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Chuva desta sexta chega a 90 mm em Tangará; meteorologia mantém previsão de frio

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A chuva que caiu na tarde desta sexta-feira (19) em Tangará da Serra registrou volumes completamente fora dos padrões climáticos normalmente observados em junho, mês que integra o período seco em Mato Grosso. Na região do Jardim Rio Preto e Cidade Alta, pluviômetros instalados em propriedades particulares apontaram acumulados entre 80 e 90 milímetros em poucas horas.

Em diversos bairros da área urbana, as precipitações foram intensas e provocaram enxurradas sobre o pavimento. No Centro, Jardim do Lago e Jardim Tanaka, o grande volume de água gerou transtornos pontuais no trânsito e dificuldades de deslocamento. Situações semelhantes foram observadas nos bairros Jardim Europa, Jardim Shangri-lá, Vila Goiás e Grande Esmeralda.

Na zona rural, as chuvas ocorreram principalmente nas regiões mais próximas do perímetro urbano, como Ararão, Linha 12 e Queima Pé. Já no Chapadão, nas proximidades da MT-358 e da região do Rio Verde, foi registrada apenas uma garoa de baixa intensidade.

Por volta das 16h30, ainda era possível ouvir trovoadas em diferentes pontos da cidade, indicando a permanência da instabilidade atmosférica e chance de novas pancadas de chuva. Em Nova Olímpia também houve precipitação, porém com volume inferior ao registrado em Tangará da Serra.

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Segundo os principais sites especializados em meteorologia, o tempo deverá permanecer instável durante o sábado, com possibilidade de novas chuvas isoladas. A mudança nas condições climáticas antecede a chegada de uma massa de ar frio prevista para a próxima semana. Com a tradicional friagem, as temperaturas mínimas poderão atingir 12°C em cidades como Tangará da Serra e Cuiabá, trazendo um cenário incomum para a região nesta época do ano.

A ocorrência de chuvas volumosas em pleno mês de junho chama a atenção por acontecer durante o inverno climatológico, período normalmente marcado por estiagem, baixa umidade relativa do ar e predomínio de dias ensolarados. A combinação entre chuva e posterior avanço de uma massa de ar polar deverá provocar uma mudança significativa nas condições do tempo em boa parte de Mato Grosso nos próximos dias.

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Feira do Centro oferece o sabor e a tradição do leite natural e seus derivados

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O leite é um dos alimentos mais antigos incorporados à alimentação humana e acompanha a própria evolução das sociedades. Seu consumo começou há milhares de anos, ainda no período Neolítico, quando os seres humanos passaram a domesticar animais e a desenvolver formas mais permanentes de produção de alimentos.

Vestígios arqueológicos encontrados em antigas cerâmicas indicam que o consumo de leite e de seus derivados já fazia parte da vida de comunidades do Oriente Médio e de outras regiões do Crescente Fértil há pelo menos 10 mil anos. A criação de ovelhas, cabras e bovinos ampliou as possibilidades de aproveitamento dos animais, incorporando o leite à alimentação cotidiana.

Em Tangará da Serra, o leite também representa uma importante atividade da agricultura familiar. Além do produto in natura, a produção leiteira dá origem a uma variedade de alimentos de grande aceitação no mercado, como queijos, requeijões, doces, nata e outros derivados.

Na Feira do Produtor do Centro, o leite está entre os produtos procurados pelos consumidores. Vendido in natura, chega à feira em quantidade considerável e, segundo os próprios feirantes, costuma ter boa procura. Os derivados também conquistam espaço entre os consumidores.

Um dos feirantes que comercializa leite e derivados é Valdeci Ferraz Aquino (na foto abaixo, em seu box), presidente da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet). Ele confirma a procura pelo produto.

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“Se o consumidor não chegar cedo, pode ficar sem o leite, porque vende muito bem”, revela.

Entre as principais regiões produtoras de leite do município estão a Linha 12, Córrego das Pedras, Acampamento e Gleba Bandeirantes. O rebanho leiteiro é formado principalmente por animais da raça Girolando, conhecida pela aptidão para a produção de leite e pela adaptação às condições climáticas brasileiras.

Benefícios

O leite e seus derivados integram um grupo de alimentos de importante valor nutricional. São fontes de proteínas e cálcio e também fornecem minerais como fósforo e potássio, além de vitaminas.

O cálcio presente nos alimentos lácteos apresenta elevada biodisponibilidade, o que significa que pode ser bem aproveitado pelo organismo. Por isso, o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação associada à manutenção da saúde óssea e ao fornecimento de proteínas importantes para a formação e manutenção da massa muscular.

A quantidade e a frequência adequadas de consumo, entretanto, variam conforme a idade, as necessidades nutricionais e as condições individuais de cada pessoa.

A “cachorrada”

O leite faz parte da alimentação de muitas pessoas desde a infância. Por isso, também está presente em lembranças, histórias e tradições familiares. É o caso de Valdeci Ferraz Aquino, que transformou uma lembrança da infância em um dos produtos que hoje comercializa na feira.

Era 1969. Valdeci ainda era criança e acompanhava os pais, Dona Noemi e ‘Seo’ Juanir, na rotina da propriedade rural da família, no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.

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Numa manhã, Dona Noemi colocou para ferver uma grande panela de leite recém-ordenhado das vacas da propriedade. Naquele dia, porém, algo saiu diferente do esperado: o leite coalhou.

Para não desperdiçar o produto, Dona Noemi acrescentou açúcar à coalhada e improvisou um doce. O que poderia ter sido apenas uma solução para aproveitar o leite acabou se transformando em uma tradição culinária da família.

Quando voltou da lida, Juanir entrou na cozinha e pediu leite para beber. A resposta da esposa foi direta: “Coalhou!”

Frustrado, Juanir reagiu: “Que cachorrada!”

E o nome ficou.

Décadas depois, a “cachorrada” é um dos produtos comercializados por Valdeci e sua esposa, Dª Cleide, no Box 81 da Feira do Produtor do Centro. Semelhante à ambrosia, mas preparada sem a adição de ovos, o doce mantém a receita que nasceu de uma situação corriqueira na propriedade da família e hoje desperta a curiosidade e o paladar dos frequentadores da feira.

Morador da localidade do Acampamento, Valdeci também oferece leite de vaca, queijo, doce pastoso, doce em cubos e nata.

Assim, entre o leite que chega fresco à banca e os produtos que carregam receitas transmitidas ao longo do tempo, a feira preserva não apenas uma tradição alimentar, mas também um pouco da memória de quem vive da produção rural.

(*) Assista ao vídeo:

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