TANGARÁ DA SERRA
Pesquisar
Close this search box.

Cenários da carne

Brasil enfrenta restrições da UE, negocia cota na China e ganha espaço com suspensão aos EUA

Publicado em

As recentes restrições impostas pela União Europeia à carne brasileira aumentaram a cautela no mercado e contribuíram para a queda da arroba do boi gordo, atualmente cotada em torno de R$ 350. O recuo também reflete o avanço das escalas de abate e a menor demanda interna.

Veto europeu preocupa setor

A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco, incluindo carne bovina, aves, ovos e mel.

O bloco alega falta de garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na cadeia produtiva, exigência já aplicada aos produtores europeus. A medida entra em vigor em 3 de setembro e preocupa o setor, já que as exportações para a UE movimentam cerca de US$ 1,8 bilhão por ano.

O Ministério da Agricultura e Pecuária e entidades como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) reagiram com surpresa e iniciaram negociações com autoridades sanitárias europeias para tentar reverter a decisão.

Brasil busca ampliar cota na China

Ao mesmo tempo, o Brasil negocia com o governo chinês a revisão e ampliação da cota de exportação de carne bovina para evitar a aplicação de uma sobretaxa de 55% sobre o produto brasileiro.

No último dia 9 de maio, a China informou que o Brasil atingiu 50% da cota anual de 1,1 milhão de toneladas, limite estabelecido no fim de 2025 para proteger produtores locais.

O avanço rápido ocorreu em razão da forte demanda asiática e da antecipação de embarques por frigoríficos brasileiros, numa tentativa de evitar a cobrança adicional.

Segundo a Abiec, caso a tarifa extra passe a valer após o esgotamento da cota, os embarques ao mercado chinês podem se tornar inviáveis no segundo semestre, com impacto estimado de até 10% nas exportações brasileiras de carne bovina em 2026.

Diante do cenário, o governo federal e o setor pecuário avaliam alternativas para redirecionar parte da produção a outros mercados e também ao consumo interno.

China amplia pressão sobre os Estados Unidos

Enquanto negocia com o Brasil, a China voltou a suspender as licenças de exportação de mais de 400 frigoríficos e processadores de carne bovina dos Estados Unidos.

Segundo destaque da edição deste sábado (16) do programa Momento Agrícola, do jornalista Ricardo Arioli, a alfândega chinesa chegou a renovar temporariamente o credenciamento das plantas norte-americanas, mas voltou atrás no mesmo dia, interrompendo novamente os embarques.

A suspensão atinge cerca de 65% das unidades habilitadas dos EUA e ocorre em meio às tensões comerciais entre Washington e Pequim.

Especialistas avaliam que a medida faz parte da estratégia chinesa nas negociações bilaterais com os Estados Unidos. O movimento também abre espaço para que grandes exportadores, como o Brasil, ampliem participação no mercado chinês e ocupem parte das cotas deixadas pelos norte-americanos.

O conteúdo completo do programa Momento Agrícola está disponível no SoundCloud

Comentários Facebook
Advertisement

Envie sua sugestão

Clique no botão abaixo e envie sua sugestão para nossa equipe de redação
SUGESTÃO

Empresas & Produtos

Economia & Mercado

Contábil & Tributário

Governo & Legislação

Profissionais & Tecnologias

Mais Lidas da Semana