A descumprimento das medidas preventivas previstas em decreto municipal levaram o município de Tangará da Serra a impor maior rigor na fiscalização. O objetivo é coibir atitudes lesivas à saúde pública, como a livre circulação de pacientes positivos de Covid-19 que estejam em isolamento e outros abusos como festas clandestinas e aglomerações em estabelecimentos.
Entre as medidas anunciadas consta o monitoramento de pacientes com Covid-19 que se encontram em isolamento domiciliar. “Vamos monitorar estes pacientes em seus domicílios”, disse o prefeito Vander Masson, durante entrevista coletiva concedida na manhã de ontem. Na oportunidade, o gestor anunciou a atualização das medidas restritivas através do Decreto Municipal 269/2021 (que vigora desde ontem – veja imagem de resumo ao final do texto) e externou sua preocupação com casos de descumprimento das medidas.
Masson citou como exemplo negativo o caso de um paciente com Covid-19 que foi flagrado dentro de um ônibus que saia em direção a Cuiabá. O paciente alegou que iria à capital para realização de outros exames.
Outros casos, como as inúmeras festas clandestinas e outras aglomerações, além da inobservância das normas por empresas de maior porte – como dois grandes supermercados da cidade – também preocupam.
Na sexta-feira da semana passada, uma das lojas do Big Master Supermercados e a loja do Atacadão foram interditadas após constatação de descumprimento de medidas restritivas previstas no decreto 248/2021. Os estabelecimentos não estavam fazendo cumprir o limite de um a pessoa por família nas compras e, também, normas de distanciamento entre os clientes.
Além de interditados, os dois estabelecimentos foram multados em R$ 10 mil, em conformidade com a Lei Estadual 11.316/2021 e auto de infração lavrado pela Polícia Militar. O Big Master e o Atacadão só puderam reabrir as portas no dia seguinte (sábado, 12), depois de assinarem Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) homologados pela Justiça.
Desde então, os dois estabelecimentos passaram a adotar maior rigor para o acesso de consumidores em suas lojas. O controle é feito a partir do número de carrinhos de compras disponibilizados de acordo com o limite máximo de público (50% da capacidade) previsto no decreto 269/2021.
O monitoramento de pacientes em isolamento domiciliar e a fiscalização em estabelecimentos e nos mais diversos locais da cidade contarão com a atuação da Polícia Militar, a exemplo do que já vinha ocorrendo, porém, desta vez, com maior rigor.
Presente na coletiva de ontem pela manhã, o comandante do 19º Batalhão da Polícia Militar de Tangará da Serra, tenente-coronel Vanilson da Silva Moraes (foto início), destacou que, além das multas, haverá responsabilização dos infratores na forma da lei. “Vamos atuar com rigor para que os números da pandemia sejam diminuídos”, disse o oficial da PM.
As infrações serão punidas com multas de R$ 500,00 para pessoa física (CPF) e R$ 10 mil para pessoa jurídica (CNPJ).
O leite é um dos alimentos mais antigos incorporados à alimentação humana e acompanha a própria evolução das sociedades. Seu consumo começou há milhares de anos, ainda no período Neolítico, quando os seres humanos passaram a domesticar animais e a desenvolver formas mais permanentes de produção de alimentos.
Vestígios arqueológicos encontrados em antigas cerâmicas indicam que o consumo de leite e de seus derivados já fazia parte da vida de comunidades do Oriente Médio e de outras regiões do Crescente Fértil há pelo menos 10 mil anos. A criação de ovelhas, cabras e bovinos ampliou as possibilidades de aproveitamento dos animais, incorporando o leite à alimentação cotidiana.
Em Tangará da Serra, o leite também representa uma importante atividade da agricultura familiar. Além do produto in natura, a produção leiteira dá origem a uma variedade de alimentos de grande aceitação no mercado, como queijos, requeijões, doces, nata e outros derivados.
Na Feira do Produtor do Centro, o leite está entre os produtos procurados pelos consumidores. Vendido in natura, chega à feira em quantidade considerável e, segundo os próprios feirantes, costuma ter boa procura. Os derivados também conquistam espaço entre os consumidores.
Um dos feirantes que comercializa leite e derivados é Valdeci Ferraz Aquino (na foto abaixo, em seu box), presidente da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet). Ele confirma a procura pelo produto.
“Se o consumidor não chegar cedo, pode ficar sem o leite, porque vende muito bem”, revela.
Entre as principais regiões produtoras de leite do município estão a Linha 12, Córrego das Pedras, Acampamento e Gleba Bandeirantes. O rebanho leiteiro é formado principalmente por animais da raça Girolando, conhecida pela aptidão para a produção de leite e pela adaptação às condições climáticas brasileiras.
Benefícios
O leite e seus derivados integram um grupo de alimentos de importante valor nutricional. São fontes de proteínas e cálcio e também fornecem minerais como fósforo e potássio, além de vitaminas.
O cálcio presente nos alimentos lácteos apresenta elevada biodisponibilidade, o que significa que pode ser bem aproveitado pelo organismo. Por isso, o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação associada à manutenção da saúde óssea e ao fornecimento de proteínas importantes para a formação e manutenção da massa muscular.
A quantidade e a frequência adequadas de consumo, entretanto, variam conforme a idade, as necessidades nutricionais e as condições individuais de cada pessoa.
A “cachorrada”
O leite faz parte da alimentação de muitas pessoas desde a infância. Por isso, também está presente em lembranças, histórias e tradições familiares. É o caso de Valdeci Ferraz Aquino, que transformou uma lembrança da infância em um dos produtos que hoje comercializa na feira.
Era 1969. Valdeci ainda era criança e acompanhava os pais, Dona Noemi e ‘Seo’ Juanir, na rotina da propriedade rural da família, no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.
Numa manhã, Dona Noemi colocou para ferver uma grande panela de leite recém-ordenhado das vacas da propriedade. Naquele dia, porém, algo saiu diferente do esperado: o leite coalhou.
Para não desperdiçar o produto, Dona Noemi acrescentou açúcar à coalhada e improvisou um doce. O que poderia ter sido apenas uma solução para aproveitar o leite acabou se transformando em uma tradição culinária da família.
Quando voltou da lida, Juanir entrou na cozinha e pediu leite para beber. A resposta da esposa foi direta: “Coalhou!”
Frustrado, Juanir reagiu: “Que cachorrada!”
E o nome ficou.
Décadas depois, a “cachorrada” é um dos produtos comercializados por Valdeci e sua esposa, Dª Cleide, no Box 81 da Feira do Produtor do Centro. Semelhante à ambrosia, mas preparada sem a adição de ovos, o doce mantém a receita que nasceu de uma situação corriqueira na propriedade da família e hoje desperta a curiosidade e o paladar dos frequentadores da feira.
Morador da localidade do Acampamento, Valdeci também oferece leite de vaca, queijo, doce pastoso, doce em cubos e nata.
Assim, entre o leite que chega fresco à banca e os produtos que carregam receitas transmitidas ao longo do tempo, a feira preserva não apenas uma tradição alimentar, mas também um pouco da memória de quem vive da produção rural.