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Endividamento rural em Mato Grosso atinge níveis preocupantes, aponta IMEA

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A situação financeira dos produtores rurais de Mato Grosso está em sinal de alerta com o endividamento atingindo patamares preocupantes. Dados recentes do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) revelam que o chamado crédito problemático – que engloba operações inadimplentes, renegociadas e prorrogadas – alcançou a marca de R$ 21,79 bilhões até abril deste ano, representando 18,22% de toda a carteira de crédito rural do estado. Este é o maior percentual já registrado na série histórica.

A rentabilidade da atividade rural tem encolhido significativamente, impactando diretamente a capacidade dos produtores de honrar seus compromissos financeiros. Conforme destacado pelo jornalista Olmir Cividini, em sua coluna Circuito Rural (ouça na íntegra, ao final do texto) quase R$ 22 bilhões em operações de crédito deixaram de ser liquidados dentro do prazo, sendo renegociados, prorrogados ou entrando em inadimplência.

Fatores de pressão

Diversos fatores contribuem para este cenário desafiador. Os juros elevados, os altos custos de produção e a queda nos preços das commodities agrícolas formam um tripé que pressiona a margem de lucro dos produtores. O desequilíbrio entre receitas e despesas tem sido uma constante desde a safra 2022/23, resultando em aproximadamente quatro anos de rentabilidade comprimida.

O superintendente do IMEA, Cleiton Gauer, enfatiza que o principal desafio não reside na capacidade produtiva do estado, mas sim em transformar essa produção em resultado financeiro. “O produtor continua produzindo bem, mas esse esforço já não tem se traduzido em resultado financeiro. Além da produtividade, ele precisa administrar custos elevados, preços menores do que os registrados no pós-pandemia e um volume crescente de dívidas acumuladas”, afirma Gauer.

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Crédito Problemático e recuperações judiciais

O avanço do crédito problemático é notório. Em 2022, apenas 2,08% da carteira de crédito rural apresentava algum tipo de problema. Em pouco mais de três anos, esse índice saltou para os atuais 18,22%, o que significa que quase um em cada cinco reais emprestados ao setor rural em Mato Grosso já enfrenta dificuldades de pagamento.

A inadimplência superior a 90 dias também cresceu, atingindo 4,98% da carteira estadual, totalizando R$ 5,25 bilhões em operações em atraso. Outro indicador alarmante é o aumento das Recuperações Judiciais (RJ) no agronegócio. Mato Grosso lidera o ranking nacional desde 2023, com 332 pedidos de recuperação judicial registrados em 2025, superando estados como Goiás e Paraná.

Impasse em Brasília

Enquanto a situação se agrava no campo, as negociações para a renegociação de dívidas rurais em Brasília não avançam. Há um impasse entre a bancada do agronegócio e o Ministério da Fazenda. O governo propõe restringir o benefício a produtores que sofreram perdas climáticas, enquanto o Congresso defende a ampliação para todos os inadimplentes.

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Olmir Cividini ressalta que o problema pode ser ainda maior do que as estatísticas oficiais indicam, pois muitos financiamentos via revendas, tradings e cooperativas não são contabilizados pelo Banco Central . A falta de capital desacelera o crédito, adia investimentos e enfraquece a economia regional e toda a cadeia do agronegócio.

Perspectivas e Desafios

Apesar do cenário financeiro adverso, Mato Grosso mantém sua alta capacidade produtiva. Cividini menciona o exemplo de Rodolfo Paulo Schlatter, de Confresa (MT), campeão regional do CESB com 118,36 sacas de soja por hectare, muito acima da média nacional de 62 sacas/ha.

No entanto, o momento exige atenção redobrada à gestão financeira das propriedades. O IMEA alerta que, embora não haja indicativos de uma insolvência generalizada, a velocidade com que os indicadores de endividamento cresceram nos últimos anos é preocupante. O principal risco para o agronegócio hoje é financeiro, e a eficiência na gestão será determinante para atravessar este período de pressão.

(*) Ouça o Circuito Rural, na íntegra, clicando abaixo.

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Bets drenam renda das famílias enquanto agro enfrenta crédito caro e novas pressões

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O agronegócio e a economia brasileira estão no centro de uma discussão que vai além das lavouras e dos mercados. Na edição deste sábado (22) do Momento Agrícola, o engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli aborda o avanço das apostas online, o baixo investimento em pesquisa, os efeitos das recuperações judiciais e a nova mistura de etanol na gasolina. O programa também trata das dificuldades em cadeias de proteínas e frutas e traz entrevistas sobre o ITR e o mercado da soja.

Bets corroem renda das famílias

O primeiro bloco destaca o impacto das chamadas bets sobre o orçamento doméstico. Estudo do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), com base em dados do Banco Central, estima perda líquida de R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras com apostas online em 2025. O cálculo considera a diferença entre os valores enviados às plataformas e os recursos recebidos posteriormente pelos apostadores.

A perda líquida equivaleu a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das famílias, proporção superior à referência de 0,50% do PIB associada ao Bolsa Família. Mais do que entretenimento, o fenômeno representa uma expressiva transferência de renda para um setor que não gera bens nem amplia a capacidade produtiva, em contraste com investimentos capazes de estimular produtividade, emprego e inovação.

A comparação com a pesquisa científica reforça o alerta. Dados analisados pelo Ipea e divulgados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação mostram que o Brasil destinou 1,19% – o equivalente a US$ 27 bilhões – do PIB à pesquisa e desenvolvimento em 2022 e 2023. Alemanha, Japão, Estados Unidos (3,45% do PIB, ou US$ 1 trilhão), Coreia do Sul e Israel superaram 2,5%. A China, que trem se destacado em inovação tecnológica, investiu US$ 546 bilhões. A diferença evidencia o atraso brasileiro em uma área estratégica para agregar valor ao agro, desenvolver tecnologias e ampliar a competitividade.

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Recuperações judiciais ampliam impacto na economia

O programa também retoma o crescimento das recuperações judiciais no agronegócio. Levantamento da Serasa Experian registrou 474 pedidos no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% sobre as 389 solicitações do mesmo período de 2025. Mato Grosso liderou o ranking, com 135 pedidos.

Os efeitos vão além dos produtores e empresas envolvidos nos processos. A dificuldade financeira reduz compras de insumos, adia investimentos, compromete transportadores e fornecedores e torna o crédito mais restritivo. Em regiões dependentes da atividade rural, a crise tende a atingir também comércio, serviços e mercado de trabalho.

Os produtores rurais constituídos como pessoa jurídica somaram 196 pedidos, alta de 73,5% em um ano. Empresas da cadeia do agronegócio registraram 96 solicitações, crescimento de 18,5%, enquanto produtores pessoa física tiveram 182 pedidos, queda de 6,7%. Os números mostram que a pressão alcança diferentes elos da cadeia e pode encarecer o crédito justamente às vésperas do financiamento de uma nova safra.

Gasolina passa a ter 32% de etanol

Outro tema de impacto no campo e no consumo é a adoção temporária da gasolina E32. Desde 1º de agosto, a gasolina comum e a aditivada passaram de 30% para 32% de etanol anidro, conforme a Resolução CNPE nº 9/2026. A medida vale por 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação, enquanto a gasolina premium permanece com 25%.

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Para o setor sucroenergético, a mudança tende a ampliar a demanda pelo biocombustível e reduzir a necessidade de gasolina importada. Para consumidores e transportadores, os efeitos dependem dos preços, do rendimento e das características dos veículos. A alteração é considerada incremental, embora o consumo possa variar conforme o modelo.

No segundo bloco, Arioli comenta os prejuízos da suinocultura, mesmo com o crescimento das exportações; o avanço dos produtos biológicos, dependente de regulamentação adequada; e o contraste entre a queda das exportações brasileiras de milho e os recordes da Argentina. O programa também aborda a crise dos produtores de laranja, pressionados por custos, preços e condições de mercado.

Nos dois blocos finais, Leonardo Oliveira, da Léo Consultoria, orienta sobre os cuidados na declaração do Imposto Territorial Rural (ITR). Na última entrevista, o professor Liones Severo, da SIM Consult, analisa o novo patamar dos preços da soja e o Plano Quinquenal da China, voltado à redução da dependência de importações de alimentos por razões de segurança. As conversas ampliam o debate sobre gestão tributária, planejamento produtivo e os reflexos das decisões chinesas no mercado internacional.

Ouça o Momento Agrícola na íntegra:

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