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Efeito “Tarifaço” reconfigura o mercado global para o Brasil e movimenta Mercosul

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A imposição da tarifa de 50% sobre a carne bovina brasileira pelos Estados Unidos criou um novo cenário no comércio internacional de proteínas, exigindo uma reconfiguração imediata dos fluxos de exportação. Embora a medida tenha reduzido a competitividade do Brasil no acesso direto ao lucrativo mercado americano, ela não impediu que o país continuasse a influenciar fortemente a oferta global, desencadeando um efeito cascata em todo o Mercosul.

Essa conjuntura criou um desafio de abastecimento nos EUA, que passa a sentir os efeitos do “vazio” deixado pelo Brasil.

A ação tarifária dos EUA ocorreu em um momento crítico. O país enfrenta um ciclo pecuário de baixa, registrando o menor rebanho dos últimos 70 anos. Essa escassez estrutural torna os Estados Unidos altamente dependentes de importações para suprir sua demanda interna, que se mantém robusta.

Com a carne brasileira mais cara e menos competitiva, o mercado norte-americano, em busca de volume e preço, se voltou imediatamente para fornecedores alternativos do Mercosul, especialmente Paraguai, Argentina e Uruguai.

Taxação sobre a carne brasileira pelos EUA não impediu que o Brasil continuasse a influenciar a oferta global.

Triangulação

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Essa mudança criou uma dinâmica de “triangulação” de fornecimento na América do Sul:

Primeiro, houve um direcionamento ao Norte. Ou seja, Paraguai, Argentina e Uruguai, vendo a oportunidade de aumentar sua participação em um dos maiores mercados consumidores do mundo, direcionaram uma parte significativa de sua produção – antes destinada a outros mercados ou ao consumo doméstico – para os EUA.

Segundo, a Demanda interna vira para o Brasil, na medida em que o escoamento da carne desses países vizinhos para os EUA abriu um vazio em seus próprios estoques domésticos. Para recompor o consumo interno e atender às suas tradicionais bases de importação (como a China), esses países naturalmente recorreram ao Brasil.

Em outras palavras, a tarifa dos EUA forçou o Brasil a desviar parte da sua produção, mas esse volume não desapareceu: ele acabou sendo absorvido, direta ou indiretamente, pelos países que agora atuam como intermediários ou que buscam recompor suas prateleiras com o produto brasileiro.

A inevitabilidade da China

Embora o mercado dos EUA seja importante, a China permanece o principal destino da carne bovina brasileira, sendo o grande motor do setor. Com o volume que seria inicialmente destinado aos americanos sendo redirecionado, o Brasil fortalece sua posição em outros mercados, notadamente o asiático.

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A conclusão é estratégica: a tarifa norte-americana não reduz o volume global de carne demandado. Ela apenas reorganiza os caminhos logísticos e a precificação. O Brasil, com sua capacidade de produção incomparável, mantém sua influência como o balizador global da oferta, garantindo que sua carne continue a circular e a sustentar a cadeia produtiva na América do Sul. A longo prazo, a medida americana pode até acelerar o esforço brasileiro de diversificar ainda mais seus parceiros comerciais e buscar acordos em mercados de alto valor agregado.

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Economia & Mercado

Agricultura familiar tem R$ 1 bilhão em recursos para investimentos em Mato Grosso

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Recursos incluem crédito subsidiado, apoio a cooperativas e assistência técnica; programas atendem produtores individuais e organizações rurais

Mais de R$ 1 bilhão em recursos estão destinados à agricultura familiar em Mato Grosso, segundo a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT). O montante inclui linhas de crédito subsidiado, apoio à produção e projetos voltados ao fortalecimento de cooperativas e associações.

Um dos programas é o Fundo de Apoio à Agricultura Familiar (Fundaaf 2.1), com R$ 76 milhões em subsídios. Cada produtor pode acessar até R$ 150 mil, com dois anos de carência e prazo de cinco anos para pagamento. Não há cobrança de juros para quem mantém as parcelas em dia.

Em Cáceres, o produtor Ciro Cersino obteve R$ 50 mil para implantar um sistema de irrigação, com assistência técnica da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer). Ele trabalha em parceria com outros três produtores no cultivo de 5 mil bananeiras da variedade banana-terra-anã. A produção é comercializada em Cuiabá, Cáceres e por meio de cooperativas.

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O produtor também utiliza irrigação e fertirrigação para melhorar o rendimento da lavoura e aproveita a água do tanque de peixes na propriedade. A dificuldade para contratar trabalhadores, segundo ele, levou à adoção de parcerias e ao planejamento conjunto da produção.

Outro programa, o Fundaaf – Incentivo Rural, recebeu R$ 21 milhões para apoiar projetos produtivos. De acordo com a Seaf, 82% dos beneficiários são mulheres.

Na região de fronteira com a Bolívia, Rosimeire Aparecida Siqueira utilizou recursos do programa para ampliar a estrutura de criação de galinhas poedeiras e cercar áreas do galinheiro e da horta. A venda de ovos gera receita de aproximadamente R$ 100 por dia, segundo a produtora, que afirma reinvestir parte do dinheiro na propriedade.

O Estado também prevê R$ 550 milhões para o MT Produtivo – Desenvolvimento e Sustentabilidade, iniciativa destinada a cooperativas e associações de agricultores familiares. A meta é apoiar pelo menos 128 organizações. As inscrições para o edital terminam em 26 de outubro.

Na comercialização, a Seaf prepara a Vitrine do Campo, plataforma digital gratuita que pretende aproximar produtores e compradores. A proposta é facilitar o acesso ao mercado e permitir que os agricultores divulguem seus produtos.

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Segundo a secretaria, o conjunto de iniciativas busca ampliar a renda e a capacidade produtiva das famílias rurais, além de fortalecer a organização da produção e os canais de venda.

(Redação EB, com SEAF/EMPAER)

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