A forte estiagem enfrentada por Tangará da Serra e pelo estado de Mato Grosso no ano de 2019 representa o menor volume de precipitação pluviométrica de um ano ao longo de toda a década.
A constatação tem como base dados fornecidos ao Enfoque Business pela Lyptus Flora, empresa especializada em florestas sustentáveis e que, por isso, promove medições pluviométricas diárias. Segundo medições realizadas na sede da empresa, às margens do Anel Viário, ano passado as chuvas acumularam 1.487,5 milímetros, contra 1.870 milímetros ao longo de 2018.
O volume de 2019 é menor que o ano de 2016, quando as chuvas acumularam 1.579 milímetros durante os 12 meses do ano. Nos anos de 2016 e 2019, vale lembrar, Tangará da Serra enfrentou duas das maiores crises hídricas da sua história, resultando em racionamentos de água na cidade.
Entre 2011 e 2019, os volumes anuais de chuva oscilaram entre um máximo de 2.094 milímetros, em 2013, e a marca mínima registrada ano passado. (ver gráfico)
Ainda segundo os dados da Lyptus Flora, a média mensal de chuvas de 2019 foi de 123,9 milímetros, contra 155,8 mm médios em 2018. A diferença de volumes de chuvas foi de 20% de um ano para outro.
Média diária destes primeiros dias de janeiro de 2020 representa quase 60% a mais da média diária de janeiro do ano passado.
A título de comparação, no mês de janeiro do ano passado houve um volume acumulado de chuvas de 220 milímetros, representando uma média diária de 7,09 milímetros naquele mês. Somente nos primeiros sete dias deste ano o acumulado já chegou a 77 milímetros, perfazendo uma média diária de chuvas de 11 milímetros.
O comparativo entre a média diária de janeiro de 2019 e os sete primeiros dias de 2020 pode ser um indicativo de que este ano o município deverá registrar um volume consideravelmente superior de chuvas.
Previsão acertada
Em março do ano passado, o baixo índice pluviométrico foi previsto pelo presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Sepotuba – CBH Sepotuba -, professor Flávio Koehler, durante o ‘Curso de Recursos Hídricos – Conceitos, Legislação, Produção e Reuso de Água’ -, promovido pelo Pacto em Defesa das Cabeceiras do Pantanal, no IFMT, em Tangará da Serra.
Na oportunidade, Koehler, que ministra aulas na Escola Técnica Estadual de Tangará da Serra, previu um volume aproximado de 1.500 milímetros para 2019.
Baixo índice pluviométrico do ano passado foi previsto pelo professor Flávio Koehler (centro).
O leite é um dos alimentos mais antigos incorporados à alimentação humana e acompanha a própria evolução das sociedades. Seu consumo começou há milhares de anos, ainda no período Neolítico, quando os seres humanos passaram a domesticar animais e a desenvolver formas mais permanentes de produção de alimentos.
Vestígios arqueológicos encontrados em antigas cerâmicas indicam que o consumo de leite e de seus derivados já fazia parte da vida de comunidades do Oriente Médio e de outras regiões do Crescente Fértil há pelo menos 10 mil anos. A criação de ovelhas, cabras e bovinos ampliou as possibilidades de aproveitamento dos animais, incorporando o leite à alimentação cotidiana.
Em Tangará da Serra, o leite também representa uma importante atividade da agricultura familiar. Além do produto in natura, a produção leiteira dá origem a uma variedade de alimentos de grande aceitação no mercado, como queijos, requeijões, doces, nata e outros derivados.
Na Feira do Produtor do Centro, o leite está entre os produtos procurados pelos consumidores. Vendido in natura, chega à feira em quantidade considerável e, segundo os próprios feirantes, costuma ter boa procura. Os derivados também conquistam espaço entre os consumidores.
Um dos feirantes que comercializa leite e derivados é Valdeci Ferraz Aquino (na foto abaixo, em seu box), presidente da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet). Ele confirma a procura pelo produto.
“Se o consumidor não chegar cedo, pode ficar sem o leite, porque vende muito bem”, revela.
Entre as principais regiões produtoras de leite do município estão a Linha 12, Córrego das Pedras, Acampamento e Gleba Bandeirantes. O rebanho leiteiro é formado principalmente por animais da raça Girolando, conhecida pela aptidão para a produção de leite e pela adaptação às condições climáticas brasileiras.
Benefícios
O leite e seus derivados integram um grupo de alimentos de importante valor nutricional. São fontes de proteínas e cálcio e também fornecem minerais como fósforo e potássio, além de vitaminas.
O cálcio presente nos alimentos lácteos apresenta elevada biodisponibilidade, o que significa que pode ser bem aproveitado pelo organismo. Por isso, o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação associada à manutenção da saúde óssea e ao fornecimento de proteínas importantes para a formação e manutenção da massa muscular.
A quantidade e a frequência adequadas de consumo, entretanto, variam conforme a idade, as necessidades nutricionais e as condições individuais de cada pessoa.
A “cachorrada”
O leite faz parte da alimentação de muitas pessoas desde a infância. Por isso, também está presente em lembranças, histórias e tradições familiares. É o caso de Valdeci Ferraz Aquino, que transformou uma lembrança da infância em um dos produtos que hoje comercializa na feira.
Era 1969. Valdeci ainda era criança e acompanhava os pais, Dona Noemi e ‘Seo’ Juanir, na rotina da propriedade rural da família, no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.
Numa manhã, Dona Noemi colocou para ferver uma grande panela de leite recém-ordenhado das vacas da propriedade. Naquele dia, porém, algo saiu diferente do esperado: o leite coalhou.
Para não desperdiçar o produto, Dona Noemi acrescentou açúcar à coalhada e improvisou um doce. O que poderia ter sido apenas uma solução para aproveitar o leite acabou se transformando em uma tradição culinária da família.
Quando voltou da lida, Juanir entrou na cozinha e pediu leite para beber. A resposta da esposa foi direta: “Coalhou!”
Frustrado, Juanir reagiu: “Que cachorrada!”
E o nome ficou.
Décadas depois, a “cachorrada” é um dos produtos comercializados por Valdeci e sua esposa, Dª Cleide, no Box 81 da Feira do Produtor do Centro. Semelhante à ambrosia, mas preparada sem a adição de ovos, o doce mantém a receita que nasceu de uma situação corriqueira na propriedade da família e hoje desperta a curiosidade e o paladar dos frequentadores da feira.
Morador da localidade do Acampamento, Valdeci também oferece leite de vaca, queijo, doce pastoso, doce em cubos e nata.
Assim, entre o leite que chega fresco à banca e os produtos que carregam receitas transmitidas ao longo do tempo, a feira preserva não apenas uma tradição alimentar, mas também um pouco da memória de quem vive da produção rural.