TANGARÁ DA SERRA
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11 de agosto - Dia do Advogado

A experiência e o pioneirismo de Dr. Wilson Dalto na advocacia tangaraense

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A segunda semana desse mês de agosto começa com uma data digna de celebração. Hoje, 11 de agosto, é dia do Advogado e o Enfoque Business trará ao leitor/internauta alguns nomes de destaque na advocacia tangaraense, como o Dr. Wilson Dalto.

Natural de Novo Horizonte (SP), nascido em 22 de setembro de 1946, o advogado Wilson Dalto carrega em sua trajetória marcas de dedicação, ética e compromisso com a comunidade. Filho de Antônio Dalto e Maria Inez Lazarini Dalto, cresceu em família numerosa, ao lado de oito irmãos: Lourdes (falecida), José, Vanilda, Aparecida, Sérgio, Flávio, Luiz Antônio e Sílvia.

Formado em Direito pela Faculdade de Direito Riopretense e em Letras (Português/Inglês) pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Votuporanga (SP), Dr. Wilson construiu sua carreira sobre dois pilares: o conhecimento jurídico e a paixão pelo ensino.

Formatura de Wilson Dalto, pela Faculdade de Direito Riopretense.

A opção pelo Direito veio das poucas alternativas acessíveis na época, mas a formação em Letras foi estratégica — garantia de renda imediata, já que começou a lecionar no segundo ano da faculdade, em um período em que havia grande carência de professores. Português e Inglês sempre foram suas disciplinas prediletas desde o antigo Curso Científico, modalidade do ensino médio vigente à época.

A chegada a Tangará da Serra aconteceu no início de março de 1976, após uma criteriosa agenda de visitas a várias comarcas nos estados do Paraná, Mato Grosso (ainda unificado), Goiás e Maranhão.

O então pequeno núcleo urbano que hoje é Tangará da Serra, nem distrito era, mas conquistou o advogado, tornando-se sua escolha definitiva para viver e exercer a profissão, com o primeiro escritório localizado na esquina das ruas Antônio Hortolani e São Paulo (foto abaixo).

Desde então, Dr. Wilson Dalto — inscrito na OAB-MT sob nº 1.682-A — construiu uma sólida reputação, marcada por experiência, sabedoria e idoneidade, sendo referência na advocacia local. Além da atividade de advogado, Dalto manteve sua paixão pelo ensino, dando importante colaboração à comunidade ao fundar em 1988, a primeira instituição de ensino superior do município, a ITEC – Faculdade de Educação de Tangará da Serra.

Hoje priorizando o Direito, mantém seu escritório com outros três advogados – um deles é seu filho, Marcos – na Avenida Presidente Tancredo de Almeida Neves, 556. O telefone para contato é (65) 99987-7712.

O Enfoque Business entrevistou esse profissional exemplar, digno de destaque.

EB – Quais os maiores entraves enfrentados pelo advogado no exercício da advocacia?

Wilson Dalto: Não vejo maiores entraves no exercício da advocacia, mas a demora na tramitação processual e na prolação de decisões e sentenças é prejudicial para as partes litigantes.

 

EB – Como a digitalização do processo judicial tem impactado a prática da advocacia no Brasil, tanto em termos de eficiência quanto de desafios para a acessibilidade à justiça?

Wilson Dalto: A digitalização dos processos era inevitável e necessária para melhor atender aos cidadãos. A digitalização dos processos tornou a Justiça mais célere e eficiente, e também mais acessível uma vez que o advogado não precisa utilizar-se das antigas máquinas de datilografia, de papeis impressos e na maioria das vezes estar   presente na protocolização de petições, recursos e documentos em geral. Ficou muito melhor. As audiências, na grande maioria, também acontecem em forma virtual.

 

Wilson Dalto chegou em Tangará da Serra no ano de 1976, após criteriosa avaliação de comarcas em Mato Grosso e outros estados.

EB – A polarização se instalou de uma forma muito intensa no ambiente político brasileiro após 2018. Os ideologia de direita se instalou (desde 2018) muito fortemente e a esquerda reage. Por conta disso, temos muitos embates institucionais, envolvendo as três esferas de poder e, como exemplo, podemos citar o episódio da judicialização do aumento do IOF, com interferência de um poder sobre o outro. Isso acaba envolvendo a advocacia, uma vez que isso proporciona o embate ideológico e, muitas vezes, resulta em demandas na esfera judicial. Como o senhor avalia messe momento para a advocacia?

Wilson Dalto: A polarização instalou-se por reação da direita política, principalmente contra os abusos e as injustiças cometidas pelos ministros dos tribunais superiores, especialmente do STF. E como é natural, para cada ação há uma reação.  É o que a direita política está fazendo. É uma questão de sobrevivência política para não ser dominada pela esquerda socialista comunista, que causou e causa sofrimento e miséria em todas as nações onde se instalou. É inaceitável ver ministros dos tribunais superiores invadindo prerrogativas do Parlamento e perseguindo opositores do atual regime. É vergonhoso ver o Parlamento, especialmente o Senado Federal, submisso ao Poder Judiciário. Na prática, não há independência de poderes na esfera federal. Não estamos vivenciando um sistema genuinamente democrático de governo. O exercício da advocacia junto ao STF está sendo dificultado diante de decisões praticadas por alguns ministros do STF, especialmente pelos ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Luiz Roberto Barroso. A judicialização do IOF eu vejo como um desrespeito ao Senado Federal.

Infelizmente, as prerrogativas do Parlamento estão sendo sufocadas por atos unilaterais de alguns ministros do STF, que arrogam para si a autoridade suprema de aplicar as leis subjetivamente, de acordo seus interesses políticos ideológicos, subordinados a interesses escusos, como demonstrado na célebre frase proferida pelo Ministro Benedito Gonsalves do TSE dirigida ao presidente do STF, Alexandre de Moraes: “Missão dada é missão cumprida”. Isso demonstra ausência de imparcialidade. Não vejo entraves consideráveis nas instâncias inferiores do Poder Judiciário. De modo geral, eventualmente há reclamações contra demora na tramitação processual, contra abusos de algumas autoridades, mas que não prejudicam o funcionamento do sistema judiciário como um todo.

A intenção de judicializar a questão do IOF é mais uma demonstração de que o Governo Federal acredita que tem o Poder Judiciário sob o seu controle. Atos como esse servem para promover insegurança jurídica, além da desconfiança de investidores estrangeiros.

 

EB – Nos últimos anos, temos visto um aumento da litigiosidade em áreas como direito do consumidor e direito digital. Quais áreas da advocacia o senhor acredita que estarão em maior destaque nos próximos anos?    

Wilson Dalto: Acredito na crescente demanda sobre questões envolvendo direitos do consumidor, especialmente nas compras online, uma vez que aumenta a cada dia a preocupação dos consumidores com a segurança. Estão procurando mais as compras online e em shoppings centers do que em comércio tradicional. Essa mudança de hábitos inevitavelmente proporcionará um aumento nas demandas envolvendo o direito digital.

O consumidor deve estar sempre atento para não disponibilizar informações pessoais ou cartões de crédito sem estar absolutamente seguro de que está num ambiente confiável. Não deve fornecer qualquer informação confidencial por telefone nem por WhatsApp.

 

EB – Outra característica da atualidade que envolve o exercício da advocacia é o ambiente criado pelas “Fake News”. Essa prática tem influenciado de maneira contundente as redes sociais e até mesmo os noticiários e, por isso, tem grande potencial de gerar demandas judiciais. A advocacia tem enfrentado desafios em relação ao papel das redes sociais na disseminação de informações jurídicas e no impacto disso sobre o processo judicial. Como o senhor enxerga esse fenômeno e quais são os limites éticos para a atuação de advogados no ambiente digital?

Wilson Dalto: O art.5º, inciso IV da Constituição Federal estabelece que é livre a liberdade de expressão, sendo vedado o anonimato. Porém, essa liberdade não é absoluta e encontra limites definidos no Código Penal, quando ofensivas contra a honra ou dignidade de alguém se constituindo em calúnia, injúria ou difamação, que são crimes puníveis na forma da lei, quando forem ofensivas a outras pessoas. É comum pessoas repassarem Fake News ou boatos sem antes verificarem a verdade junto à fonte originária da informação.

Não enxergo entraves para a atuação dos advogados, que devem apenas observar o Estatuto da OAB, agindo com ética, honestidade e responsabilidade, que são deveres das partes litigantes e de seus advogados, expondo sempre a verdade dos fatos, conforme determina o art.20 do Estatuto Geral da OAB.

 

EB – Outra situação é a interferência entre poderes. Mais uma vez, a questão do IOF pode ser citada como exemplo. Afinal, o STF anulou os decretos do IOF, tanto do Planalto (do aumento) como do Congresso (suspensão do aumento).

Wilson Dalto: A Câmara Federal e o Senado entendem que os decretos que aumentam o IOF são inconstitucionais porque utilizam um imposto com finalidade regulatória para aumentar a arrecadação e, consequentemente atingir suas metas fiscais.  Para o Senado, a utilização do IOF viola a Constituição e o Código Tributário Nacional, que autorizam o Executivo a alterar alíquotas apenas para fins de política monetária, e não para aumentar receita.

 

EB – Hoje a ideologia influencia fortemente a Educação, especialmente no nível superior. Até que ponto isso pode influenciar na advocacia, em sua opinião?

Wilson Dalto: A ideologia na educação escolar é mais preocupante nas séries iniciais intermediárias da formação escolar, quando professores militantes socialistas infiltram ou tentam infiltrar na mente dos alunos suas ideologias. Na fase universitária os alunos já têm suas convicções políticas mais definidas, sendo mais difícil para o professor convencer seus alunos a aceitarem ideologias que não são condizentes com sua educação familiar.

EB – Considerando o atual momento (marcado pela polarização, pelos posicionamentos ideológicos, pela politização no ensino, pela própria digitalização e a Inteligência Artificial), como o senhor vê o futuro da advocacia?

Wilson Dalto: A advocacia sempre existirá porque é essencial na administração da justiça, nas relações jurídicas de modo geral, na intermediação de conflitos de interesses. A advocacia estará continuamente se atualizando e se adaptando às novidades e irá acompanhar a evolução técnica para melhor atender aos interesses individuais e coletivos.

 

EB – O senhor compõe a ala mais experiente da advocacia em Tangará da Serra. Teve atuação meritória ao longo de sua carreira, faz história e já deixa legado. Cite um caso emblemático em que o senhor atuou e descreva sua atuação como advogado até aqui.

Wilson Dalto: O caso mais marcante em minha profissão como advogado foi minha atuação como defensor de um réu denunciado por crime de morte no ano de 1976/1977, no fórum de Barra do Bugres. Fui nomeado pelo Juiz da Comarca, hoje Desembargador Antônio Bittar Filho, para atuar como promotor “ad hoc” no tribunal de júri por falta de promotor de justiça na comarca. Presente no dia do júri compareceu o promotor de justiça da comarca de Rosário Oeste, suprindo, assim, a ausência de representante do Ministério Público. O réu, porém, não tinha advogado de defesa constituído. Iniciada a seção e apregoadas as partes pelo oficial de justiça constatou-se a ausência de advogado defesa. Para evitar o adiamento do júri o Presidente do Tribunal, Dr. Antônio Bittar Filho, dirigindo-se a mim, na plateia, perguntou se eu concordaria em promover a defesa do réu, já que eu tinha pleno conhecimento do processo. Perguntou, também, ao réu, se ele concordava em ter-me como seu defensor. O pobre réu, pessoa humilde, semianalfabeto, trabalhador braçal do mato, consentiu timidamente. E lá estava eu para realizar minha primeira defesa num tribunal de júri. Após a fala do promotor, que fez a acusação e demonstrou suas respectivas provas coube a mim, defensor do réu, apresentar minha tese de defesa.

Para ser coerente com minha radical mudança de função de acusador para defensor defendi a tese de crime privilegiado praticado mediante violenta emoção, após injusta provocação da vítima. O réu foi sentenciado à pena mínima de 06 anos de prisão e foi libertado logo a seguir por encontra-se preso há tempo suficiente de cumprir o restante da pena em liberdade.

Após alguns anos de exercício pleno da advocacia geral passei a dedicar uma boa parte do tempo aos meus negócios, deixando de atuar na advocacia criminal e continuando apenas na advocacia cível, área em que atuo até hoje.

Minha mensagem aos advocados é a de que ajam sempre com ética, respeito às autoridades, aos colegas e às partes, lembrando que o advogado não é parte na relação processual, é apenas procurador, representante legal.

Antes de aceitar o patrocínio de qualquer causa eu sempre fazia, previamente, o julgamento da causa. Se a causa era justa eu aceitava patrocinar, mas se eu não a julgava justa eu recusava. E isso aconteceu algumas vezes.

Meu sucesso profissional eu devo à minha boa qualificação profissional, minha ética, responsabilidade e dedicação.

Meu lema: Se é para fazer, faça bem feito ou não começa.

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11 de agosto - Dia do Advogado

Sandra Nilze: Do serviço público para a advocacia, pela defesa dos direitos fundamentais

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No Dia do Advogado, celebrado em 11 de agosto, a energia na advocacia é um pilar essencial para a inovação e o fortalecimento da profissão. Esse é o caso da advogada Sandra Nilze de Oliveira.

Com dia juventude, ela traz consigo novas perspectivas, com uma visão moderna do Direito e uma abordagem mais inclusiva e tecnológica. Sua capacidade de adaptação aos desafios contemporâneos são cruciais para a evolução do sistema jurídico.

Ao lutar pela justiça, advogados como Sandra Nilze garantem à advocacia a continuidade da missão de defender os direitos fundamentais da sociedade. A advocacia se renova, se aprimora e se fortalece nas mãos desses profissionais.

Sandra Nilze de Oliveira é natural de Colíder, norte de Mato Grosso, nascida em 23 de maio de 1983. É filha de José Paulo de Oliveira e Zilda Soares de Oliveira, irmã de Rose Elaine e Cleiton Júnior.

Ela é graduada pela Faculdade de Direito – FACISA – de Itamaraju, na Bahia. Também tem Licenciatura Plena em Letras pela UNEMAT, campus de Sinop.

Sandra durante reunião na OAB, com a presidente da 10ª Subseção, Wanessa Franchini, e colegas de advocacia.

EB – Por que escolheu a profissão de advogada?

Sandra Nilze – Gosto de dizer que a advocacia foi acontecendo na minha vida, de forma natural. Na época, eu era funcionária pública e atuava como Fiscal Sanitária na cidade de Sinop/MT, o que me colocava em contato constante com leis e normas. Esse convívio com o universo jurídico despertou em mim a vontade de cursar Direito. Assim, iniciei a graduação em 2015, sem imaginar que, um dia, estaria atuando na advocacia. Minha intenção, naquele momento, era apenas crescer dentro do serviço público.

Em 2017, porém, a vida me levou para a Bahia. Saí do cargo público e concluí o curso de Direito na cidade de Itamaraju/BA.

Já morando em Tangará prestei o 33º Exame da OAB e fui aprovada de primeira. Por estar grávida na época e com mais 02 crianças pequenas, demorei um pouco para buscar minha certidão.

Mas então comecei a participar dos eventos da OAB e, aos poucos, fui me conectando com colegas da área. Surgiu uma parceria, depois apareceram os primeiros clientes… e assim nasceu a advogada: Dra. Sandra Nilze. Decidi, então, vestir o terno com orgulho e atuar de forma comprometida com a profissão que me escolheu, ainda que de forma inesperada.

EB – Por que escolheu Tangará da Serra para atuar?

Sandra Nilze – Na verdade, costumo dizer que foi Tangará quem me escolheu. Vim para cá acompanhando meu ex-marido, que havia sido aprovado em um concurso público na cidade. Com o tempo, mesmo após o divórcio, decidi permanecer. Tangará se mostrou uma cidade promissora, acolhedora e cheia de oportunidades. Aqui, construí uma rede sólida de amigos, colegas e parceiros profissionais que fizeram com que eu me sentisse pertencente. Foi essa conexão com as pessoas e com o potencial da cidade que me fez fincar raízes e seguir minha trajetória na advocacia por aqui.

EB – Considerando os dias atuais, quais os maiores entraves enfrentados pelo advogado no exercício da advocacia?

Sandra Nilze – São muitos, mas acredito que o maior deles ainda seja a morosidade do Poder Judiciário. Na prática, essa lentidão impacta diretamente a subsistência do advogado, especialmente porque, em grande parte dos casos, o recebimento dos honorários depende da finalização do processo. Atuo na área cível, onde uma demanda pode levar anos até chegar ao desfecho. E, nesse meio tempo, as despesas fixas continuam chegando. Lidar com essa incerteza financeira é um dos grandes desafios da nossa profissão.

Outro entrave significativo é a constante mudança legislativa e jurisprudencial. O Direito é dinâmico, e isso exige do advogado uma atualização permanente. Não basta saber, é preciso estar sempre aprendendo. E isso demanda tempo, energia e, muitas vezes, investimento.

Por fim, cito a desvalorização dos honorários advocatícios. Infelizmente, nem todos seguem a tabela mínima estabelecida pela OAB, o que acaba gerando uma competição desleal. Muitos profissionais, principalmente os que estão no início da carreira, sentem-se pressionados a cobrar valores abaixo do recomendado. Essa prática enfraquece a classe como um todo, pois transforma a advocacia em uma disputa por preço, quando, na verdade, o foco deveria ser a qualidade do serviço jurídico prestado.

EB – Como a digitalização do processo judicial tem impactado a prática da advocacia no Brasil, tanto em termos de eficiência quanto de desafios para a acessibilidade à justiça?

Sandra Nilze – A digitalização foi um avanço extraordinário para a advocacia. Conversando com colegas com mais tempo de atuação, ouço relatos de quando era necessário ir pessoalmente ao fórum para fazer carga dos autos, buscar o processo físico, controlar o prazo de devolução, entre tantas outras demandas manuais. Hoje, com poucos cliques, tenho acesso às informações diretamente do meu escritório. Isso representa não apenas uma grande economia de tempo, mas também de recursos, não precisamos mais fazer cópias, manter arquivos físicos imensos ou lidar com o excesso de papel.

Outro ponto positivo é que o trabalho do advogado não está mais limitado ao horário de expediente do Judiciário. É possível protocolar petições, consultar processos e atuar a qualquer hora, de qualquer lugar com acesso à internet. O surgimento do juízo 100% digital e dos modelos híbridos também ampliou o alcance da advocacia, permitindo que advogados atuem em comarcas distantes sem necessidade de deslocamento físico. Isso, inclusive, beneficia a produção de provas, como depoimentos de testemunhas que residem em outras cidades, muitas das quais antes não compareciam por falta de transporte ou necessidade de faltar ao trabalho.

Por outro lado, essa praticidade trouxe também a perda de um aspecto muito valioso da advocacia: a pessoalidade. As interações tornaram-se mais frias, impessoais. Muitos colegas que ingressaram recentemente na profissão sequer conhecem os demais advogados da comarca, tampouco constroem laços com servidores ou magistrados. Falta empatia nas relações, algo que sempre foi essencial para a construção de uma boa convivência no meio jurídico.

EB – A polarização se instalou de uma forma muito intensa no ambiente político brasileiro após 2018. Os ideologia de direita se instalou (desde 2018) muito fortemente e a esquerda reage. Por conta disso, temos muitos embates institucionais, envolvendo as três esferas de poder e, como exemplo, podemos citar o episódio da judicialização do aumento do IOF, com interferência de um poder sobre o outro. Isso acaba envolvendo a advocacia, uma vez que isso proporciona o embate ideológico e, muitas vezes, resulta em demandas na esfera judicial. Como a senhora avalia esse momento para a advocacia?

Sandra Nilze – A polarização, infelizmente, tem sido um fator extremamente desgastante para a sociedade como um todo, e a advocacia não está imune a isso. Se fosse um debate saudável, com ideias divergentes, mas voltado à construção de soluções para o bem coletivo, seria enriquecedor. No entanto, o que temos visto é uma verdadeira “guerra fria” ideológica, marcada por extremismos, intolerância e ataques, muitas vezes pessoais, que pouco contribuem para o fortalecimento das instituições.

Esse cenário tem provocado uma crescente insegurança jurídica. A instabilidade entre os poderes, como no caso da judicialização do aumento do IOF, gera dúvidas quanto aos limites e às competências constitucionais de cada esfera, afetando diretamente a previsibilidade das decisões judiciais e, por consequência, a atuação da advocacia.

Além disso, o embate ideológico acaba se refletindo também no campo jurídico, com a politização de temas que deveriam ser tratados com neutralidade técnica. O advogado, nesse contexto, precisa redobrar seu compromisso ético e institucional, resistindo às pressões externas e mantendo o foco na defesa do Estado Democrático de Direito, independentemente do governo ou do viés ideológico do momento.

Estamos vivendo um tempo em que o exercício da advocacia exige não só conhecimento jurídico, mas também firmeza de princípios, equilíbrio emocional e coragem para sustentar a voz da razão em meio ao ruído da polarização.

Para Sandra Nilze, “o futuro da advocacia estará cada vez mais ligado à capacidade crítica e à responsabilidade ética do profissional”.

EB – Nos últimos anos, temos visto um aumento da litigiosidade em áreas como direito do consumidor e direito digital. Quais áreas da advocacia a senhora acredita que estarão em maior destaque nos próximos anos?        

Sandra Nilze – Vejo o direito digital como uma das áreas mais promissoras para os próximos anos. Com o crescimento exponencial do uso das mídias sociais e a exposição massiva de dados e imagens, muitos direitos vêm sendo violados, o que tem gerado uma nova e crescente demanda por atuação jurídica especializada.

A legislação também tem evoluído para acompanhar essa realidade. Já contamos com marcos importantes, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o Marco Civil da Internet, a chamada Lei Carolina Dieckmann, além de dispositivos sobre stalking, cyberbullying e outros crimes virtuais. E o cenário é dinâmico, há novos projetos em andamento para dar conta da complexidade dos conflitos digitais.

O que torna esse nicho ainda mais relevante é o fato de que poucos advogados estão preparados ou verdadeiramente interessados em atuar nesse campo. Isso porque, além do domínio jurídico, a área exige também conhecimento técnico sobre o funcionamento do mundo digital. É um segmento que une inovação, necessidade social e boa perspectiva de renda, e, por isso, merece atenção de quem deseja se destacar na advocacia contemporânea.

EB – Outra característica da atualidade que envolve o exercício da advocacia é o ambiente criado pelas “Fake News”. Essa prática tem influenciado de maneira contundente as redes sociais e até mesmo os noticiários e, por isso, tem grande potencial de gerar demandas judiciais. A advocacia tem enfrentado desafios em relação ao papel das redes sociais na disseminação de informações jurídicas e no impacto disso sobre o processo judicial. Como a senhora enxerga esse fenômeno e quais são os limites éticos para a atuação de advogados no ambiente digital?

Sandra Nilze – A pandemia acelerou muitas transformações na advocacia, uma delas foi justamente a presença digital do advogado. Com as limitações de circulação e o distanciamento dos clientes, muitos profissionais se viram obrigados a se reinventar. As redes sociais, então, passaram a ser uma espécie de vitrine do trabalho jurídico, onde os advogados passaram a divulgar conteúdos informativos, esclarecer dúvidas comuns e manter uma conexão com o público.

No entanto, esse movimento também trouxe desafios. Junto com a expansão do conteúdo jurídico nas redes, veio a desinformação, seja por parte de leigos, seja até por profissionais que acabam ultrapassando os limites éticos para ganhar visibilidade. Infelizmente, as fakes news também chegaram ao universo jurídico, e isso pode comprometer a confiança no sistema de justiça e alimentar expectativas irreais nos clientes.

É fundamental lembrar que o advogado está submetido ao Código de Ética e Disciplina da OAB, que estabelece diretrizes claras sobre a publicidade profissional. A atuação no ambiente digital deve ser responsável, informativa, com linguagem acessível, mas sem transformar a advocacia em um produto de mercado. O limite está na postura: não cabe sensacionalismo, promessas de resultado ou exploração da dor alheia. O papel do advogado, mesmo nas redes sociais, é orientar com responsabilidade, contribuir para o acesso à informação de qualidade e preservar a credibilidade da profissão.

EB – Outra situação é a interferência entre poderes. Mais uma vez, a questão do IOF pode ser citada como exemplo. Afinal, o STF anulou os decretos do IOF, tanto do Planalto (do aumento) como do Congresso (suspensão do aumento). Comente a respeito.

Sandra Nilze – Esse episódio envolvendo o IOF é mais um reflexo da instabilidade que temos vivido nas relações entre os Poderes da República. A atuação do STF levanta uma discussão sensível sobre os limites de atuação de cada poder e sobre o papel do Judiciário como guardião da Constituição.

Embora o Supremo tenha o dever de garantir o equilíbrio institucional e a legalidade dos atos, situações como essa geram dúvidas na sociedade e na própria advocacia. Isso porque, quando o Judiciário passa a atuar de forma reiterada como moderador de embates políticos, corre-se o risco de fragilizar os próprios mecanismos democráticos, alimentando a sensação de insegurança jurídica.

Para a advocacia, o maior desafio nesse contexto é justamente a imprevisibilidade. A cada novo impasse entre os poderes, novas teses são judicializadas, o que exige do advogado um olhar atento, estratégico e, muitas vezes, ágil para lidar com cenários que mudam rapidamente. É um momento em que o compromisso com a Constituição deve ser o norte, e a atuação profissional precisa estar ainda mais alicerçada na ética e na técnica.

EB – O Ministério Público tem como função constitucional a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Porém, seus componentes (os Promotores de Justiça) são, muitas vezes, interpretados como ativistas jurídicos e com posturas ideológicas. Até que ponto essa questão (ativismo e ideologia no MP) pode influenciar o exercício da advocacia e a própria Justiça? Como é, hoje, o relacionamento da advocacia com o Ministério Público?

Sandra Nilze – O Ministério Público é uma instituição fundamental para o equilíbrio democrático, com papel relevante na proteção dos interesses coletivos e na fiscalização da legalidade. No entanto, assim como em qualquer outra carreira jurídica, a atuação dos seus membros deve ser guiada por critérios técnicos e constitucionais, e não por posicionamentos ideológicos.

Quando há excesso de ativismo jurídico por parte do MP, corre-se o risco de comprometer o princípio do devido processo legal, influenciar decisões de forma desequilibrada e até mesmo dificultar o trabalho da advocacia. Isso pode gerar tensões institucionais e desgastar a relação entre os profissionais do Direito.

Apesar disso, acredito que, na maioria das vezes, o relacionamento entre a advocacia e o Ministério Público é pautado pelo respeito institucional. Cada qual tem seu papel: o promotor não é inimigo do advogado, nem o advogado é um obstáculo à Justiça. Quando há diálogo, profissionalismo e respeito às garantias constitucionais, o sistema de justiça funciona de forma mais harmônica.

O desafio está em manter esse equilíbrio, sobretudo em tempos de polarização, onde é fácil confundir atuação firme com posicionamento ideológico. Cabe à advocacia seguir vigilante e técnica, sempre em defesa dos direitos fundamentais e da ordem jurídica.

EB – Sobre o Judiciário: Há o acúmulo de processos, insuficiência de juízes e estrutura física limitada. Qual a sua avaliação e o que fazer para melhorar?

Sandra Nilze – O nosso Judiciário enfrenta um déficit significativo de servidores e magistrados, o que tem provocado um acúmulo expressivo de processos. Essa sobrecarga impacta diretamente a sociedade como um todo: prejudica os cidadãos que aguardam a solução de suas demandas e também os advogados, que muitas vezes dependem da conclusão do processo para receber seus honorários.

Uma das alternativas que vem sendo adotada para aliviar esse cenário é a desjudicialização, com a transferência de determinadas demandas para a via extrajudicial. Essa é, sem dúvida, uma estratégia positiva, mas que ainda é insuficiente para resolver o problema da morosidade de forma estrutural.

É urgente ampliar o número de servidores e juízes, modernizar as estruturas físicas e tecnológicas e, principalmente, reforçar a fiscalização quanto ao cumprimento das metas de produtividade. Mais do que nunca, é preciso investir em eficiência, mas também em humanização do sistema, para que o acesso à justiça não seja apenas formal, mas efetivo e célere.

EB – Hoje a ideologia influencia fortemente a Educação, especialmente no nível superior. Até que ponto isso pode influenciar na advocacia, em sua opinião?

Sandra Nilze – A ideologia sempre esteve presente no meio acadêmico, e continuará existindo. No entanto, trata-se de um ambiente composto por adultos, nos quais se espera maturidade para analisar diferentes argumentos, refletir e formar suas próprias opiniões. A universidade, por natureza, é um espaço de debate, confronto de ideias e construção de pensamento crítico. Foi dentro dela que surgiram líderes, movimentos históricos e grandes transformações sociais.

É comum ouvirmos que o meio acadêmico tende para um lado ou outro do espectro político. Mas, para mim, a verdadeira riqueza da universidade está justamente em proporcionar o contato com múltiplas perspectivas, desde que estruturadas, fundamentadas, e inseridas em um contexto histórico que leve à reflexão sobre o presente e a construção de um futuro melhor.

Lamento profundamente que apenas uma pequena parcela da população tenha acesso ao ensino superior e à vivência dessa experiência tão transformadora, uma mistura de conhecimento, socialização, engajamento e ampliação de visão de mundo.

No curso de Direito, por exemplo, estudamos disciplinas como Filosofia, Sociologia e História das Leis. Esses conteúdos naturalmente despertam discussões ideológicas, pois tratam da forma como a sociedade se organiza, pune e protege. E essas discussões são fundamentais para a formação de juristas mais conscientes, mais empáticos e mais preparados. Afinal, esse estudante que hoje reflete sobre justiça e poder pode, amanhã, ser juiz, desembargador ou ministro. E é desejável que ele leve essa bagagem crítica e empática para onde for.

EB – Considerando o atual momento (marcado pela polarização, pelos posicionamentos ideológicos, pela politização no ensino, pela própria digitalização e a Inteligência Artificial), como a senhora vê o futuro da advocacia?

Sandra Nilze – A digitalização e o uso da Inteligência Artificial têm, sem dúvida, facilitado muito o exercício da advocacia. Ferramentas tecnológicas permitem mais agilidade no acesso à jurisprudência, na redação de peças e na gestão dos processos. No entanto, é preciso ter cautela. A IA ainda apresenta falhas, especialmente quando se trata de indicar referências jurídicas confiáveis, o que pode colocar o profissional em situações delicadas, caso não haja uma verificação cuidadosa das informações.

Por isso, acredito que o futuro da advocacia estará cada vez mais ligado à capacidade crítica e à responsabilidade ética do profissional. A tecnologia é uma aliada, mas não substitui o raciocínio jurídico, o olhar sensível para o caso concreto e, principalmente, o toque humano que só o advogado pode oferecer. Nenhuma máquina compreende as nuances de uma dor, de uma angústia, de uma injustiça como um ser humano preparado e comprometido com sua função social.

Além disso, vivemos um momento em que a polarização, a desinformação e a crise institucional exigem da advocacia uma postura firme, técnica e vigilante. O advogado continuará sendo indispensável na defesa da democracia, dos direitos fundamentais e do equilíbrio entre os poderes. Por mais que a tecnologia avance, a ética, o bom senso e o compromisso com a Justiça serão sempre insubstituíveis.

Portanto, vejo o futuro da advocacia como desafiador, mas também cheio de possibilidades, para quem estiver disposto a se atualizar, a se posicionar com responsabilidade e a exercer a profissão com consciência e propósito.

EB – A senhora compõe a ala mais jovem da advocacia em Tangará da Serra e, por isso, representa a renovação e quebra de paradigmas. Descreva sua atuação como advogada até aqui e, se quiser, cite casos emblemáticos/polêmicos em que atuou.

Sandra Nilze – Sim, sou uma jovem advogada. Peguei minha certidão no final de 2022 e, no início, comecei de forma bastante tímida. Na época, estava com uma bebê recém-nascida e enfrentava um processo de divórcio delicado, que me abalou profundamente no plano emocional. Mas foi justamente esse momento difícil que me despertou para o Direito de Família. Comecei a estudar com mais profundidade os julgados da área, os reflexos emocionais das decisões jurídicas e, sobretudo, o comportamento das pessoas diante da dissolução conjugal.

Durante esse período, me cerquei de pessoas queridas que me ofereceram apoio, e, curiosamente, grande parte delas eram advogadas ou envolvidas com o meio jurídico. A Dra. Wanessa Franchine, a Dra. Gleysi Garcia e a Dra. Mariana Golberto foram fundamentais nesse processo. Com esse apoio, passei a me aproximar da OAB, a frequentar os eventos, integrar comissões, ministrar palestras e produzir conteúdo para as redes sociais. Esse movimento me fortaleceu e abriu portas para parcerias e indicações, algo essencial para quem está no início da carreira.

Hoje, sou presidente da Comissão de Eventos da 10ª Subseção da OAB. Tenho um enorme carinho por essa função, pois sempre gostei de colaborar, organizar, participar ativamente. A comissão tem muito da minha essência, alegria, leveza, envolvimento e conexão. Estar dentro da OAB tem me proporcionado crescimento profissional, amizades valiosas e, principalmente, aquele brilho diário que só quem ama o que faz conhece.

No exercício da advocacia, continuo muito conectada com o Direito de Família, que é uma área repleta de complexidades, especialmente quando envolve filhos. Também traz momentos curiosos: recentemente atuei no divórcio de uma amiga de infância, de quem fui madrinha de casamento há muitos anos; já tive que correr para despachar diretamente com o juiz numa situação que a mãe impedia do pai passar o dia dos pais com os filhos; ou ainda estar fazendo o divórcio do casal, tudo acordado, petição pronta, e o casal na última hora se reconciliar. Situações como essas nos lembram que a vida dá voltas, e que o Direito, mais do que técnica, exige empatia, escuta e sensibilidade.

Quando olho para as comissões atuais da OAB de Tangará, vejo que grande parte são formadas por jovens advogados. São advogados que querem atuar, estão dispostos a trabalhar pela subseção, que não medem esforços para estarem presentes, para dividirem e adquirem mais conhecimentos. São estes advogados que estão modernizando o modo de atuar na advocacia; trazendo um olhar diferente e dinâmico; fomentando mudanças e questionando os modos operantes.

EB – Deixe sua mensagem à advocacia.

Sandra Nilze – A advocacia é, antes de tudo, uma escolha diária. Escolha de enfrentar os desafios com ética, estudar com disciplina, ouvir com empatia e atuar com coragem. É um caminho que exige constância, mas também oferece inúmeras recompensas, não só financeiras, mas humanas, emocionais e sociais.

Aos que estão começando, como eu, digo: é normal sentir medo, é normal duvidar. Mas não deixem que isso paralise vocês. Busquem apoio, criem laços, participem da OAB, estejam próximos de quem fortalece. A advocacia não se constrói sozinha, ela se nutre da troca, da confiança, da parceria.

E aos que já estão há mais tempo na estrada, peço: acolham a jovem advocacia. Compartilhem suas experiências, orientem com generosidade, abram espaços. Somos todos peças de um mesmo sistema que só funciona bem quando há respeito, diálogo e união.

Seja qual for a sua área, nunca se esqueça de que somos instrumentos de justiça. Que nossa atuação, mesmo em meio à tecnologia e às transformações do mundo, nunca perca o que há de mais valioso: o nosso olhar humano.

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