Ofensa à honra, dano moral, calúnia, injúria, difamação, homofobia, racismo, pedofilia, misoginia, pornografia, cyberbullying… Estes e outros crimes tem sido praticados todos os dias e em alta frequência no ambiente da rede mundial de computadores, em especial nas redes sociais.
A tecnologia que representa desenvolvimento e facilita a vida de milhões de pessoas, tem sido também uma ferramenta utilizada por criminosos e pessoas mal intencionadas e de personalidade duvidosa.
Neste contexto, os crimes digitais já se configuram como uma grande ameaça para a lisura das próximas eleições. Em Tangará da Serra, as adversidades políticas escaparam do campo das ideias, migraram para o terreiro da imoralidade e já povoam a esfera policial na forma de boletins de ocorrência. Tudo isso antes mesmo de serem definidas as candidaturas majoritários e proporcionais.
A legislação falha e permissiva no mundo digital, a intolerância crescente e a sensação de impunidade dos agressores abre espaço para a ocorrência cada vez maior de crimes de ódio e abuso na internet. Sob máscaras e disfarces de perfis falsos que, erradamente, dão sensação de segurança, os agressores praticam toda sorte de violação no ambiente “online” e, muitas vezes, ficam incólumes no domínio físico.
Nas últimas semanas, ao menos quatro ocorrências de violência digital foram registradas na Delegacia de Polícia Judiciária Civil de Tangará da Serra. Entre elas se inclui um caso de pesada difamação contra a honra de um jornalista e sua esposa, através de um blog, com compartilhamentos do material em redes sociais, em grupos de aplicativos como o Facebook, Instagram e WhatsApp.
Também sofreram com calúnias e difamações um ex-secretário municipal, vereadores, empresários e uma apresentadora de TV. Em todos os casos, as ações dos agressores tiveram como pano de fundo as motivações políticas. Obviamente, os casos já estão sob investigação da Polícia Judiciária Civil e terão sérios desdobramentos na esfera judicial.
Estes casos de violência digital já projetam o que poderá vir a acontecer quando as campanhas eleitorais estiverem em curso, por ocasião do próximo pleito que escolherá os novos gestores e vereadores do município. Pelo conteúdo das agressões e pelo perfil demonstrado pelos agressores e seus ‘colaboradores’, é difícil imaginar a magnitude da violência digital que será perpetrada no período eleitoral.
Além de prejuízos financeiros, os crimes cibernéticos produzem, através da violência digital, sensação de vulnerabilidade e impossibilidade de defesa entre as vítimas atingidas.
Diariamente, são registrados cerca de 400 crimes cibernéticos em todo o país. O levantamento mais recente, feito em 2018 pela associação SaferNet Brasil, em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), contabilizou 133.732 queixas de delitos virtuais, como pornografia infantil, conteúdos de apologia e incitação à violência e crimes contra a vida, calúnias, difamações, violência contra mulheres ou misoginia e outros.
Para fazer frente à crescente complexidade das investigações de crimes praticados por meios eletrônicos, a Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso conta com a Gerência de Combate a Crimes de Alta Tecnologia (GECAT).
A GECAT é um departamento ligado à Coordenadoria de Inteligência Tecnológica, da Diretoria de Inteligência, que atua nas investigações complexas que envolvem o uso da tecnologia de ponta ou a utilização de recursos tecnológicos, mais especificadamente, a internet. São os chamados popularmente “crimes virtuais” que, na verdade, são bem reais.
O leite é um dos alimentos mais antigos incorporados à alimentação humana e acompanha a própria evolução das sociedades. Seu consumo começou há milhares de anos, ainda no período Neolítico, quando os seres humanos passaram a domesticar animais e a desenvolver formas mais permanentes de produção de alimentos.
Vestígios arqueológicos encontrados em antigas cerâmicas indicam que o consumo de leite e de seus derivados já fazia parte da vida de comunidades do Oriente Médio e de outras regiões do Crescente Fértil há pelo menos 10 mil anos. A criação de ovelhas, cabras e bovinos ampliou as possibilidades de aproveitamento dos animais, incorporando o leite à alimentação cotidiana.
Em Tangará da Serra, o leite também representa uma importante atividade da agricultura familiar. Além do produto in natura, a produção leiteira dá origem a uma variedade de alimentos de grande aceitação no mercado, como queijos, requeijões, doces, nata e outros derivados.
Na Feira do Produtor do Centro, o leite está entre os produtos procurados pelos consumidores. Vendido in natura, chega à feira em quantidade considerável e, segundo os próprios feirantes, costuma ter boa procura. Os derivados também conquistam espaço entre os consumidores.
Um dos feirantes que comercializa leite e derivados é Valdeci Ferraz Aquino (na foto abaixo, em seu box), presidente da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet). Ele confirma a procura pelo produto.
“Se o consumidor não chegar cedo, pode ficar sem o leite, porque vende muito bem”, revela.
Entre as principais regiões produtoras de leite do município estão a Linha 12, Córrego das Pedras, Acampamento e Gleba Bandeirantes. O rebanho leiteiro é formado principalmente por animais da raça Girolando, conhecida pela aptidão para a produção de leite e pela adaptação às condições climáticas brasileiras.
Benefícios
O leite e seus derivados integram um grupo de alimentos de importante valor nutricional. São fontes de proteínas e cálcio e também fornecem minerais como fósforo e potássio, além de vitaminas.
O cálcio presente nos alimentos lácteos apresenta elevada biodisponibilidade, o que significa que pode ser bem aproveitado pelo organismo. Por isso, o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação associada à manutenção da saúde óssea e ao fornecimento de proteínas importantes para a formação e manutenção da massa muscular.
A quantidade e a frequência adequadas de consumo, entretanto, variam conforme a idade, as necessidades nutricionais e as condições individuais de cada pessoa.
A “cachorrada”
O leite faz parte da alimentação de muitas pessoas desde a infância. Por isso, também está presente em lembranças, histórias e tradições familiares. É o caso de Valdeci Ferraz Aquino, que transformou uma lembrança da infância em um dos produtos que hoje comercializa na feira.
Era 1969. Valdeci ainda era criança e acompanhava os pais, Dona Noemi e ‘Seo’ Juanir, na rotina da propriedade rural da família, no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.
Numa manhã, Dona Noemi colocou para ferver uma grande panela de leite recém-ordenhado das vacas da propriedade. Naquele dia, porém, algo saiu diferente do esperado: o leite coalhou.
Para não desperdiçar o produto, Dona Noemi acrescentou açúcar à coalhada e improvisou um doce. O que poderia ter sido apenas uma solução para aproveitar o leite acabou se transformando em uma tradição culinária da família.
Quando voltou da lida, Juanir entrou na cozinha e pediu leite para beber. A resposta da esposa foi direta: “Coalhou!”
Frustrado, Juanir reagiu: “Que cachorrada!”
E o nome ficou.
Décadas depois, a “cachorrada” é um dos produtos comercializados por Valdeci e sua esposa, Dª Cleide, no Box 81 da Feira do Produtor do Centro. Semelhante à ambrosia, mas preparada sem a adição de ovos, o doce mantém a receita que nasceu de uma situação corriqueira na propriedade da família e hoje desperta a curiosidade e o paladar dos frequentadores da feira.
Morador da localidade do Acampamento, Valdeci também oferece leite de vaca, queijo, doce pastoso, doce em cubos e nata.
Assim, entre o leite que chega fresco à banca e os produtos que carregam receitas transmitidas ao longo do tempo, a feira preserva não apenas uma tradição alimentar, mas também um pouco da memória de quem vive da produção rural.