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Circuito Rural

Fala de Lula gera reflexão sobre a diferença entre política pública e favor pessoal ao produtor

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A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o agronegócio deveria não apenas votar nele, mas “se ajoelhar” em razão dos recursos destinados ao setor, provocou reações e abriu espaço para uma discussão que vai além da disputa eleitoral. Em sua coluna Circuito Rural, publicada nesta quarta-feira (23), o jornalista Olmir Cividini, de Tangará da Serra, faz justamente essa leitura: crédito rural não é favor presidencial e política agrícola não se confunde com gratidão política.

A fala de Lula ocorreu em comício em Florianópolis, no dia 19, quando o presidente destacou o volume de recursos do Plano Safra e a abertura de mercados para produtos brasileiros.

É nesse ponto que a reflexão de Cividini ganha consistência. Ajoelhar-se carrega um significado de reverência, submissão ou reconhecimento de uma autoridade superior. Não parece adequado, portanto, como parâmetro para uma relação republicana entre governo e setor produtivo.

Cividini: “Realidade dos números não combina com a ideia de que o simples anúncio de grandes volumes de recursos encerra a discussão sobre política agrícola”

Mais importante, porém, é separar o discurso político da natureza dos instrumentos utilizados pelo Estado. Os recursos do crédito rural não são dinheiro entregue gratuitamente ao produtor. São financiamentos submetidos a regras, juros, garantias, análise de risco e obrigação de pagamento. O Plano Safra estabelece condições e disponibiliza mecanismos de financiamento; não cria uma dívida moral do produtor com quem ocupa o Palácio do Planalto.

Os próprios números ajudam a colocar a discussão em perspectiva. Levantamento da Farsul, com base em dados do Banco Central, mostra que a área financiada pelas linhas tradicionais de custeio caiu de 34,2 milhões de hectares, em julho de 2025, para 25,4 milhões em julho de 2026 — retração de 25,8% em 12 meses. O valor liberado também recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões, enquanto o número de contratos caiu 10,3%.

É uma realidade que não combina facilmente com a ideia de que o simples anúncio de grandes volumes de recursos encerra a discussão sobre política agrícola.

As reações da FAEP e de lideranças como a senadora Tereza Cristina reforçaram justamente esse contraponto, apontando problemas como juros, acesso ao crédito, seguro rural e dificuldades de renegociação.

O produtor rural, portanto, não precisa de um governo que cobre reverência. Precisa de crédito acessível, juros compatíveis, seguro rural funcional, segurança jurídica e instrumentos capazes de transformar recursos anunciados em financiamento efetivamente disponível.

A coluna de Olmir Cividini toca, assim, numa questão que ultrapassa a frase de um presidente em campanha: quando crédito rural é apresentado como favor pessoal de governante, perde-se de vista que política agrícola é instrumento de Estado, não moeda de gratidão eleitoral.

Crédito rural é política agrícola. Não é favor presidencial — e não exige que ninguém se ajoelhe.

Ouça o Circuito Rural na íntegra:

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Circuito Rural

Incertezas e política no STF e compras chinesas de soja dos EUA ampliam cautela do produtor

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Coluna Circuito Rural destaca preocupação do agro com a segurança jurídica e os efeitos da volta da China ao mercado americano de soja.

A coluna Circuito Rural desta sexta-feira (18), do jornalista Olmir Cividini, começa com uma análise crítica do julgamento realizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira (16), classificado pelo comentarista como “patético”.

Segundo Cividini, entidades do setor manifestaram preocupação com o ambiente institucional e os possíveis reflexos de uma crise no Supremo sobre a segurança jurídica no país. Para o agro, regras claras e previsíveis são fundamentais para garantir investimentos, produção, emprego e renda.

A coluna lembra que decisões do STF sobre marco temporal, direito de propriedade, conflitos fundiários e legislação ambiental podem interferir diretamente na atividade rural e no patrimônio dos produtores. Na avaliação do jornalista, a instabilidade institucional deixa de ser apenas uma questão política ou jurídica e passa a representar também um risco econômico.

Na sequência, o comentário aborda a retomada das compras de soja dos Estados Unidos pela China, justamente no início do plantio da safra 2026/27 em Mato Grosso. Os chineses já teriam contratado quase 9 milhões de toneladas da próxima temporada americana, movimento que ajudou a elevar as cotações da oleaginosa em Chicago.

A valorização é positiva para a formação dos preços no Brasil, mas também aumenta a concorrência pelo maior mercado consumidor mundial. Até julho, 72% da soja importada pela China tinham origem brasileira.

O Rabobank alerta que a entrada da soja americana e a possibilidade de novas vendas dos Estados Unidos aos chineses podem limitar as exportações brasileiras no quarto trimestre. Por isso, o produtor mato-grossense inicia a safra com atenção redobrada a quatro fatores: chuva, produtividade, custos e comportamento da China.

Ouça o Circuito Rural na íntegra:

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