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Conta de luz: a conta da má gestão chega ao consumidor

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O brasileiro trabalha, paga uma das maiores cargas tributárias do planeta e, mesmo assim, continua sendo chamado a cobrir os custos da ineficiência do Estado. Agora, a fatura vem mais uma vez pela conta de luz.

Levantamento da Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) estima que decisões adotadas entre janeiro de 2023 e maio de 2026 acrescentarão cerca de R$ 985 bilhões às tarifas de energia até 2050. O número impressiona não apenas pelo seu tamanho, mas pelo que representa: quase R$ 1 trilhão que sairá do bolso de famílias, produtores rurais, comerciantes, indústrias e prestadores de serviços.

O estudo aponta que esses custos decorrem de medidas provisórias, leis, leilões de energia, acordos administrativos e alterações legislativas aprovadas no período. Em outras palavras, não são despesas inevitáveis impostas pela natureza ou pelo mercado, mas consequências de decisões tomadas dentro da máquina pública.

A maior responsabilidade pela condução da política energética cabe ao Governo Federal. É o Executivo quem formula as políticas do setor, edita medidas provisórias, conduz o planejamento energético e negocia acordos que acabam repercutindo diretamente na tarifa. Quando esse planejamento produz sucessivos encargos repassados ao consumidor, é legítimo questionar a eficiência da gestão e a prioridade dada à modicidade tarifária.

O Congresso Nacional também tem sua parcela de responsabilidade. Ao aprovar dispositivos estranhos ao tema original das propostas — os conhecidos “jabutis” — ou ao manter medidas que elevam custos permanentes do sistema, contribui para ampliar uma conta que, no fim, será paga por quem não participou dessas decisões.

O resultado é perverso. O consumidor financia subsídios, contratações compulsórias, acordos administrativos e novas obrigações do setor elétrico sem ter qualquer poder de escolha. A conta simplesmente chega.

A própria FNCE alerta que o modelo atual compromete a sustentabilidade do setor e exige uma reforma estrutural. O diagnóstico é claro: a sucessão de medidas pontuais, adotadas sem uma visão sistêmica, aumenta encargos, reduz a eficiência e pressiona continuamente as tarifas.

As consequências vão muito além da conta de energia. Energia mais cara significa produção mais cara. A indústria perde competitividade, o comércio repassa custos aos preços, o agronegócio vê sua estrutura operacional encarecer e as famílias reduzem ainda mais seu poder de compra. No fim da cadeia, a inflação encontra mais um combustível.

O aspecto mais preocupante é a naturalização desse processo. Sempre que surge um novo custo no setor elétrico, a solução parece ser a mesma: transferi-lo ao consumidor. Pouco se discute a revisão de gastos, a melhoria da gestão, a eliminação de distorções regulatórias ou o aumento da eficiência administrativa. É muito mais simples transformar a conta de luz em instrumento de financiamento de decisões governamentais.

Governar também significa fazer escolhas difíceis, estabelecer prioridades e administrar recursos com responsabilidade. Quando quase R$ 1 trilhão em custos adicionais é projetado para as próximas décadas, a discussão deixa de ser meramente técnica e passa a ser uma questão de gestão pública.

O cidadão já cumpre sua parte ao pagar impostos. Não é razoável que continue sendo chamado, repetidamente, a financiar, por meio da tarifa de energia, decisões que poderiam ter sido evitadas ou conduzidas com maior rigor, planejamento e responsabilidade. A conta da luz não pode continuar sendo o destino automático da conta da má gestão.

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Opinião

Saúde Mental, Rock e Metal Extremo: Quando a dor encontra uma voz

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(*) Amanda Schirmer Reichert

Durante muito tempo, o rock e o metal extremo foram vistos apenas como gêneros musicais agressivos, sombrios ou até mesmo problemáticos. No entanto, para muitas pessoas, eles representam exatamente o contrário: um espaço de acolhimento, identificação e sobrevivência emocional.

Quando falamos sobre saúde mental, geralmente pensamos em silêncio. Pensamos naquilo que guardamos para nós mesmos, nas dores que não conseguimos explicar e nos sentimentos que parecem impossíveis de colocar em palavras. Foi justamente nesse espaço que o rock e o metal encontraram seu lugar. Enquanto boa parte da sociedade prefere evitar assuntos como depressão, ansiedade, luto e sofrimento psicológico, esses gêneros decidiram encará-los de frente.

Para quem vive ou já viveu momentos difíceis, ouvir uma música que fala sobre dor pode ser uma experiência estranhamente reconfortante. Não porque ela resolve os problemas, mas porque nos faz perceber que alguém, em algum lugar, sentiu algo parecido. Existe um alívio em descobrir que não somos os únicos enfrentando determinados pensamentos ou emoções.

O metal extremo, especialmente, possui uma intensidade que muitas vezes traduz sentimentos que não cabem em uma conversa comum. Os vocais agressivos, os riffs pesados e as atmosferas densas funcionam como uma linguagem para emoções que frequentemente permanecem presas dentro de nós. O que para algumas pessoas parece apenas barulho, para outras é uma forma de expressão profundamente humana.

Muitas bandas transformam experiências reais de sofrimento em arte. Falam sobre perdas, traumas, crises emocionais e batalhas internas sem tentar romantizar a dor. Pelo contrário, mostram suas consequências, seus conflitos e, em alguns casos, a difícil tentativa de seguir em frente. Essa honestidade cria uma conexão poderosa entre artista e público.

Bandas como Bring Me The Horizon, Lorna Shore, Linkin Park, The Amity Affliction, entre outras tantas, transformaram a dor em arte, o sofrimento em letras e riffs pesados.

Além da música em si, existe também a comunidade construída ao redor dela. Em shows, festivais e grupos de fãs, muitas pessoas encontram algo que nem sempre conseguem encontrar em outros lugares: pertencimento. É comum perceber que, por trás da aparência pesada e das letras sombrias, existe uma comunidade marcada pela empatia e pela compreensão mútua.

Por isso, acredito que o rock e o metal extremo possuem um papel importante na discussão sobre saúde mental. Eles ajudam a quebrar tabus, incentivam conversas necessárias e oferecem uma forma de expressão para sentimentos que muitas vezes permanecem escondidos. Nem toda dor pode ser curada por uma música, mas algumas delas podem se tornar mais suportáveis quando encontramos uma canção que parece entender exatamente o que estamos sentindo.

(*) Amanda Schirmer Reichert (foto) é acadêmica de Jornalismo na Unemat/Tangará da Serra. 

(Foto/imagem principal criada por IA)

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