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Caso “Oi/Heritage” mexe na campanha de Pivetta e pode resultar em ruptura no grupo governista

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Fábio Garcia deixa disputa pela vice e volta à Câmara; governador admite “baque” e promete anunciar novo nome. Crise também alcança articulação política do governo

A Operação Heritage provocou uma reacomodação de emergência na chapa de Otaviano Pivetta e introduziu uma nova variável na disputa eleitoral de Mato Grosso. Apenas cinco dias depois da deflagração da operação da Polícia Federal, Fábio Garcia (União) retirou seu nome da disputa pela vice-governadoria e decidiu concorrer novamente à Câmara dos Deputados. Pivetta, que reconheceu o “baque” provocado pela investigação, afirmou que anunciaria ainda nesta terça-feira (11) o substituto.

A mudança é consequência direta das medidas determinadas no âmbito da investigação. Entre elas está a restrição de comunicação entre investigados, que atingiu Garcia e o ex-governador Mauro Mendes. O deputado afirmou que a situação criou dificuldades práticas para a condução da campanha e que a decisão de deixar a chapa foi tomada para evitar que essas limitações interferissem no projeto eleitoral. Garcia deverá buscar a permanência na Câmara Federal.

Pivetta reconhece o “baque”

A saída de Garcia ocorre em meio a uma crise que ultrapassou o campo jurídico e chegou ao centro da composição eleitoral governista. Pivetta reconheceu publicamente o impacto da operação e afirmou estar triste com a situação envolvendo pessoas de sua confiança. Ao mesmo tempo, disse acreditar na inocência de muitos dos investigados e destacou que eles terão oportunidade de apresentar suas defesas.

Fábio Garcia e Pivetta, após anúncio da chapa original, há cerca de uma semana. Construção teve de ser desfeita em razão da Oi/Heritage.

O governador também afirmou que ainda não consegue dimensionar o dano político provocado pela operação, mas reconheceu que a oposição aproveitou o episódio. Em outra manifestação, sustentou que a investigação não representa condenação e que os envolvidos devem ser considerados inocentes até que eventual responsabilidade seja comprovada.

A posição pública de Pivetta é de preservação da aliança. Ele afirmou que continua apoiando Mauro Mendes e Margareth Buzetti para o Senado e negou que a saída de Garcia represente um racha no grupo. Segundo o governador, as lideranças da base participaram das negociações e contribuíram para a solução do impasse.

Leia mais:  Heritage coloca grupo de Mendes sob pressão e desgasta campanhas ao Senado e ao Governo

A vice virou peça central

Com a saída de Garcia, a vice-governadoria tornou-se novamente uma peça aberta na montagem da chapa. Entre os nomes que passaram a ser considerados estão Rogério Gallo, Gisela Simona e Alessandra Ferreira. A definição, segundo Pivetta, deveria ocorrer ainda nesta terça-feira.

A escolha terá importância que vai além da simples substituição de um candidato. Garcia havia sido indicado como elo entre Pivetta e o grupo de Mauro Mendes. Sua retirada, portanto, obriga o governador a reconstruir a composição da chapa em meio à repercussão da Heritage e às novas restrições impostas aos investigados.

Uma das possibilidades discutidas no ambiente político é a retomada de um alinhamento com Max Russi, do Podemos. O próprio Pivetta citou o deputado entre as lideranças que participaram das articulações para solucionar o impasse em torno de Garcia. A eventual aproximação, entretanto, depende das negociações entre os partidos e não representa, até o momento, uma definição sobre a composição da chapa.

Mudanças chegam à estrutura do governo

Os efeitos da operação também alcançaram a estrutura administrativa do Palácio Paiaguás. Mauro Carvalho deixou o comando da Casa Civil, e Rogério Gallo foi escolhido para assumir a secretaria. A mudança ocorre justamente em uma área estratégica para a interlocução do Executivo com deputados, partidos e lideranças políticas.

A substituição ganha peso porque Carvalho também aparece entre os investigados na Operação Heritage. A troca, portanto, representa uma alteração no núcleo de articulação política do governo em um momento em que Pivetta precisa simultaneamente reorganizar sua chapa e administrar as consequências políticas da investigação.

Mauro também terá de administrar o impacto

Se a saída de Garcia produz uma consequência imediata na campanha de Pivetta, a operação também cria dificuldades para Mauro Mendes, que pretende disputar uma das vagas ao Senado. O ex-governador está entre os alvos da investigação, assim como pessoas de seu círculo familiar e político.

Mauro Mendes terá de superar impacto da Heritage para ter êxito na campanha ao Senado.

A restrição de contato entre investigados acrescenta uma dificuldade operacional à campanha. Mauro e Garcia, por exemplo, estão impedidos de manter comunicação, o que interfere na relação política entre dois dos principais integrantes do grupo que vinha sendo construído para a disputa de 2026.

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Pivetta, por sua vez, afirma que pretende manter o apoio a Mauro e à candidatura de Margareth Buzetti ao Senado. A declaração demonstra que, apesar das mudanças provocadas pela Heritage, o governador ainda busca preservar o desenho político original da aliança.

Oposição transforma investigação em crise política

Enquanto o grupo governista procura reorganizar sua estrutura, a oposição passou a explorar politicamente o episódio. O deputado estadual Wilson Santos classificou a operação como um “terremoto político” e voltou a defender a instalação de uma CPI na Assembleia Legislativa para investigar o acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Estado e a Oi.

Segundo o parlamentar, a Assembleia já discutia a criação da comissão antes da deflagração da operação e deveria manter a apuração parlamentar. As declarações mostram que o caso deixou de ser apenas uma investigação conduzida pelas autoridades e passou a ocupar espaço central no debate político estadual.

Um novo desenho para a eleição

A sucessão desses acontecimentos coloca o grupo governista diante de um momento de reacomodação. Em poucos dias, a Operação Heritage provocou a saída de Garcia da chapa, abriu a disputa pela vice-governadoria, alterou o comando da Casa Civil e criou novas limitações para a articulação entre integrantes do grupo.

Pivetta nega a existência de racha e sustenta que a base permanece unida. Mas a necessidade de reconstruir a chapa, administrar a relação com Mauro Mendes e lidar com os efeitos da investigação introduz uma dose de incerteza em uma composição que, até a deflagração da Heritage, estava praticamente definida.

O episódio ocorre justamente na passagem para a fase efetiva da disputa eleitoral. O próprio Pivetta afirmou que, definida a nova composição da chapa, a campanha começaria oficialmente. O que ainda não está definido é quanto da configuração política existente antes da Heritage permanecerá de pé.

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Heritage coloca grupo de Mendes sob pressão e desgasta campanhas ao Senado e ao Governo

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Destino de R$ 308 milhões pagos pelo Estado à Oi coloca sob investigação uma complexa operação financeira que pode se transformar em novo escândalo político em Mato Grosso.

A Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (6), colocou sob forte pressão o grupo político liderado pelo ex-governador Mauro Mendes (União), candidato ao Senado, e atingiu diretamente a composição da chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo de Mato Grosso. Entre os alvos da investigação está o deputado federal Fábio Garcia (União), escolhido recentemente para ocupar a vaga de vice-governador.

No centro da apuração está um acordo firmado em abril de 2024 entre o Governo de Mato Grosso e a Oi, envolvendo a restituição de valores decorrentes de uma disputa tributária. Segundo a PF, há indícios de que uma operação financeira tenha sido estruturada para possibilitar o desvio de mais de R$ 308 milhões, utilizando uma sequência de fundos de investimento e pessoas jurídicas interpostas para ocultar a origem, a movimentação e o destino dos recursos. A operação cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em quatro estados e determinou, entre outras medidas, o bloqueio de bens de até R$ 316 milhões.

O caminho dos recursos

A engenharia financeira investigada ganhou destaque justamente pela utilização de fundos em sequência. Documentos já apresentados em investigações anteriores apontam que os R$ 308 milhões foram direcionados inicialmente a dois fundos, Royal Capital e Lotte Word, que receberam aproximadamente R$ 154 milhões cada. A partir daí, os recursos teriam circulado por outros fundos e empresas, formando uma estrutura em cascata.

É nesse percurso que aparecem vínculos societários e familiares que estão sendo examinados pelas autoridades. Documentos citados em investigação parlamentar e judicial apontam relações entre fundos que receberam os recursos e empresas ligadas a familiares de Mauro Mendes, além de pessoas próximas ao núcleo político do ex-governador e de Fábio Garcia. A própria PF, contudo, limita-se a informar oficialmente que identificou indícios de utilização de fundos e pessoas jurídicas interpostas para ocultação e dissimulação dos recursos.

A investigação, portanto, não se restringe à legalidade formal do acordo entre o Estado e a Oi. O foco está também no que ocorreu com o dinheiro depois que saiu dos cofres públicos.

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Mauro nega irregularidades e fala em perseguição

Mauro Mendes reagiu à operação negando qualquer irregularidade. Em manifestação pública, afirmou que o acordo com a Oi foi legal, contou com manifestações favoráveis de órgãos de controle e que os fundos que receberam os recursos não possuem relação com ele ou com sua família. O ex-governador também classificou a operação como uma ação de adversários políticos destinada a atingir seu projeto eleitoral.

Mendes: Operação da PF deixa ex-governador em situação difícil a menos de 60 dias das eleições.

A reação abriu uma nova frente de disputa política. O senador Carlos Fávaro (PSD), citado por Mauro entre os supostos articuladores da operação, rebateu a acusação e afirmou que a Polícia Federal é uma instituição de Estado. Defendeu o direito de defesa dos investigados, mas sustentou que eventuais esclarecimentos devem ocorrer no âmbito da Justiça. O ex-governador Pedro Taques (PSB), outro adversário citado por Mauro, também reagiu publicamente.

Desgaste chega à campanha de Mauro ao Senado

O maior efeito político da Heritage, neste primeiro momento, está sobre a candidatura de Mauro Mendes ao Senado. A operação atinge justamente a imagem que o ex-governador procura levar para a campanha: a de gestor eficiente, associado a resultados administrativos e a uma administração marcada por investimentos e equilíbrio fiscal.

Ainda não é possível medir o impacto eleitoral da investigação. Mas a associação pública de seu nome a uma apuração federal envolvendo mais de R$ 300 milhões cria um problema de comunicação política para a campanha. A cada novo desdobramento da investigação, o candidato corre o risco de ter sua agenda eleitoral substituída pelo esforço de explicar o caso e rebater acusações.

O desgaste potencial aumenta porque a investigação envolve pessoas de seu círculo político e familiar. Mauro, entretanto, não é acusado pela PF em sua nota oficial de ter cometido crime: ele figura entre os alvos das medidas investigativas, e as responsabilidades individuais ainda dependem do avanço da apuração.

Fábio Garcia leva a crise para a chapa de Pivetta

O problema ganha dimensão maior porque Fábio Garcia foi escolhido para ser vice de Otaviano Pivetta poucos dias antes da operação. A composição foi homologada pelos partidos, mas, segundo o Olhar Direto, ainda não havia sido protocolado o registro da chapa no momento da publicação da reportagem. A legislação eleitoral permite substituições em situações previstas em lei, mas a simples condição de alvo de uma operação policial não produz, por si só, impedimento eleitoral.

Fábio Garcia e Otaviano Pivetta: Operação Heritage gera grande desgaste à chapa que concorre ao governo.

Politicamente, contudo, a situação é mais delicada. Fábio é integrante do núcleo político de Mauro Mendes e sua indicação para a vice foi defendida pelo ex-governador. A operação, portanto, cria uma conexão inevitável entre a disputa pelo Governo do Estado e a investigação que atingiu o grupo político que comanda a sucessão.

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Para Pivetta, que procura apresentar sua candidatura como continuidade administrativa, mas também como um projeto próprio para Mato Grosso, a Heritage acrescenta uma variável indesejada à campanha. O candidato terá de administrar a pressão por explicações sobre a escolha do vice sem permitir que a eleição se transforme em um plebiscito sobre Mauro Mendes e a investigação da PF.

Uma crise que pode mudar o eixo da eleição

A Operação Heritage chega em um momento particularmente sensível do calendário eleitoral. Com as chapas recém-definidas e os projetos para o Senado e o Governo do Estado em fase de consolidação, a investigação introduz um elemento de imprevisibilidade na disputa.

O episódio já provocou consequências institucionais, entre elas o afastamento do procurador-geral do Estado, e ampliou o confronto entre o grupo de Mauro Mendes e seus adversários.

O alcance político da Heritage dependerá, sobretudo, dos próximos passos da investigação. Se surgirem novos elementos relacionando agentes públicos, empresários e familiares ao percurso dos R$ 308 milhões, a pressão sobre Mauro, Fábio Garcia e a candidatura de Pivetta tende a aumentar. Se, ao contrário, os investigados conseguirem demonstrar a regularidade das operações, parte do impacto poderá ser absorvida como uma crise política de curto prazo.

Por enquanto, o que a operação já produziu é uma mudança no ambiente eleitoral: o grupo que vinha conduzindo a sucessão estadual com a força política acumulada durante a gestão Mauro Mendes passou a conviver com uma investigação de grande repercussão justamente no momento em que se inicia a disputa pelo voto.

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