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Desafios crescentes: Custo da Soja, estiagem em MT e barreiras da UE são entraves

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O agronegócio brasileiro enfrenta um cenário de múltiplos desafios, com o aumento dos custos de produção da soja, a preocupante estiagem em Mato Grosso e as rigorosas exigências sanitárias da União Europeia. Esses fatores, destacados pelo jornalista Olmir Cividini em sua coluna Circuito Rural desta sexta-feira (24), exigem atenção e adaptação por parte dos produtores.

Custo em elevação

O custo para plantar a próxima safra de soja em Mato Grosso está mais alto. Segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), a estimativa é de R$ 4.320 por hectare, um aumento de 3,35% em relação ao ciclo anterior. Os principais vilões dessa alta são os fertilizantes e as operações mecanizadas, influenciados, em parte, pelo conflito no Oriente Médio, que pressiona os preços da energia e do óleo diesel.

Diante desse cenário, muitos produtores estão sendo forçados a revisar seus “pacotes tecnológicos”, o que pode significar a redução de investimentos em fertilizantes e corretivos na tentativa de economizar.

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Estiagem e atraso das chuvas

O fenômeno El Niño continua a impactar o clima brasileiro, trazendo excesso de chuvas para o Sul e, em contrapartida, seca para o Centro-Oeste. Em Mato Grosso, a situação é preocupante. Olmir Cividini alerta que “a estiagem se intensificou e as previsões indicam atraso no retorno das chuvas, o que pode comprometer o início do plantio”.

As projeções climáticas para o estado indicam calor intenso e chuvas irregulares, com baixos índices de umidade relativa do ar, um cenário que agrava o período de seca e pode impactar diretamente a produtividade da safra.

Barreiras sanitárias

Outro ponto de tensão para o agronegócio é a postura da União Europeia em relação às exigências sanitárias para a carne bovina brasileira. Um embaixador irlandês no Brasil confirmou que a UE não flexibilizará as exigências sobre o uso de antimicrobianos no gado. Essa é uma condição crucial para que o Brasil retorne à lista de exportadores para o bloco europeu.

O governo brasileiro tem feito esforços, adotando novas normas restritivas, reforçando os controles sanitários e ampliando a rastreabilidade animal. No entanto, o pedido de um período de transição para evitar a interrupção das exportações a partir de 3 de setembro foi rejeitado.

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O embaixador, citado por Olmir Cividini, esclareceu que “não existe um impedimento político ao Brasil. A questão é técnica, meramente técnica. Assim que o país comprovar que atende integralmente os protocolos exigidos… poderá ser novamente habilitado”.

Adaptação ao Mercado: O Grande Desafio

Olmir Cividini conclui que, tanto na agricultura quanto na pecuária, produzir bem já não é suficiente. “O grande desafio parece ser o de conseguir se adaptar ao mercado. É preciso produzir com competitividade, cumprir exigências cada vez mais rigorosas e enfrentar um cenário internacional que muda rapidamente”. A capacidade de adaptação e a busca por eficiência serão cruciais para o setor superar esses obstáculos.

Ouça a íntegra do Circuito Rural:

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Aumento de etanol na gasolina deve impulsionar investimentos e empregos em Mato Grosso

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A decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de elevar de 30% para 32% o percentual de etanol anidro na gasolina deve ampliar a demanda pelo biocombustível e estimular novos investimentos em Mato Grosso, segundo maior produtor nacional de etanol.

A avaliação é do Observatório de Mato Grosso, que projeta crescimento no consumo e impactos positivos sobre a economia estadual, especialmente nas cadeias produtivas ligadas à agroindústria, à logística e à geração de empregos.

De acordo com o levantamento, entre agosto e dezembro de 2026, a demanda nacional por etanol anidro deverá aumentar em cerca de 411 milhões de litros, elevando o consumo para quase 15 bilhões de litros no período, alta de 2,8%.

Na comparação entre as safras 2025/26 e 2026/27, a expectativa é de que o consumo salte de pouco mais de 14 bilhões para aproximadamente 15 bilhões de litros, avanço estimado em 8%.

Para o presidente do Sistema Fiemt, Federação das Indústrias de Mato Grosso, Silvio Rangel, a medida representa um incentivo à expansão do setor, com reflexos diretos sobre a geração de empregos e a atração de investimentos.

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Os números da indústria do etanol em Mato Grosso já demonstram o dinamismo da atividade na última década. Entre 2015 e 2025, o número de usinas instaladas no estado passou de 13 para 27 unidades, enquanto o total de trabalhadores formais saltou de 4,4 mil para 10,7 mil, crescimento de 144,5%.

No mesmo período, a massa salarial anual avançou de R$ 182 milhões para R$ 586 milhões, alta de 221,8%, evidenciando a crescente importância econômica do segmento.

A expansão da cadeia do etanol acompanha a transformação do agronegócio mato-grossense, cada vez mais voltado à agregação de valor da produção agrícola. Além da tradicional indústria sucroenergética, o avanço das usinas de etanol de milho consolida um novo ciclo de investimentos baseado no processamento industrial da safra produzida no estado.

Em 2025, o setor foi responsável pela arrecadação de mais de R$ 3 bilhões em ICMS — o equivalente a cerca de 12% de todo o imposto recolhido em Mato Grosso —, reforçando o papel estratégico da cadeia do etanol para a economia estadual.

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Para especialistas, o aumento da participação do biocombustível na gasolina tende a fortalecer não apenas a produção industrial, mas também uma extensa rede de atividades correlatas, envolvendo transporte, armazenagem, manutenção, geração de energia, produção de biomassa e serviços especializados.

(Com informações de Sapicuá Rádio Agência. Foto principal: ilustração IA)

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