhar.
Atenção: Não use o limão durante o cozimento, pois ele pode alterar a cor e o sabor original da hortaliça.
Você sabia? Curiosidades Africanas
Em alguns países da África, nada se perde do quiabo:
As sementes maduras são torradas e moídas para substituir o café.
Folhas, brotos e até as flores do quiabo são consumidos em diversas receitas tradicionais.
Inove na Cozinha
Para aproveitar a safra, o quiabo vai muito além do refogado. Experimente incluí-lo em:
Farofas crocantes (picado bem miúdo);
Risotos com carnes brancas;
Assados com especiarias (fica excelente na Air Fryer).
O leite é um dos alimentos mais antigos incorporados à alimentação humana e acompanha a própria evolução das sociedades. Seu consumo começou há milhares de anos, ainda no período Neolítico, quando os seres humanos passaram a domesticar animais e a desenvolver formas mais permanentes de produção de alimentos.
Vestígios arqueológicos encontrados em antigas cerâmicas indicam que o consumo de leite e de seus derivados já fazia parte da vida de comunidades do Oriente Médio e de outras regiões do Crescente Fértil há pelo menos 10 mil anos. A criação de ovelhas, cabras e bovinos ampliou as possibilidades de aproveitamento dos animais, incorporando o leite à alimentação cotidiana.
Em Tangará da Serra, o leite também representa uma importante atividade da agricultura familiar. Além do produto in natura, a produção leiteira dá origem a uma variedade de alimentos de grande aceitação no mercado, como queijos, requeijões, doces, nata e outros derivados.
Na Feira do Produtor do Centro, o leite está entre os produtos procurados pelos consumidores. Vendido in natura, chega à feira em quantidade considerável e, segundo os próprios feirantes, costuma ter boa procura. Os derivados também conquistam espaço entre os consumidores.
Um dos feirantes que comercializa leite e derivados é Valdeci Ferraz Aquino (na foto abaixo, em seu box), presidente da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet). Ele confirma a procura pelo produto.
“Se o consumidor não chegar cedo, pode ficar sem o leite, porque vende muito bem”, revela.
Entre as principais regiões produtoras de leite do município estão a Linha 12, Córrego das Pedras, Acampamento e Gleba Bandeirantes. O rebanho leiteiro é formado principalmente por animais da raça Girolando, conhecida pela aptidão para a produção de leite e pela adaptação às condições climáticas brasileiras.
Benefícios
O leite e seus derivados integram um grupo de alimentos de importante valor nutricional. São fontes de proteínas e cálcio e também fornecem minerais como fósforo e potássio, além de vitaminas.
O cálcio presente nos alimentos lácteos apresenta elevada biodisponibilidade, o que significa que pode ser bem aproveitado pelo organismo. Por isso, o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação associada à manutenção da saúde óssea e ao fornecimento de proteínas importantes para a formação e manutenção da massa muscular.
A quantidade e a frequência adequadas de consumo, entretanto, variam conforme a idade, as necessidades nutricionais e as condições individuais de cada pessoa.
A “cachorrada”
O leite faz parte da alimentação de muitas pessoas desde a infância. Por isso, também está presente em lembranças, histórias e tradições familiares. É o caso de Valdeci Ferraz Aquino, que transformou uma lembrança da infância em um dos produtos que hoje comercializa na feira.
Era 1969. Valdeci ainda era criança e acompanhava os pais, Dona Noemi e ‘Seo’ Juanir, na rotina da propriedade rural da família, no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.
Numa manhã, Dona Noemi colocou para ferver uma grande panela de leite recém-ordenhado das vacas da propriedade. Naquele dia, porém, algo saiu diferente do esperado: o leite coalhou.
Para não desperdiçar o produto, Dona Noemi acrescentou açúcar à coalhada e improvisou um doce. O que poderia ter sido apenas uma solução para aproveitar o leite acabou se transformando em uma tradição culinária da família.
Quando voltou da lida, Juanir entrou na cozinha e pediu leite para beber. A resposta da esposa foi direta: “Coalhou!”
Frustrado, Juanir reagiu: “Que cachorrada!”
E o nome ficou.
Décadas depois, a “cachorrada” é um dos produtos comercializados por Valdeci e sua esposa, Dª Cleide, no Box 81 da Feira do Produtor do Centro. Semelhante à ambrosia, mas preparada sem a adição de ovos, o doce mantém a receita que nasceu de uma situação corriqueira na propriedade da família e hoje desperta a curiosidade e o paladar dos frequentadores da feira.
Morador da localidade do Acampamento, Valdeci também oferece leite de vaca, queijo, doce pastoso, doce em cubos e nata.
Assim, entre o leite que chega fresco à banca e os produtos que carregam receitas transmitidas ao longo do tempo, a feira preserva não apenas uma tradição alimentar, mas também um pouco da memória de quem vive da produção rural.