A implantação de um aterro sanitário regional foi o principal encaminhamento na reunião promovida na manhã de ontem (sábado, 30), no auditório da ACITS, em Tangará da Serra, pelo vice-governador Otaviano Pivetta (PDT) e representantes de 14 municípios da região de abrangência do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento do Alto do Rio Paraguai.
A reunião foi convocada pelo próprio vice-governador, quem conduziu o encontro, juntamente com o presidente do Consórcio, Jossimar Fernandes, popular Zema, prefeito de Nortelândia.
Vice-governador Otaviano Pivetta convocou a reunião de ontem, em Tangará da Serra.
Além de Tangará da Serra – representada pelo prefeito Vander Masson (PSDB) -, participaram representantes de Campo Novo do Parecis, Diamantino, Nova Maringá, São José do Rio Claro, Alto Paraguai, Arenápolis, Barra do Bugres, Denise, Nova Olímpia, Nortelândia, Nova Marilândia, Santo Afonso e Porto Estrela.
Reunião contou com presenças de Pivetta e representantes de 13 municípios da região de abrangência do Consórcio.
Também marcaram presença, os deputados estaduais Dr. João (MDB) e Paulo Araújo (PP), o presidente da MT Par, Wener Santos, além de vereadores, secretários municipais e representantes das sociedades civis organizadas dos municípios envolvidos.
Tido como fundamental para corrigir um passivo ambiental antigo e preocupante da região, o aterro sanitário a ser implantado atenderia principalmente aos municípios da baixada da Serra de Tapirapuã.
Enquanto Tangará da Serra conta com um bem estruturado aterro sanitário, os municípios do entorno, em especial os localizados a partir de Diamantino e abaixo da serra, contam com sistemas de coleta e destinação que precisam de grandes ajustes e melhorias.
Aterro regional para atender municípios da ‘baixada da serra’ é alternativa para mitigar antigo passivo ambiental.
Para tanto, Otaviano Pivetta propôs a apresentação, por parte do Consórcio Intermunicipal, de uma proposta de implantação de aterro sanitário para atender a estes municípios. “Temos pressa. Hoje ficou marcado que até o final da semana que vem teremos uma proposta (…), e aí vamos decidir se será feito em parceria com a iniciativa privada ou mesmo pelo consórcio”, disse o vice-governador, em entrevista à Imprensa, lembrando do Novo Marco Regulatório do Saneamento Básico, que prevê a eliminação de lixões a céu aberto, estabelece prazos para soluções nesta área, com encaminhamentos pelos municípios até julho deste ano e efetivação dos processos até 2024.
Além do aterro sanitário regional, outras demandas foram apontadas como prioritárias nas atividades do Consórcio Intermunicipal, que congrega 15 municípios, incluindo Nova Olímpia e Sapezal, além dos já citados.
A pavimentação urbana nas rodovias estaduais que integram a região e nas zonas urbanas dos municípios pertencentes ao consórcio será impulsionada pelo órgão, que receberá patrulhas mecanizadas custeadas pelo governo do Estado, atuando em parceria com os municípios.
Manutenção e adequação de estradas vicinais, pontes e bueiros também estão entre os trabalhos prioritários, considerando que o estado já possui programa para instalação destas estruturas nos municípios do interior.
Licenciamentos ambientais para atividades de baixo impacto e inspeção sanitária para abate de animais, produção e comercialização de produtos derivados também constam nas atividades que serão conduzidas pelo consórcio para atendimento dos municípios da região que ainda não possuem estes serviços.
O leite é um dos alimentos mais antigos incorporados à alimentação humana e acompanha a própria evolução das sociedades. Seu consumo começou há milhares de anos, ainda no período Neolítico, quando os seres humanos passaram a domesticar animais e a desenvolver formas mais permanentes de produção de alimentos.
Vestígios arqueológicos encontrados em antigas cerâmicas indicam que o consumo de leite e de seus derivados já fazia parte da vida de comunidades do Oriente Médio e de outras regiões do Crescente Fértil há pelo menos 10 mil anos. A criação de ovelhas, cabras e bovinos ampliou as possibilidades de aproveitamento dos animais, incorporando o leite à alimentação cotidiana.
Em Tangará da Serra, o leite também representa uma importante atividade da agricultura familiar. Além do produto in natura, a produção leiteira dá origem a uma variedade de alimentos de grande aceitação no mercado, como queijos, requeijões, doces, nata e outros derivados.
Na Feira do Produtor do Centro, o leite está entre os produtos procurados pelos consumidores. Vendido in natura, chega à feira em quantidade considerável e, segundo os próprios feirantes, costuma ter boa procura. Os derivados também conquistam espaço entre os consumidores.
Um dos feirantes que comercializa leite e derivados é Valdeci Ferraz Aquino (na foto abaixo, em seu box), presidente da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet). Ele confirma a procura pelo produto.
“Se o consumidor não chegar cedo, pode ficar sem o leite, porque vende muito bem”, revela.
Entre as principais regiões produtoras de leite do município estão a Linha 12, Córrego das Pedras, Acampamento e Gleba Bandeirantes. O rebanho leiteiro é formado principalmente por animais da raça Girolando, conhecida pela aptidão para a produção de leite e pela adaptação às condições climáticas brasileiras.
Benefícios
O leite e seus derivados integram um grupo de alimentos de importante valor nutricional. São fontes de proteínas e cálcio e também fornecem minerais como fósforo e potássio, além de vitaminas.
O cálcio presente nos alimentos lácteos apresenta elevada biodisponibilidade, o que significa que pode ser bem aproveitado pelo organismo. Por isso, o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação associada à manutenção da saúde óssea e ao fornecimento de proteínas importantes para a formação e manutenção da massa muscular.
A quantidade e a frequência adequadas de consumo, entretanto, variam conforme a idade, as necessidades nutricionais e as condições individuais de cada pessoa.
A “cachorrada”
O leite faz parte da alimentação de muitas pessoas desde a infância. Por isso, também está presente em lembranças, histórias e tradições familiares. É o caso de Valdeci Ferraz Aquino, que transformou uma lembrança da infância em um dos produtos que hoje comercializa na feira.
Era 1969. Valdeci ainda era criança e acompanhava os pais, Dona Noemi e ‘Seo’ Juanir, na rotina da propriedade rural da família, no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.
Numa manhã, Dona Noemi colocou para ferver uma grande panela de leite recém-ordenhado das vacas da propriedade. Naquele dia, porém, algo saiu diferente do esperado: o leite coalhou.
Para não desperdiçar o produto, Dona Noemi acrescentou açúcar à coalhada e improvisou um doce. O que poderia ter sido apenas uma solução para aproveitar o leite acabou se transformando em uma tradição culinária da família.
Quando voltou da lida, Juanir entrou na cozinha e pediu leite para beber. A resposta da esposa foi direta: “Coalhou!”
Frustrado, Juanir reagiu: “Que cachorrada!”
E o nome ficou.
Décadas depois, a “cachorrada” é um dos produtos comercializados por Valdeci e sua esposa, Dª Cleide, no Box 81 da Feira do Produtor do Centro. Semelhante à ambrosia, mas preparada sem a adição de ovos, o doce mantém a receita que nasceu de uma situação corriqueira na propriedade da família e hoje desperta a curiosidade e o paladar dos frequentadores da feira.
Morador da localidade do Acampamento, Valdeci também oferece leite de vaca, queijo, doce pastoso, doce em cubos e nata.
Assim, entre o leite que chega fresco à banca e os produtos que carregam receitas transmitidas ao longo do tempo, a feira preserva não apenas uma tradição alimentar, mas também um pouco da memória de quem vive da produção rural.