No Momento Agrícola deste sábado (14), Ricardo Arioli traz novas e importantes informações relacionadas ao Agro.
No primeiro bloco, Arioli fala e comenta sobre:
– Safra de grãos pode chagar a um crescimento de 5,9% em 2019, segundo o IBGE. Isso significa que o Brasil poderá chegar a uma safra recorde de 239,8 milhões de toneladas (ponto áudio 0:47);
– Defensivos biológicos: Publicada no Diário Oficial da União do último dia 09 instrução normativa de novas referências sobre produtos fitossanitários com uso aprovado para agricultura orgânica. Também há números do mercado de biológicos e outras novidades (ponto áudio 4:10);
– Transferência irregular de lotes destinados à Reforma Agrária pode ser enquadrada como crime (ponto áudio 9:19);
No segundo bloco, o juiz Marcelo Bretas – que esteve em Tangará da Serra no último dia 06, sexta-feira durante o ciclo de palestras AgrOAB, na Exposerra – fala sobre a Operação Lava Jato e a luta contra a corrupção.
No terceiro bloco, Ricardo Arioli fala com Guilherme Nolasco, do Instituto Mato-grossense da Carne (IMAC), sobre a habilitação de frigoríficos brasileiros – seis deles de Mato Grosso – para exportar carnes para a China.
Já no quarto bloco, mais notícias da semana comentadas:
– Produção agrícola de Mato Grosso movimentou mais de R$ 50 bilhões em 2018, segundo o IBGE (ponto áudio 0:23);
– Realização do Workshop das Agroligadas no próximo dia 17, na FAMATO (ponto áudio 3:30);
– Realização do Fórum Regional de Máxima Produtividade, dia 18, em Rondonópolis, na Associação dos Engenheiros Agrônomos (ponto áudio 6:31);
O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.
Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.
Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão
Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.
A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.
Fertilizantes: dependência que preocupa
Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.
A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.
Soberania vs. custo imediato
O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.
Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.
(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo: