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Momento Agrícola

Carne dos EUA abre espaço ao Brasil, China mantém trégua e agro reforça seu peso

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Menor confinamento americano favorece exportações brasileiras; visita de Xi Jinping produz poucos efeitos imediatos, enquanto produção e comércio exterior confirmam a força do agronegócio.

A pecuária dos Estados Unidos atravessa uma mudança estrutural que amplia o espaço da carne brasileira no mercado internacional. A redução do rebanho e da produção levou os americanos, antes líderes em produção e exportação, à condição de grandes importadores. Nas últimas semanas, os Estados Unidos ultrapassaram a China e se tornaram o principal destino da carne bovina brasileira.

O movimento ganhou força depois que o Brasil atingiu a cota chinesa de 1,106 milhão de toneladas. Com isso, os embarques para a China recuaram mais de 80% e devem permanecer limitados até a renovação da cota, prevista para o fim do ano. A Abiec avalia que a nova cota poderá ser esgotada já em abril de 2027.

Os dados mais recentes reforçam a tendência. Em agosto, os Estados Unidos registraram o menor número de animais colocados em confinamento para o mês desde 1996: 1,617 milhão de cabeças, queda de 9% sobre agosto de 2025. O país mantém cerca de 11 milhões de bovinos nos feedlots, responsáveis por até 95% do abate americano.

Janela para a carne brasileira

A menor oferta americana pode sustentar as cotações e abrir espaço para novos embarques brasileiros. A expectativa se soma à possível reabertura da cota chinesa e à ampliação, pelos Estados Unidos, de uma cota de 300 mil toneladas sem tarifa adicional. Com o consumo mais aquecido no fim do ano, o Cepea não descarta a arroba a R$ 400 nos próximos meses.

Mercado da carne bovina segue aquecido nos principais mercados consumidores.

Mato Grosso acompanha o movimento. A produção estadual chegou a 987 mil toneladas no primeiro semestre, quase 9% acima de 2025. Bovinos de até 24 meses representaram 45% dos abates, novo recorde. O estado responde por pouco mais de 18% da produção nacional, e o Imea projeta aumento de 43% no confinamento em 2026, para até 1,33 milhão de cabeças. A oferta de milho e de DDG, coproduto do etanol de milho usado nas rações, ajuda a explicar o avanço.

China preserva o conhecido

A visita do presidente chinês Xi Jinping aos Estados Unidos teve impacto limitado sobre o agronegócio brasileiro. Os dois países decidiram manter a trégua tarifária, e a China sinalizou compras de até 25 milhões de toneladas de soja americana por ano até 2028. O volume, porém, corresponde aproximadamente ao que já era adquirido antes da guerra comercial e não representa abertura significativa de demanda.

Para o Brasil, a disputa reforça a necessidade de competitividade, expansão dos biocombustíveis e diversificação de mercados para soja, milho e carnes.

Agro sustenta resultado externo

O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária chegou a R$ 1,403 trilhão em agosto. As lavouras responderam por R$ 894 bilhões, ou 64%, e a pecuária por R$ 509 bilhões, equivalentes a 36%. Soja, milho, cana-de-açúcar e café lideraram entre os cultivos; bovinos e frango foram os destaques da produção animal. O Centro-Oeste liderou, com Mato Grosso respondendo por 16% do total.

Na balança comercial, o saldo brasileiro foi positivo em US$ 7,39 bilhões, alta de 24% sobre agosto de 2025. O agronegócio gerou saldo de US$ 13,5 bilhões, compensando o déficit dos demais setores, pressionados pelas importações de diesel e gasolina. As exportações de bovinos vivos cresceram 183%, maior resultado da série, e as de carne de frango avançaram 39%.

O programa também aborda a transformação econômica do Paraguai e os cuidados para o plantio da soja.

As informações são apresentadas na edição deste sábado do Momento Agrícola pelo engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli, de Tangará da Serra.

Ouça o programa na íntegra:

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Momento Agrícola

Entre recordes, risco de diesel e inovação, agro entra na safra sob pressão

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Produção de grãos e carnes avança, mas crédito, combustível e rentabilidade seguem no centro das preocupações, enquanto novas tecnologias buscam dar mais eficiência às decisões no campo.

A combinação de recordes produtivos com custos elevados e incerteza econômica marca a entrada do agronegócio brasileiro na nova safra. As informações foram apresentadas na edição deste sábado (19) do Momento Agrícola, de Ricardo Arioli, que também mostrou iniciativas de inovação e estratégias para elevar a produtividade sem perder rentabilidade.

No campo político-econômico, sete empresas que firmaram acordos de leniência na Operação Lava Jato renegociaram as indenizações devidas à União. A atualização dos valores deixou de seguir a Selic, de 13,75% ao ano, e passou a considerar o IPCA. A mudança reduziu as dívidas em cerca de R$ 1,2 bilhão, para aproximadamente R$ 6 bilhões, com prazos que chegam a 2048. A medida alivia o passivo das companhias, mas recoloca em debate a diferença entre preservar empresas e assegurar a efetiva reparação dos danos.

Couro

No setor de couros, a JBS uniu sua operação à do grupo Viva, em uma empresa na qual cada sócio terá 50%. A JBS-Viva nasce com 31 fábricas em seis países e se torna a maior processadora mundial do produto.

Commodities

No mercado de milho, a interrupção de embarques ucranianos e o calor extremo na Europa abriram espaço para a Argentina, que pode exportar 10 milhões de toneladas em agosto e setembro. A colheita argentina é estimada em quase 72 milhões de toneladas, 20% acima do recorde anterior.

A Conab elevou a projeção da safra brasileira de grãos para 361,7 milhões de toneladas, alta de 2,6%. O milho deve alcançar 144 milhões de toneladas e a soja, 180,4 milhões, concentrando quase 90% do total. O algodão também bate recorde, com 4,14 milhões de toneladas de pluma, apesar da menor área. Em sentido oposto, arroz e trigo recuam, o que pode aumentar a necessidade de importações.

Carnes

Na pecuária, a produção das carnes bovina, suína e de frango deve superar 34 milhões de toneladas, 2% acima de 2025. A oferta permite abastecer o mercado interno e manter as exportações, mas o excedente de carne suína já pressiona a rentabilidade dos produtores. O frango pode atingir recorde de 5,76 milhões de toneladas exportadas. Na bovinocultura, a retenção de fêmeas para recompor o rebanho aponta para uma redução do abate em 2027.

Alta do diesel

O alerta mais imediato é o risco de aperto no diesel durante o plantio. O Brasil importa cerca de 25% do combustível que consome, e a alta internacional, associada às tensões no estreito de Ormuz, ampliou a defasagem dos preços domésticos. As importações caíram 18% em agosto, e uma nova retração pode afetar transporte, máquinas e logística justamente na fase mais crítica da safra.

Disciplina fiscal em dúvida

A redução da Selic para 13,75% poderia aliviar o custo da dívida pública, mas o reajuste de 15% do Bolsa Família, anunciado no dia seguinte, reacendeu a discussão sobre disciplina fiscal. Para o setor produtivo, a questão central é se a queda dos juros será convertida em crédito mais acessível ou apenas compensará a expansão das despesas, mantendo a pressão sobre inflação, câmbio e financiamento rural.

Entrevistas

Na frente de inovação, Érika Segóvia explicou que a terceira edição do AgriHUB Conecta ouviu mais de 3 mil produtores, identificou dez desafios prioritários e selecionou mais de 14 empresas. Falta de mão de obra, custos operacionais, acesso ao crédito e exigências de qualidade estão entre os problemas mapeados. O diferencial foi acompanhar a adoção das soluções no campo e medir seus resultados, em vez de apenas apresentar startups.

Pedro Tomazelli apresentou a plataforma Sua Semente, que reúne informações públicas sobre cultivares de soja, permite filtrar materiais por região, tecnologia e ciclo e organiza cotações de fornecedores. A ferramenta pode reduzir o tempo de escolha, mas não substitui o agrônomo: a recomendação precisa ser conferida diante das características de cada talhão, incluindo solo, doenças e nematoides.

Na Fazenda Horizontina, em Ipiranga do Norte, a abertura nacional do plantio de soja marcou os 15 anos do projeto Soja Brasil e a parceria entre Canal Rural e CESB. Nery Ribas destacou que os dados do Desafio Nacional de Máxima Produtividade serão disseminados para orientar o produtor. O campeão da última edição colheu 156 sacas por hectare, mas a mensagem mais importante é econômica: produtividade só faz sentido quando vem acompanhada de margem.

A propriedade dos Pozzobon exemplifica essa lógica ao integrar etanol de milho, pecuária, biometano, compostagem e uso dos resíduos como fertilizantes. A agricultura circular, a agregação de valor e a inovação deixam de ser conceitos acessórios e passam a funcionar como instrumentos de proteção diante de mercados voláteis, crédito caro e eventuais perdas de demanda externa.

Ouça na íntegra:

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