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Economia & Mercado

Nova indústria pode sinalizar virada logística e econômica no oeste-sudoeste do estado

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Uma informação obtida com exclusividade pelo Enfoque Business pode sinalizar uma mudança profunda no futuro econômico do oeste-sudoeste mato-grossense. Segundo apuração da reportagem, existe a possibilidade de instalação, por um tradicional grupo econômico, de um grande empreendimento industrial voltado ao processamento de milho na região do Chapadão do Rio Verde, em Tangará da Serra.

Embora o projeto ainda não tenha sido oficialmente confirmado, especialistas observam que investimentos dessa magnitude não dependem apenas da disponibilidade de matéria-prima. Eles exigem, sobretudo, uma infraestrutura logística capaz de garantir competitividade no mercado nacional e internacional.

A eventual chegada de uma indústria de grande porte pode representar mais do que a agregação de valor à produção agrícola regional. Pode ser também um indicativo de que importantes transformações logísticas estejam próximas de sair do papel.

Corredor de escoamento

Nesse contexto, ganha força a discussão sobre a implantação da navegação comercial pelo tramo norte do rio Paraguai, considerada por economistas e empresários um dos principais vetores de desenvolvimento para o sudoeste de Mato Grosso.

Hidrovia Paraguai-Paraná será importante corredor de exportação para Mato Grosso.

Com a hidrovia em operação, parte da produção regional poderia ser escoada por embarcações de menor porte até Corumbá (MS), onde ocorreria o transbordo para comboios de maior capacidade. Dali, a carga seguiria pelo sistema hidroviário da Bacia do Prata até o terminal de Nueva Palmira, no Uruguai.

No porto uruguaio, um novo transbordo permitiria que navios oceânicos levassem a produção mato-grossense aos mercados internacionais, especialmente à Ásia, após a travessia pelo Atlântico e a passagem pelo Cabo da Boa Esperança, na África.

Entusiasta do projeto, o economista, engenheiro civil e especialista em logística Sílvio Tupinambá avalia que o novo corredor hidroviário tem potencial para alterar profundamente a dinâmica econômica regional.

“Teríamos um incentivo natural a novos investimentos, através de stakeholders que veriam uma série de oportunidades”, observa.

Tupinambá: Novo corredor logístico um incentivo natural a novos investimentos, através de stakeholders que veriam uma série de oportunidades.

Segundo Tupinambá, esse ecossistema reuniria embarcadores, operadores logísticos, pequenos, médios e grandes produtores rurais, tradings e investidores interessados na reativação do tramo norte, em conjunto com a implantação das Estações de Transbordo de Carga (ETCs) de Barranco Vermelho e Paratudal, além da Associação Pró Hidrovia (APH), essa última já instalada na região central de Cáceres.

Para o representante da Agenda Regional Oeste (ARO), o desenvolvimento econômico seria uma consequência direta desse movimento.

“Assistiríamos a um ciclo virtuoso, com novos investimentos públicos para atender às demandas dessa nova realidade e efeitos socioeconômicos altamente positivos”, prevê.

Mão dupla

Sílvio Tupinambá vai além e afirma que, além de exportar produtos industrializados e commodities agrícolas, a hidrovia funcionaria como uma via de mão dupla.

“Pelo mesmo caminho poderiam chegar ao interior mato-grossense fertilizantes, defensivos agrícolas, máquinas, equipamentos e mercadorias transportadas em contêineres, reduzindo custos logísticos e ampliando a competitividade da produção local.”

Terminais portuários movimentarão economia na área de abrangência da hidrovia.

Coordenador da Agenda Regional Oeste em Tangará da Serra, Tupinambá integra uma organização privada formada por profissionais de diversas áreas técnicas. Com escritórios em Cáceres e Tangará da Serra, a ARO acompanha as obras de integração logística e o desenvolvimento socioeconômico da macrorregião oeste-sudoeste do estado, colaborando com a sociedade e os poderes constituídos para garantir a continuidade e a celeridade dos projetos estruturantes.

Processamento industrial

A discussão também envolve a Zona de Processamento de Exportação (ZPE), em Cáceres. Concebida para atrair indústrias voltadas ao mercado externo, a estrutura depende de um sistema de transporte eficiente para competir com polos consolidados do Sul e do Sudeste do país.

ZPE de Cáceres: Polo industrial com potencial de alavancar desenvolvimento da macrorregião Oeste-sudoeste do MT.

Nas últimas décadas, Mato Grosso consolidou sua posição como potência agrícola mundial, ampliando a produção de soja, milho, algodão e proteínas. Agora, o desafio passa a ser outro: transformar parte dessa riqueza em produtos industrializados dentro do próprio território.

Com a ZPE em Cáceres e a possibilidade de uma nova indústria em Tangará da Serra, o oeste-sudoeste mato-grossense poderá ingressar em uma nova etapa de desenvolvimento, marcada não apenas pela produção em larga escala, mas pela agregação de valor, pela integração logística e pela expansão da atividade industrial no coração do agronegócio brasileiro.

(*) Foto principal: IA

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Economia & Mercado

Momento Agrícola: Suspensão europeia põe carne brasileira e Mato Grosso sob pressão

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Veto europeu à carne brasileira está previsto para 3 de setembro. Oportunidade temporária nos Estados Unidos, suspeita tributária em azeites, milho sem reação no Brasil e liderança mundial do algodão nacional são os destaques do Momento Agrícola deste sábado.

Novos riscos comerciais e novas exigências regulatórias se apresentam para o agronegócio brasileiro neste final de agosto. Paralelamente, oportunidades pontuais surgem no mercado internacional. Na edição deste sábado (29.08) do Momento Agrícola, o engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli, de Tangará da Serra, destaca a possibilidade de a União Europeia suspender, a partir de 3 de setembro, as importações de produtos brasileiros de origem animal.

São barreiras comerciais relevantes e que causam apreensão em toda a cadeia da carne. A medida envolve principalmente carnes bovina e de frango, além do mel. Segundo informações repercutidas pelo programa, o impasse está relacionado às exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos e à avaliação de que o Brasil ainda não fornece garantias e informações suficientes sobre seus controles.

Conforme reportado pelo Canal Rural na semana que passou, a questão não envolve uma acusação de má qualidade da carne brasileira, mas divergências sobre protocolos, rastreabilidade e comprovação sanitária.

Qualquer restrição aos mercados de maior valor pode afetar frigoríficos, pecuaristas, transportadores, fornecedores e municípios dependentes da cadeia da pecuária.

A Europa não é o principal destino da carne brasileira em volume, mas compra cortes de maior valor agregado, daí a importância daquele mercado. Uma suspensão prolongada poderia reduzir a concorrência por determinados cortes, pressionar margens de frigoríficos e pecuaristas e exigir a busca de mercados alternativos. O setor estima que a adaptação às novas regras possa levar cerca de dois anos. O governo brasileiro pretende negociar e, se necessário, recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Mato Grosso já sente

O risco é relevante para Mato Grosso, que é líder nacional nas exportações de carne bovina. Para se ter uma ideia, o estado enviou 978,4 mil toneladas da proteína para 92 países em 2025. Qualquer restrição aos mercados de maior valor pode afetar frigoríficos, pecuaristas, transportadores, fornecedores e municípios dependentes da cadeia da pecuária.

Se confirmada, a suspensão não significará a paralisação das vendas, mas mudança de destinos e influência nos preços e no planejamento dos embarques. Parte da produção teria de ser redirecionada, aumentando a importância de mercados alternativos e da comprovação do histórico sanitário dos animais.

Há, porém, outro movimento no mercado internacional, este na direção oposta. Os Estados Unidos podem abrir uma janela favorável com o anúncio do governo de Donald Trump da ampliação temporária, em 300 mil toneladas, da cota de aparas de carne bovina magra importadas sem tarifa. O objetivo dos americanos é conter a alta dos preços ao consumidor. Para a Abiec, a medida pode representar oportunidade para o Brasil, embora o país dispute o espaço com outros fornecedores e o benefício dependa de habilitação, logística, competitividade e duração da medida.

Azeite europeu no radar fiscal

Também no Momento Agrícola deste sábado, Ricardo Arioli destacou uma denúncia do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) à Receita Federal para investigar possível fraude tributária envolvendo azeites europeus vendidos no Brasil como extravirgens.

A suspeita surgiu após o Ministério da Agricultura analisar amostras de marcas conhecidas, identificando características compatíveis com azeite virgem, e não com a categoria declarada no rótulo.

A diferença também tem impacto tributário. Segundo o Ibraoliva, o extravirgem importado da Europa tem alíquota zero, enquanto o azeite virgem está sujeito a imposto de 9%. A entidade pede investigação sobre eventual classificação irregular e recolhimento menor de tributos. As empresas citadas afirmam manter controles de qualidade e algumas atribuem possíveis não conformidades a lotes específicos.

Milho sem reflexo automático

No conteúdo do programa há, também, uma análise dobre a redução das perspectivas de produção de milho nos Estados Unidos e na União Europeia. Apesar de uma menor oferta internacional normalmente favorecer as cotações externas, o movimento ainda não se refletiu nos preços brasileiros.

No mercado interno, fatores como a disponibilidade doméstica, a segunda safra, os estoques, a logística e o ritmo das exportações continuam tendo maior peso na formação das cotações. O relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos apontou redução na previsão de estoques finais americanos e revisão para baixo do milho europeu.

Entre os destaques positivos, o algodão brasileiro mantém posição de liderança mundial nas exportações. Segundo dados da Abrapa, o país encerrou o ano comercial 2025/26 com cerca de 3,3 milhões de toneladas exportadas, receita de US$ 5,3 bilhões e crescimento de 19% sobre o período anterior. Volume, qualidade, certificação e rastreabilidade têm ampliado a confiança de compradores internacionais.

No segundo bloco, o programa repercute outras notícias da semana e aborda temas ligados à gestão do produtor, como mercado de carbono, em entrevista com o doutor Ludovino Lopes, e seguro rural e renegociação de dívidas, com Pedro Loyola, da FGV Agro.

Entrevistas

O Momento Agrícola traz, ainda, entrevistas com temas relevantes no ambiente no agronegócio:

  • O Mercado de Carbono vem aí, com Dr. Ludovino Lopes;
  • O Seguro e a Renegociação de Dívidas, com Pedro Loyola, da FGV Agro.

Ouça o programa, na íntegra:

 

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