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Corte bovino exclusivo de Mato Grosso se destaca pela maciez e ganha força em restaurantes

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Representantes da indústria frigorífica e do setor de restaurantes se reuniram semana passada (terça-feira, 02) para discutir o MT Steak, corte bovino exclusivo de Mato Grosso que vem conquistando espaço como símbolo da carne mato-grossense no Brasil e no mundo. O encontro foi promovido pelo Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), como parte das ações de valorização e promoção da proteína produzida no estado.

Selecionado em um concurso nacional para representar a carne mato-grossense, o MT Steak é retirado da paleta bovina e se assemelha ao filé mignon em maciez e textura. Atualmente, poucas indústrias frigoríficas produzem o corte. A meta, ao mostrar sua aceitação no setor de restaurantes, é ampliar a oferta e popularizar o produto.

Para a diretora-executiva do Imac, Paula Sodré Queiroz, o MT Steak se revela como uma grande vitrine para Mato Grosso, mostrando a força da pecuária local e a capacidade de inovar até na escolha dos cortes. “O objetivo do Imac foi tanto apresentar aos restaurantes que ainda não conhecem o MT Steak o potencial desse corte, quanto mostrar às indústrias frigoríficas o tamanho da demanda para esse representante da qualidade, da confiança e da sustentabilidade da carne de Mato Grosso”, explicou.

Carne de Mato Grosso: Qualidade se destaca na indústria frigorífica e ganha cada vez mais força no mercado consumidor.

Para o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, valorizar o MT Steak é valorizar Mato Grosso. “É um corte de Mato Grosso, ganhador de um concurso nacional. Nós estamos ganhando cada vez mais mercados com o nosso corte especial e vamos continuar fazendo essa promoção para que quem não conhece a carne que é produzida em Mato Grosso tenha o prazer de saborear esse corte fantástico”, destacou.

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Proprietário do restaurante Toroari, que oferece o MT Steak há cinco meses, Márcio Oliveira Aguiar contou que o corte vem recebendo excelente aceitação dos clientes, em diferentes formas de preparo — da entrada ao prato principal.

“Nós somos um restaurante que representa a comida mato-grossense. Recebemos muitos clientes de fora que buscam um corte regional como este em que o índice de satisfação é altíssimo. O feedback é super positivo, por isso a gente quer contribuir para que a indústria possa aumentar a produtividade do corte para outras casas também oferecerem esse corte”, afirmou.

Entre os participantes do encontro esteve Lamoniel Vieira de Moraes, do Açougue 154, que aprovou as degustações. “Eu acho que surpreendeu pela qualidade e maciez. Achei um corte bem interessante. Eu acho que se a gente for avaliar o corte, principalmente com o custo dele, eu acho muito atrativo para colocar dentro do cardápio das principais casas aí do país”, avaliou.

O gerente comercial da Sulbeef, Márcio Santana, reforçou que a indústria está pronta para atender a essa demanda crescente. “É um corte diferente, que a gente já produz, mas que estamos buscando aumentar a nossa produção. O nosso intuito nesse almoço foi escutar os clientes até para garantir esse fornecimento do produto. E, com certeza, a indústria está preparada para fornecer”, concluiu.

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Bets drenam renda das famílias enquanto agro enfrenta crédito caro e novas pressões

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O agronegócio e a economia brasileira estão no centro de uma discussão que vai além das lavouras e dos mercados. Na edição deste sábado (22) do Momento Agrícola, o engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli aborda o avanço das apostas online, o baixo investimento em pesquisa, os efeitos das recuperações judiciais e a nova mistura de etanol na gasolina. O programa também trata das dificuldades em cadeias de proteínas e frutas e traz entrevistas sobre o ITR e o mercado da soja.

Bets corroem renda das famílias

O primeiro bloco destaca o impacto das chamadas bets sobre o orçamento doméstico. Estudo do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), com base em dados do Banco Central, estima perda líquida de R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras com apostas online em 2025. O cálculo considera a diferença entre os valores enviados às plataformas e os recursos recebidos posteriormente pelos apostadores.

A perda líquida equivaleu a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das famílias, proporção superior à referência de 0,50% do PIB associada ao Bolsa Família. Mais do que entretenimento, o fenômeno representa uma expressiva transferência de renda para um setor que não gera bens nem amplia a capacidade produtiva, em contraste com investimentos capazes de estimular produtividade, emprego e inovação.

A comparação com a pesquisa científica reforça o alerta. Dados analisados pelo Ipea e divulgados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação mostram que o Brasil destinou 1,19% – o equivalente a US$ 27 bilhões – do PIB à pesquisa e desenvolvimento em 2022 e 2023. Alemanha, Japão, Estados Unidos (3,45% do PIB, ou US$ 1 trilhão), Coreia do Sul e Israel superaram 2,5%. A China, que trem se destacado em inovação tecnológica, investiu US$ 546 bilhões. A diferença evidencia o atraso brasileiro em uma área estratégica para agregar valor ao agro, desenvolver tecnologias e ampliar a competitividade.

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Recuperações judiciais ampliam impacto na economia

O programa também retoma o crescimento das recuperações judiciais no agronegócio. Levantamento da Serasa Experian registrou 474 pedidos no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% sobre as 389 solicitações do mesmo período de 2025. Mato Grosso liderou o ranking, com 135 pedidos.

Os efeitos vão além dos produtores e empresas envolvidos nos processos. A dificuldade financeira reduz compras de insumos, adia investimentos, compromete transportadores e fornecedores e torna o crédito mais restritivo. Em regiões dependentes da atividade rural, a crise tende a atingir também comércio, serviços e mercado de trabalho.

Os produtores rurais constituídos como pessoa jurídica somaram 196 pedidos, alta de 73,5% em um ano. Empresas da cadeia do agronegócio registraram 96 solicitações, crescimento de 18,5%, enquanto produtores pessoa física tiveram 182 pedidos, queda de 6,7%. Os números mostram que a pressão alcança diferentes elos da cadeia e pode encarecer o crédito justamente às vésperas do financiamento de uma nova safra.

Gasolina passa a ter 32% de etanol

Outro tema de impacto no campo e no consumo é a adoção temporária da gasolina E32. Desde 1º de agosto, a gasolina comum e a aditivada passaram de 30% para 32% de etanol anidro, conforme a Resolução CNPE nº 9/2026. A medida vale por 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação, enquanto a gasolina premium permanece com 25%.

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Para o setor sucroenergético, a mudança tende a ampliar a demanda pelo biocombustível e reduzir a necessidade de gasolina importada. Para consumidores e transportadores, os efeitos dependem dos preços, do rendimento e das características dos veículos. A alteração é considerada incremental, embora o consumo possa variar conforme o modelo.

No segundo bloco, Arioli comenta os prejuízos da suinocultura, mesmo com o crescimento das exportações; o avanço dos produtos biológicos, dependente de regulamentação adequada; e o contraste entre a queda das exportações brasileiras de milho e os recordes da Argentina. O programa também aborda a crise dos produtores de laranja, pressionados por custos, preços e condições de mercado.

Nos dois blocos finais, Leonardo Oliveira, da Léo Consultoria, orienta sobre os cuidados na declaração do Imposto Territorial Rural (ITR). Na última entrevista, o professor Liones Severo, da SIM Consult, analisa o novo patamar dos preços da soja e o Plano Quinquenal da China, voltado à redução da dependência de importações de alimentos por razões de segurança. As conversas ampliam o debate sobre gestão tributária, planejamento produtivo e os reflexos das decisões chinesas no mercado internacional.

Ouça o Momento Agrícola na íntegra:

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