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Economia & Mercado

Carnes: China pode abrir janela adicional para exportação; EUA e mercado interno no radar

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Gigante asiático pode ampliar compras de carne brasileira, enquanto Estados Unidos e consumo interno disputam uma oferta limitada. Agropecuária cresce, mas diesel preocupa.

O boi brasileiro pode chegar ao último trimestre de 2026 com três mercados disputando a mesma oferta: China, Estados Unidos e mercado interno. A avaliação é do jornalista Olmir Cividini, na Coluna Circuito Rural.

A China pode abrir uma janela adicional para a carne brasileira caso confirme a utilização de parte da cota uruguaia que não foi usada. O potencial é de aproximadamente 80 mil toneladas, mas ainda depende do sinal verde de Pequim.

Nos Estados Unidos, o rebanho reduzido e a oferta mais apertada aumentam a necessidade de importação. Fora da cota americana, a carne brasileira paga atualmente tarifa de 26,4%.

No mercado interno, o consumo tradicionalmente se aquece no último trimestre, impulsionado pelo pagamento do décimo terceiro salário e pelas festas de fim de ano. Ao mesmo tempo, a oferta de animais terminados continua restrita.

A combinação ajuda a explicar a valorização do boi gordo. O Cepea já colocou no radar a possibilidade de a arroba chegar a R$ 400 no fim do ano, embora ressalte que esse não é um cenário consolidado nem uma previsão oficial.

Outro destaque é o desempenho da agropecuária. Segundo os dados mais recentes do IBGE citados na coluna, o setor cresceu 3,6% no primeiro semestre de 2026, acima da expansão de 1,9% da economia brasileira.

O resultado ocorre em um ambiente marcado por crédito mais difícil, juros elevados, custos de produção pressionados, endividamento e incertezas climáticas e comerciais. Mesmo diante dessas dificuldades, o setor continua produzindo, investindo e movimentando a economia.

O diesel é outra fonte de preocupação. A possibilidade de o combustível chegar a R$ 10 por litro é apresentada como uma pergunta, e não como previsão, mas o cenário internacional exige atenção.

A oferta mundial está mais apertada, enquanto o Brasil depende de importações e entra em um período de maior consumo, com o início das atividades no campo. Os Estados Unidos chegaram a discutir restrições às exportações, embora nenhuma decisão tenha sido tomada até o momento.

Em setembro, cerca de 80% do diesel importado pelo Brasil veio dos Estados Unidos, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis. Uma mudança no mercado americano, portanto, poderia aumentar a pressão sobre os preços internos.

O governo dispõe de mecanismos para tentar amortecer os impactos das altas internacionais, mas permanece a dúvida sobre até quando será possível sustentar essa conta.

Ouça o Circuito Rural na íntegra:

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Economia & Mercado

Momento Agrícola: Suspensão europeia põe carne brasileira e Mato Grosso sob pressão

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Veto europeu à carne brasileira está previsto para 3 de setembro. Oportunidade temporária nos Estados Unidos, suspeita tributária em azeites, milho sem reação no Brasil e liderança mundial do algodão nacional são os destaques do Momento Agrícola deste sábado.

Novos riscos comerciais e novas exigências regulatórias se apresentam para o agronegócio brasileiro neste final de agosto. Paralelamente, oportunidades pontuais surgem no mercado internacional. Na edição deste sábado (29.08) do Momento Agrícola, o engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli, de Tangará da Serra, destaca a possibilidade de a União Europeia suspender, a partir de 3 de setembro, as importações de produtos brasileiros de origem animal.

São barreiras comerciais relevantes e que causam apreensão em toda a cadeia da carne. A medida envolve principalmente carnes bovina e de frango, além do mel. Segundo informações repercutidas pelo programa, o impasse está relacionado às exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos e à avaliação de que o Brasil ainda não fornece garantias e informações suficientes sobre seus controles.

Conforme reportado pelo Canal Rural na semana que passou, a questão não envolve uma acusação de má qualidade da carne brasileira, mas divergências sobre protocolos, rastreabilidade e comprovação sanitária.

Qualquer restrição aos mercados de maior valor pode afetar frigoríficos, pecuaristas, transportadores, fornecedores e municípios dependentes da cadeia da pecuária.

A Europa não é o principal destino da carne brasileira em volume, mas compra cortes de maior valor agregado, daí a importância daquele mercado. Uma suspensão prolongada poderia reduzir a concorrência por determinados cortes, pressionar margens de frigoríficos e pecuaristas e exigir a busca de mercados alternativos. O setor estima que a adaptação às novas regras possa levar cerca de dois anos. O governo brasileiro pretende negociar e, se necessário, recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Mato Grosso já sente

O risco é relevante para Mato Grosso, que é líder nacional nas exportações de carne bovina. Para se ter uma ideia, o estado enviou 978,4 mil toneladas da proteína para 92 países em 2025. Qualquer restrição aos mercados de maior valor pode afetar frigoríficos, pecuaristas, transportadores, fornecedores e municípios dependentes da cadeia da pecuária.

Se confirmada, a suspensão não significará a paralisação das vendas, mas mudança de destinos e influência nos preços e no planejamento dos embarques. Parte da produção teria de ser redirecionada, aumentando a importância de mercados alternativos e da comprovação do histórico sanitário dos animais.

Há, porém, outro movimento no mercado internacional, este na direção oposta. Os Estados Unidos podem abrir uma janela favorável com o anúncio do governo de Donald Trump da ampliação temporária, em 300 mil toneladas, da cota de aparas de carne bovina magra importadas sem tarifa. O objetivo dos americanos é conter a alta dos preços ao consumidor. Para a Abiec, a medida pode representar oportunidade para o Brasil, embora o país dispute o espaço com outros fornecedores e o benefício dependa de habilitação, logística, competitividade e duração da medida.

Azeite europeu no radar fiscal

Também no Momento Agrícola deste sábado, Ricardo Arioli destacou uma denúncia do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) à Receita Federal para investigar possível fraude tributária envolvendo azeites europeus vendidos no Brasil como extravirgens.

A suspeita surgiu após o Ministério da Agricultura analisar amostras de marcas conhecidas, identificando características compatíveis com azeite virgem, e não com a categoria declarada no rótulo.

A diferença também tem impacto tributário. Segundo o Ibraoliva, o extravirgem importado da Europa tem alíquota zero, enquanto o azeite virgem está sujeito a imposto de 9%. A entidade pede investigação sobre eventual classificação irregular e recolhimento menor de tributos. As empresas citadas afirmam manter controles de qualidade e algumas atribuem possíveis não conformidades a lotes específicos.

Milho sem reflexo automático

No conteúdo do programa há, também, uma análise dobre a redução das perspectivas de produção de milho nos Estados Unidos e na União Europeia. Apesar de uma menor oferta internacional normalmente favorecer as cotações externas, o movimento ainda não se refletiu nos preços brasileiros.

No mercado interno, fatores como a disponibilidade doméstica, a segunda safra, os estoques, a logística e o ritmo das exportações continuam tendo maior peso na formação das cotações. O relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos apontou redução na previsão de estoques finais americanos e revisão para baixo do milho europeu.

Entre os destaques positivos, o algodão brasileiro mantém posição de liderança mundial nas exportações. Segundo dados da Abrapa, o país encerrou o ano comercial 2025/26 com cerca de 3,3 milhões de toneladas exportadas, receita de US$ 5,3 bilhões e crescimento de 19% sobre o período anterior. Volume, qualidade, certificação e rastreabilidade têm ampliado a confiança de compradores internacionais.

No segundo bloco, o programa repercute outras notícias da semana e aborda temas ligados à gestão do produtor, como mercado de carbono, em entrevista com o doutor Ludovino Lopes, e seguro rural e renegociação de dívidas, com Pedro Loyola, da FGV Agro.

Entrevistas

O Momento Agrícola traz, ainda, entrevistas com temas relevantes no ambiente no agronegócio:

  • O Mercado de Carbono vem aí, com Dr. Ludovino Lopes;
  • O Seguro e a Renegociação de Dívidas, com Pedro Loyola, da FGV Agro.

Ouça o programa, na íntegra:

 

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