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ESPECIAL: SEGURANÇA HÍDRICA

ETA Queima Pé será ampliada e capacidade de tratamento crescerá quase 70%

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Série especial sobre segurança hídrica continua, desta vez, com a reportagem que destaca as medidas relacionadas ao tratamento de água em Tangará da Serra. Perdas e adução do Sepotuba serão temas de publicações na próxima segunda-feira (31)

Quando o assunto é abastecimento de água, dois aspectos básicos precisam ser considerados: a demanda da população e a capacidade da estrutura disponível para atendê-la. E, entre os componentes desse sistema, a capacidade de tratamento ocupa posição central. Não basta haver água disponível nos mananciais; é preciso contar com estrutura capaz de transformar a água bruta em água tratada em volume suficiente para atender ao consumo da cidade.

Em Tangará da Serra, uma das etapas desse processo já recebeu reforço. O alteamento da represa Sitna, que integra o sistema da Estação de Tratamento de Água (ETA) Queima-Pé, ampliou em 2,3 metros a lâmina d’água e aumentou a disponibilidade de água bruta para tratamento. A estrutura recebe água do rio Queima-Pé e dos córregos Figueira e Uberabinha.

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O desafio agora está em outra etapa do processo: ampliar a capacidade de tratamento.

A ETA Queima-Pé, inaugurada em 1997, está próxima de completar três décadas de operação. Desde então, Tangará da Serra cresceu, a população aumentou e a demanda por água tratada se ampliou. A estrutura atual, com capacidade de aproximadamente 300 litros por segundo, precisa acompanhar essa nova realidade.

Por isso, o Samae está promovendo uma série de intervenções que elevarão a capacidade instalada de tratamento para 350 litros por segundo em uma primeira etapa e, posteriormente, para 500 litros por segundo com a entrada em operação de uma nova unidade modular. Este sistema adicional será instalado em área já em preparação (foto acima), anexa à atual unidade de tratamento.

O resultado será um acréscimo de quase 70% sobre a capacidade atual, criando uma margem operacional maior para atender ao crescimento da demanda e reduzir a vulnerabilidade do sistema em períodos de maior consumo.

O que muda na prática?

  • Mais capacidade para tratar água
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A ampliação permitirá elevar a capacidade de tratamento da ETA Queima-Pé dos atuais 300 litros por segundo para até 500 litros por segundo, quando a nova unidade modular estiver em operação.

  • Maior estabilidade no abastecimento

Uma estrutura de tratamento com maior capacidade cria uma margem operacional mais ampla para enfrentar períodos de maior consumo e variações na demanda.

  • Mais segurança para a população

Com maior capacidade de produção de água tratada, o sistema ganha condições para responder melhor ao crescimento do consumo e reduzir sua vulnerabilidade diante de situações de pressão sobre o abastecimento.

  • Condições para acompanhar a expansão urbana

Novos bairros, loteamentos e empreendimentos aumentam a demanda por água. A ampliação da ETA cria capacidade adicional para que essa expansão ocorra sem transformar o abastecimento em um obstáculo ao crescimento da cidade.

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ESPECIAL: SEGURANÇA HÍDRICA

Tangará da Serra amplia capacidade de abastecimento para sustentar crescimento

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Investimentos em captação, tratamento, reservação e distribuição buscam eliminar gargalos históricos e preparar o município para a expansão urbana, imobiliária e empresarial

Tangará da Serra vive um momento de expansão urbana e econômica que coloca a infraestrutura entre os principais fatores para sustentar o desenvolvimento do município. Novos empreendimentos imobiliários, abertura de áreas destinadas à instalação de empresas e a própria expansão da cidade aumentam a necessidade de serviços públicos capazes de acompanhar esse movimento. Entre eles, um dos mais estratégicos é o saneamento básico, a começar pelo abastecimento de água.

É nesse contexto que o município vem promovendo uma série de investimentos para ampliar e modernizar o sistema de abastecimento. As medidas executadas e em andamento pelo Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) buscam atender às necessidades atuais e, principalmente, criar condições para que Tangará da Serra possa crescer com maior segurança hídrica.

A estratégia envolve a recuperação da estrutura existente, ampliação da capacidade de tratamento, novos reservatórios, modernização de equipamentos, preservação dos mananciais e, principalmente, a entrada em operação do Sistema Sepotuba, que acrescentará uma nova fonte de captação ao abastecimento municipal.

O objetivo é reduzir a vulnerabilidade do sistema diante de períodos de maior demanda e preparar o município para um cenário de crescimento populacional e econômico.

Desafios que ainda persistem

Apesar dos avanços, situações pontuais ainda mostram a dimensão do desafio. No distrito de São Jorge, por exemplo, o abastecimento é afetado pela estiagem e pela baixa vazão dos poços perfurados pelo Samae. Dos sete poços já perfurados, apenas um apresentou condições de atendimento, ainda com vazão insuficiente para a demanda local.

Segundo o Samae, já há estudos para instalar uma unidade de tratamento e distribuição com capacidade de 15 litros por segundo, a partir de água captada de poço artesiano. Enquanto a solução é preparada, o abastecimento é complementado emergencialmente por caminhões-pipa. Uma alternativa em avaliação envolve parceria com uma propriedade rural que dispõe de reservatório de água, mas a implantação exigiria investimentos e prazo maior.

Um desafio histórico

“Era um desafio que o município tinha: tornar o abastecimento de água regular, livre de crises hídricas, autossuficiente, com qualidade na água e suportando crescimentos de demanda”, relata Marcos Scolari, diretor do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae).

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Segundo ele, a transformação do sistema exige não apenas obras físicas, mas também recuperação da capacidade financeira necessária para manter investimentos permanentes em saneamento.

Marcos Scolari: Ampliar a capacidade de reservação de água bruta foi a primeira medida.

Uma das medidas adotadas nesse processo foi a atualização da tarifa de água, que permanecia defasada havia vários anos. Em 2025, as tarifas de água e esgoto tiveram reajuste de 54,5%, autorizado pela Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento do Estado de Mato Grosso (ARIS-MT), por meio da Resolução nº 044. A medida provocou embates políticos na Câmara Municipal e questionamentos jurídicos relacionados à aplicação do reajuste nas contas dos consumidores.

O Samae sustentou a necessidade de recomposição tarifária com base na sustentabilidade financeira da autarquia, nos custos operacionais e nas exigências relacionadas ao contrato de Parceria Público-Privada (PPP). A justificativa é que uma estrutura de saneamento exige recursos permanentes para operação, manutenção, modernização e ampliação dos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

Nesse contexto, a atualização da tarifa foi tratada pelo Samae como uma medida necessária para recuperar sua capacidade de investimento, justamente em um período de ampliação da infraestrutura.

“Não se trata de encarecer a água, mas sim de situar a água no seu verdadeiro valor. Tratar e distribuir água tem custo alto e demanda investimentos, planejamento e serviços técnicos especializados”, afirma Scolari.

O diretor destaca que o município não pode abrir mão de uma tarifa capaz de garantir sustentabilidade financeira ao sistema.

“Precisamos ter condições para suportar uma estrutura que atende 114,6 mil pessoas, sendo 90% desta população consumindo água na zona urbana 24 horas por dia”, complementa, citando a última estimativa populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A recuperação da capacidade de investimento é, portanto, parte da estratégia. O desafio não está somente em obter mais água, mas em manter uma estrutura permanente de captação, tratamento, reservação, bombeamento e distribuição capaz de acompanhar o crescimento da cidade.

Orçamento do Samae

Para dimensionar esse esforço, o orçamento original do Samae para 2026 é de R$ 117,7 milhões. Desse total, R$ 44,2 milhões estão destinados à área de “Saneamento Básico Urbano” e R$ 52,8 milhões a ações de “Preservação e Conservação Ambiental”.

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A preservação ambiental é parte da própria segurança hídrica. A disponibilidade de água para tratamento depende da conservação dos mananciais e das áreas de recarga que alimentam o sistema.

Máquinas trabalham na ETA Queima Pé: Ampliação da capacidade de tratamento compreende a segunda etapa.

Um exemplo é a recuperação da principal nascente do rio Queima-Pé, um dos mananciais que fornecem água bruta para o abastecimento de Tangará da Serra. O local vem apresentando resultados positivos após um projeto de revitalização iniciado em 2021.

A recuperação envolveu contenção de águas pluviais, instalação de dispositivos de recarga do lençol freático, recuperação da vegetação ciliar e monitoramento da vazão e da qualidade da água. O resultado reforça a importância da preservação dos mananciais e mostra que segurança hídrica depende da combinação entre recuperação ambiental, novas fontes de captação e ampliação da infraestrutura.

Água como infraestrutura para o desenvolvimento

A ampliação do abastecimento ganha importância diante da transformação pela qual Tangará da Serra passa. A expansão do mercado imobiliário e a abertura de novas áreas para empreendimentos empresariais ampliam a demanda por infraestrutura urbana.

Uma cidade pode disponibilizar terrenos para empresas, abrir novas áreas de expansão urbana e ampliar sua infraestrutura viária. Entretanto, esses investimentos precisam estar acompanhados de serviços básicos capazes de atender a população e as atividades econômicas incorporadas ao território.

Nesse cenário, a disponibilidade de água deixa de ser apenas uma questão relacionada ao atendimento da população atual e passa a representar também uma condição para novos investimentos.

Vander Masson: “Se um município quer crescer, ele precisa dar condições para quem está disposto a investir”.

“Se um município quer crescer, ele precisa dar condições para quem está disposto a investir. Sem isso, o município fica estagnado, sem perspectiva de crescimento, e não podemos esquecer que Tangará da Serra é um município que polariza toda uma região e que, por isso, tem condições de expandir sua economia. Esta é uma responsabilidade que uma gestão deve assumir”, observa o prefeito Vander Masson.

Para o setor imobiliário, maior capacidade de abastecimento significa condições para atender novos bairros e empreendimentos. Para a atividade empresarial, representa maior previsibilidade para investimentos que dependem de disponibilidade regular de água. Para o município, significa reduzir o risco de que o abastecimento se transforme em um gargalo para a expansão urbana e econômica.

A água, assim, passa a integrar a própria estratégia de desenvolvimento municipal.

 

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