A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta segunda-feira (4), o Instituto Butantan a fabricar a vacina contra a chikungunya, batizada de Butantan-Chik.
Com isso, o imunizante poderá ser incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A vacina é indicada para a população de 18 a 59 anos exposta ao vírus. A partir da autorização, o Instituto Butantan também passa a ser oficializado como local de fabricação.
A vacina foi aprovada pela agência reguladora em abril de 2025, porém os locais de produção registrados eram as fábricas da farmacêutica franco-austríaca Valneva. Agora, o imunizante será produzido (formulado e envasado) no Brasil, com a mesma qualidade, segurança e eficácia, segundo o governo do Estado de São Paulo.
“Mais um marco importante para o Instituto Butantan e para a saúde da população. Ao executar a maior parte do processo de fabricação, o Instituto Butantan, por ser uma instituição pública, poderá entregar a vacina com preço menor e mais acessível, com a mesma qualidade e segurança”, afirmou o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás.
Pelo menos 4 mil voluntários, entre 18 e 65 anos, receberam o imunizante nos Estados Unidos e foram avaliados. De acordo com resultados publicados na revista científica The Lancet, em 2023, 98,9% dos participantes produziram anticorpos neutralizantes.
O imunizante foi bem tolerado e demonstrou perfil de segurança adequado, com eventos adversos leves e moderados. Os mais relatados foram dor de cabeça, dores no corpo, fadiga e febre.
Em fevereiro de 2026, a vacina começou a ser aplicada no SUS em municípios com maior incidência da doença, a partir de uma estratégia piloto do Ministério da Saúde. Além do Brasil, o imunizante contra a chikungunya foi aprovado no Canadá, na Europa e no Reino Unido.
Chikungunya
O vírus da chikungunya é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo transmissor da dengue e da zika.
A doença pode causar febre de início súbito (acima de 38,5°C) e dores intensas nas articulações de pés e mãos — dedos, tornozelos e punhos. Outros sintomas comuns são dor de cabeça, dor muscular e manchas vermelhas na pele.

Cidade enfrentou o pior quadro de arboviroses em 2024, com 5,7 mil casos de chikungunya e 10 óbitos ocasionados pela doença.
Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em 2025 foram registrados 500 mil casos de chikungunya no mundo. No Brasil, foram notificados mais de 127 mil casos, com 125 óbitos, de acordo com o Ministério da Saúde.
Em Tangará da Serra, a doença já provocou um óbito entre os 36 casos notificados neste ano de 2026.
O ano de 2024, porém, registrou o maior número de casos de arboviroses no município, com um surto de chikungunya. Tangará da Serra apresentou, naquele ano, o maior volume de casos já registrado em Mato Grosso, com 9.964 notificações de arboviroses, sendo a maioria (5.729) de chikungunya. Outros 4.182 casos foram de dengue e 53 de zika. Os óbitos somaram 10, sendo sete por chikungunya e três por dengue.
Em Mato Grosso, ainda em 2024, foram registradas 103.834 notificações de arboviroses, sendo 77.096 de dengue, 24.638 de chikungunya e 2.100 de zika. As doenças resultaram em 51 mortes no estado: 39 por dengue e 12 por chikungunya.